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05.11.09

por Ariel Palacios, Seção: Buenos Aires, Cultura, Turismo 12:20:04.

piernas
A herança afro no tango argentino fica evidente pela sensualidade dos passos desta forma de “caminhar pela vida”

Um relatório elaborado por Cynthia Quiroga, psicóloga colombiana (o cantor Carlos Gardel morreu em 1935 na colombiana Medellín), integrante da Universidade de Frankfurt (Alemanha, terra onde foi inventado o bandonenón) afirma que o tango eleva o desejo sexual.
A Universidade recomenda o tango para casais com problemas de baixa testosterona
Sexo à parte, o tango - ritmo musical do rio da Prata (pois é praticado em ambas margens, a uruguaia e a argentina) - foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, no mês passado.

maozinhassd “O tango é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico...sua representação é um simulacro erótico”. (do escritor espanhol Rafael Salillas em 1898)

“...Dança-se entre um homem e uma mulher, mas sem cópula”.(Salillas, 1898)

Para o escritor Jorge Luis Borges, o tango era “uma forma de caminhar pela vida”. Para o poeta Enrique Santos Discépolo, “um pensamento triste que pode ser dançado”. No exterior, o tango é a música emblemática que representa a Argentina, embora o mesmo gênero musical também seja símbolo do vizinho do outro lado do rio da Prata, o Uruguai. Os argentinos se ufanam da definição dada pelo filósofo americano Waldo Frank, que sustentou que o tango é “a dança popular mais profunda do mundo”.

A palavra tango talvez seja a mais associada à Argentina em todo o planeta. A crise econômica de dezembro de 2001 foi chamada de “efeito tango” pela imprensa mundial. O caráter fatalista e pessimista que muitos argentinos exercem diariamente sobre a política, a economia e suas próprias vidas pessoais também é apontado como “um tango”.

Mais do que triste, o tango é introvertido e introspectivo, ao contrário de outras danças populares que são extrovertidas e eufóricas. Para o escritor Ernesto Sábato, “somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”. Segundo o autor, “um napolitano dança a tarantela para se divertir. O portenho dança um tango para meditar sobre seu destino”.

O tango é multifacético. Suas letras falam da mãe “santa”, da turma de amigos, das ruas do bairro e da pérfida - e perdida - mulher que os abandonou. Mas além disso, o tango também fala do hedonismo e da aparência, das divisões sociais e dos picaretas. Ele também é frequentemente satírico, com letras que disparam ácidas farpas contra tudo e contra todos.

NASCIMENTO
Na Argentina (no Uruguai a História é outra), mais do que 'argentino', o tango é portenho, já que o interior da Argentina seria melhor representado por outros ritmos, como o chamamé, o malambo e a zamba.

O bairro da Boca não foi o berço do tango, ao contrário do que indicam certas lendas, especialmente de guias turísticos estrangeiros.

mondongo
Tango nasceu no 'barrio del Mondongo', atual bairro de Montserrat. O bairro está marcado em vermelho nesse mapa antigo de Buenos Aires.

O tango surgiu ao redor de 1877 no bairro de Montserrat, situado entre a Casa Rosada e o atual Congresso Nacional. Na época, ali residiam os descendentes dos escravos negros que haviam sido liberados em 1813.
Em Montserrat, também chamado de “barrio del Mondongo”, os afro-argentinos organizaram-se em associações beneficentes, que de noite – em barracos de sapé - preparavam festas para angariar fundos.

Nesses eventos, tocavam batucadas lânguidas, que para os escandalizados vizinhos brancos da área eram danças “luxurientas” e “indecentes” na coreografia.

As reuniões em Monserrat-Mondongo muitas vezes acabavam subitamente com a intervenção da polícia, que aparecia para “colocar ordem” no lugar.

Na época de carnaval as associações de afro-argentinos saíam às ruas para dançar ao som da batucada, denominada na região do rio da Prata como “candombe”.

A rivalidade dos grupos – cada um queria mostrar que era melhor na coreografia - provocava confrontos sangrentos nas ruas. Por este motivo, depois de anos de incidentes, o governo ordenou a dissolução das associações.

Sem poder sair às ruas, os afro-portenhos organizaram lugares exclusivos de dança, os “tambos”. Com esta palavra começa a polêmica sobre a origem do tango. Para alguns “tangólogos”, “tango” viria de “tambo”. Para outros, vem de “Xango”, ou “Xangô”, deus africano da guerra.

A própria palavra “tango”, com essa grafia, apareceu em 1836 no “Diccionario Provincial de Voces Cubanas”. O livro define “tango” como “a reunião de negros para dançar ao som de seus tambores ou atabaques”. Outra teoria indica que “tango” vem de “tambor”.

A polêmica e a discussão são elementos altamente cotados na mesa dos argentinos. Portanto, abundam versões sobre o assunto. Uma teoria indica que “tango” vem de “tang”, palavra pertencente a um dialeto africano que poderia ser traduzida como “aproximar-se, tocar”.

tangopassos
Uma forma de caminhar pela vida com raízes africanas que posteriormente foram europeizadas

Curiosamente, outra versão sustenta que a palavra vem do latim “tangere”, que também significa “tocar”. No espanhol antigo, “tangir” equivale a tocar um instrumento.

Para complicar, no século XIX existia na Espanha um “tango andaluz”. E no México, no século XVIII, uma dança com o mesmo nome.
Nenhuma dessas teorias (há várias teorias adicionais sobre a origem da palavra) foi comprovada. Os argentinos continuam dançando este gênero sem se preocupar por sua etimologia.

Desta forma, os afro-portenhos tiveram que resignar-se a ficar dentro de seus “tambos”, dançando o embrião daquilo que em poucas décadas seria o tango tal como o conhecemos hoje em dia.

A forma de dançar era – de certa forma – vagamente similar ao samba brasileiro atual: dança solta, eventualmente segurando o/a parceiro/a, além de muito requebro.

Mas, nesse momento em que essa forma prototípica do tango está em plena ebulição nos lugares de encontros dos afro-argentinos, ocorre uma guinada que seria fundamental para o desenvolvimento do tango: o surgimento do “compadrito” nos “tambos”.

gabino
Gabino Ezeiza, um dos expoentes afro-argentinos do tango em seus primórdios

(Veremos o surgimento do compadrito no tango nos próximos dias e também a vida de Gabino Ezeiza)

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Comentários:

Comentário de: Antônio Celso [Visitante]
05.11.09 @ 13:47
Caro Ariel, confesso que já estava pensando que aconteceu alguma coisa ao blog! Como leitor assíduo fico aliviado em ler este belíssimo texto sobre o tango e saber que o blog continua aí!

Um grande abraço,
Antônio Celso
Comentário de: Cláudia [Visitante]
05.11.09 @ 14:11
Não acho que elevar o desejo sexual seja privilégio do tango mas sim de qualquer dança a dois e até mesmo de algumas solitárias como a dança do ventre. Por isso gostei mais da definição do Discépolo - um pensamento triste que pode ser dançado - que destaca uma característica mais específica do tango que é o seu alto grau de dramaticidade.
Comentário de: Ariel [Membro]
05.11.09 @ 14:17
Caro Antônio, é que tirei uma semana de folga para visitar meus pais no Paraná...mas continuo firme aqui! Nos próximos dias, esta postagem sobre as origens do tango será seguida por outras sobre os primeiros tempos deste ritmo. Obrigado pelo comentário!

Cara Cládia, com certeza, todas as danças elevam o desejo sexual(se bem que a ‘sardana’ catalã...aí acho meio difícil, embora seja boa dança para exercitar as panturrilhas, fato que – por tabela – poderia elevar a libido).
Mas acho que mais do que “dramaticidade” a palavra seria “introspecção”...o que acha?

Abraços,
Ariel
Comentário de: Cláudia [Visitante]
05.11.09 @ 16:10
Introspecção? É, acho que sim. Falei em dramaticidade porque a expressão facial no tango sempre me pareceu tão importante quanto a corporal.
Comentário de: Otavio Silva [Visitante]
05.11.09 @ 16:13
Ótimo post. É engraçado imaginar o tango com origens / influências africanas ,já que imagem construida do tango nos parece tão européia. Mas quanto da música contemporânea não tem raízes africanas? Samba, os ritmos caribenhos, jazz, blues, e suas variações?

Quanto à sensualidade do tango, acho que há uma certa sutileza que acredito que o torna mais sensual. É menos explícito, e não menos erótico. Não duvido mesmo que tenha efeitos positivos sobre a libido de um casal...
Comentário de: Do Contra [Visitante]
05.11.09 @ 17:04
Ariel, muito interessante saber das origens africanas do tango.

Quando estive em Montevidéu há uns 10 anos, tive a oportunidade de assistir um ensaio de candombe num conventillo perto da Ciudadela.

Ao contrário da margem ocidental do Prata, lá é marcante a presença de afro-descendentes em meio à população.

Seria muito bacana desenvolver mais o tema sobre os afro-argentinos e o porquê de uma presença atual tão tímida em meio à população geral, comparando-se conosco e o Uruguai.

Até porque meu professor de Espanhol me falou que durante a Guerra do Paraguai, ainda havia certa quantidade de tropas afro-argentinas, e me parece que depois de lá sua memória foi deletada ou esta população entrou em declínio. Poderia conferir isso?

Grande abraço!
Comentário de: Jorge Trimboli [Visitante] · http://jorgetrimboli@blogspot.com
05.11.09 @ 17:40
Ariel, aprendi que Monserrat se chamava Mondongo através de você. Mondongo, para uqem não sabe, é nossa dobradinha, aquela carne branca esponjosa deliciosa. Também é gíria para barriga.
Eu sempre digo que o tango causa tédio nas crianças e adolescentes portenhos e acaba por seduzir quando a pessoa chega aos 30 anos. Nenhum menino gosta de ver a mãe dançando tango. Eu também odiei, mesmo tendo sido em festas familiares puras e inocentes. Freud explica.
Aprendi na escola em Buenos Aires, que o tango derivou da Havanera cubana.
Já morando no Brasil, tive a oportunidade de conhecer os “Los Jubilados”, um grupo da guarda velha da música cubana. Ouvi uma canção cantada por um deles acompanhada pelo piano e um contra-baixo, sem congas nem tumbadoras. Aquilo era um tango perfeito. O compasso 2 x 4 e a melodia eram absolutamente tangueiras. O tango “acabou” na hora que a percussão começou, adquirindo a identidade cubana. Por um instante aquela música soou como um tango.
O candombe aparece em muitas milongas, como “Taquito Militar” de Mariano Mores. No Youtube podem ouvir esta jóia.
GRANDE ARTIGO ARIEL!
Comentário de: Viviane [Visitante]
05.11.09 @ 18:16

OLha, não importa da onde veio o tango, mas acho maravilhoso! E concordo com quem disse que outros tipos de dança também estimulam a sexualidade. No caso da dança do ventre, pra muitos, ela o faz, contudo, ela é a sobrevivência de rituais antigos de fertilidade da terra, ou da cultura matriarcal, ou seja, o modo como é vista hoje é um pouco deturpado.
Sobre a questão do negro ter iniciado o que hoje é o tango, bom, acho que tem tudo a ver, mas, infelizmente, creio que muitos argentinos não queiram falar muito a respeito.
Comentário de: Roberto Santos de Carvalho [Visitante]
05.11.09 @ 18:23
Ariel,

Já faz uns 5 anos eu fui pesquisar a respeito do Tango, na biblioteca do Memorial da America Latina, em São Paulo, e não me lembro o nome do autor argentino, que escreveu ( eram mais ou menos 5 fascículos ) que o tango tem como espécie de mito fundador uma história profana, simulacro da santidade da Virgem Maria, que é colocada como uma prostituta ( nossa senhora do cais ? ) disputada por dois malandros portenhos que então se esfaqueiam ao disputá-la.

Por acaso você já ouviu algo a respeito ou sabe o nome de algum autor que dê esta explicação ?

Pouca gente sabe que a cidade de Buenos Aires vem de Nossa Senhora de Buenos Aires, que com o nome de Nossa Senhora de Lujan é padroeira da Argentina.

Roberto Santos de Carvalho
Comentário de: Edson Oliveira Rigo [Visitante]
05.11.09 @ 18:40
Curiosamente eu já tinha conhecimento da origem africana do Tango, mas, sempre me trás surpresa e até uma certa repúdia o porque dos argentinos serem tão racistas em relação a raça negra, onde praticamente toda população de origem africana foi disimada no século XIX, sendo que um dos maiores patrimônios do povo argentino é o Tango, diferente do Uruguai, onde a população negra, minoria, mas mesmo assim faz parte da sociedade uruguaia.
Comentário de: Lito Porteño [Visitante] · http://visitante
05.11.09 @ 18:44
Existen diversas teorías sobre el origen del tango.
Personalmente no concuerdo que tenga una procedencia afro,la póstura de una pareja abrazada para esta danza,difiere completamenta de cualquier danza africana.
Lo que sí puedo agregar que el que va a cualquier espectáculo de tango,especialmente siendo extranjero no puede sustraerse a un estado de gracia y de magia que esa música tan singular ofrece.
Personalmente en mi adolescencia prefería el rock y el swing que eran los ritmos preferdos de los jóvenes en los años 60.
Con el correr de los años redescubrí el gotan y
concordé con la definición que cada tango es una ópera de tres minutos.
También pienso que en infinidad de piezas hay una poesía popular muy refinada y profunda.
Ej.:
Volver
]Con la frente marchita
Las nubes del tiempo
Platearon mi sien...
No continúo para no humedecer el teclado.
Comentário de: nelson [Visitante]
05.11.09 @ 19:28
Ariel: a seguir anexo um texto da página "El Castellano", que analisa a etimologia das palavras.
Muito daquilo que tu comentas está aqui.
Sobre a presença dos ex escravos na Argentina tem um livro que fala, se não lembro mal "Los primeros desaparecidos"

tango

"El nombre del ritmo más popular del Río de la Plata está registrado en nuestra lengua desde 1837, acuñado por el etimólogo cubano Esteban Prichardo, y todo parece indicar que su origen es africano, nacido en alguna de las lenguas traídas a América por los esclavos. Sin embargo, debemos tener presente que ese tango primigenio poco tiene que ver con esta música típica rioplatense, inmortalizada por los uruguayos Carlos Gardel (cantor) y Gerardo Mattos Rodrígues (compositor).
En efecto, en su Nuevo diccionario lunfardo, José Gobello recuerda que, hacia la primera mitad del siglo XIX, se llamaba tango a las reuniones de negros que bailaban al son de sus tambores. Para este autor, se origina en la primera persona del singular del presente de indicativo del verbo portugués tanger, que significa ‘tocar un instrumento musical’.
Sin embargo, el musicólogo brasileño Nei Lopes cree que el nombre de este ritmo proviene más bien de tangu, que en la lengua africana quimbundo designa un movimiento de la pierna en algunos tipos de baile, mientras que otros autores señalan la lengua sudanesa ibibio, en la cual se llama tamgu a una danza con tambores.
Corominas se adhiere a la hipótesis del origen africano, pero señala ‘cierta danza llamada tangue que aparece en el siglo XVI en Normandía’, aunque él mismo admite que se trata de un vocablo de formación independiente.
Como ocurrió con otras palabras de origen africano, es posible que tango haya entrado a Cuba y a Sudamérica en forma separada, aunque con el mismo origen. El tanguillo, que hizo furor en Andalucía hacia la segunda mitad del siglo XIX, parece haber llegado desde Cuba, país con el que esta región de España mantuvo siempre intenso intercambio cultural.
Sólo fue en las postrimerías del siglo XIX cuando el ritmo sensual del tango empezó a hacerse oír en los arrabales de Montevideo y de Buenos Aires".


Comentário de: Rolando [Visitante]
05.11.09 @ 19:56
Já sabia dos ritmos africanos nas duas margens do Prata. No entanto, devo concordar com o Lito Porteño de que o tango tem mais raízes europeias que africanas ou ameríndias. Por ser uma cidade portuária com convergência de gentes e culturas, influências não-europeias com certeza influiram, até mesmo no nome (ou não). Mas a estrutura melódica, as letras filosóficas e fatalistas, o tom grave, são genuinamente europeus. Veja que nesse ritmo a percussão não se sobressai. E os passos são mais chamativos do que os rebolados.

Quanto à influência negra na população argentina, li uma revista bem antiga, que tentava explicar por que há poucos negros na Argentina atual. Quando do início do século XIX, Buenos Aires era uma cidade de 20 mil habitantes com pelo menos 5 mil negros. No entanto, a escravidão foi abolida 70 anos que no Brasil, o tráfico não foi tão intenso, a zona portuária era propícia a miscigenação, sendo que na segunda metade daquele século milhões de imigrantes europeus por lá passaram. Também houve, se não me falha a memória 2 grandes pestas na segunda metade do século XIX, em que os mais resguardados financeiramente se retiraram da cidade por um tempo, ou até mesmo levantaram novos bairros mais afastados das margens do rio. A população mais pobre, dentre ela muitos negros, foi mais atingida. Houve um déficit populacional que foi reposto por novos imigrantes.

Deve haver mais explicações, mas essas que coloquei ao menos são fatores bastante fortes.
Comentário de: Renato noguera [Visitante]
05.11.09 @ 20:17
hola ariel, que placer leer un articulo tan bien escrito por vos, soy brasileno pero he vivido en argentina por mucho tiempo , ahora de regreso a Brasil sé que una parte de mi corazon estara siempre allá. tambien me gustaria de decirte que sus comentarios en el canal gnt son maravillosos,és encreible como hablas bien el portugues, asi como yo, sólo puedo piensar que has vivido en el Brasil.Un gran saludo a Usted, espero leer más sobre el tango especialmente Lepera y gardel, Lepera que como sabés vos era brasileno.ehehhehe , Un saludo a mis amigos del judo del club Gimnasia y esgrima . mucha SAUDADE de Argentina.
Comentário de: Gardenal [Visitante]
05.11.09 @ 21:59
Mas então é AFROdisíaco...hahahaha
Comentário de: Ariel [Membro]
05.11.09 @ 23:42
Caro Otávio, obrigado pelo comentário! Pois é: o toque africano está presente em muitos ritmos atualmente! E em todo o mundo!
E concordo, o tango, hoje em dia, é mais sensual do que sexual. Mas, no século XIX...escandalizava as pessoas!

Caro Do Contra, que legal! Assistiu um ensaio de candombe! Genial! Os uruguaios possuem um ritmo especial. A população afro-argentina desapareceu por vários motivos...um deles foi a Guerra do Paraguai. Mas, morreram mais talvez durante as guerras da independência. E, também está o fator de que a população escrava era pequena, tendo em vista que o gado, principal ocupação econômica na época da colônia, requeria pouca mão de obra. Ao contrário do Brasil, onde o fumo e a cana de açúcar requeria muita mão de obra escrava.

Caro Jorge, gostei do “Freud explica”! Hehehehehe.
O “Taquito Militar” é uma pérola do Mariano Mores, que está, como dizem aqui, “vivito y coleando”,

Cara Viviane, é verdade, o ritmo é maravilhoso. A contribuição afro-argentina foi a inicial. O pontapé inicial. Depois, no meio do campo, o tango passou por muitas outras influências. Mas, ao contrário do mito no Brasil, os argentinos das atuais gerações não se preocupam pela proveniência afro do tango. Uma das provas disso é que os historiadores do tango falam nisso há várias décadas. Mas, como digo, a parte ‘afro’ deste ritmo foi no começo. Contarei o resto do percurso em breve...

Caro Roberto, não conhecia essa versão misturando a Virgem Maria com o tango. Se lembrar o nome do autor, pode me avisar, por favor? Obrigado!
A cidade de Buenos Aires foi fundada como “Santa Maria del Buen Ayre” (no singular e com um ‘y’ arcaico). Com o passar do tempo virou “Buenos Aires”.

Caro Edson, a intelectualidade das últimas décadas não era mais racista em relação à África. Isto é, quem estudava a História do tango, pois são justamente esses estudiosos que passaram dos 80 anos que recuperaram essa história. No Uruguai a sociedade afro participa da cultura. Mas, infelizmente nunca houve ministros afro-uruguaios. Bom, no Brasil, a presença afro no poder é relativamente recente. E nem falemos sobre a presença mulata nas revistas masculinas...a primeira mulata que foi capa (capa, veja bem) da Playboy foi Isabel Filardis...em 1995!!! E a primeira protagonista negra de uma novela no Brasil...foi após a virada do século.

Caro Lito, pode colocar uma proteção impermeável sobre o teclado, pois ainda vamos falar mais em tango! Hehehehehe...
O que eu disse sobre a origem afro-argentina do tango é exatamente isso: é a origem.
Imediatamente surgiu o compadrito, e lhe imprimiu um toque criollo. Depois vieram os imigrantes italianos, as prostitutas francesas...e o tango se europeizou. A raiz é afro-argentina. O desenvolvimento é europeu. Mas veremos isso em breve, com mais detalhe.

Caro Nelson, obrigado pela contribuição!!!!

Caro Rolando, tal como disse ao Lito, eu me refiro às raízes afro-argentinas. O resto da árvore do tango é europeizada. Sobre a presença african no país, falarei mais detalhadamente em uma postagem ainda neste ano.

Caro Renato, obrigado pelo elogio sobre o idioma, mas é que eu sou mesmo brasileiro...Também fui uma época no Gimnasia e Esgrima da rua Bartolomé Mitre. Era nesse que você ia?

Caro Gardenal...hehehehe..sim, sem dúvida é afrodisíaco!

Caro MS, obrigado pela correção. Foi um lapso misturar “agro” com “afro”.
Mas, lhe aviso que a palavra “catzo”, tal como você escreveu no comentário que deletei, está incorreta.
A palavra, que designa o membro viril masculino, provém do italiano, e é “cazzo”, no original da língua de Dante Alighieri, Manzoni, Umberto Eco e Dino Buzatti.
E provém mais especificamente do latim “capitium”, ou pequena cabeça. Isto é, era a forma como os romanos referiam-se à glande. No fim das contas, uma sinédoque (a parte pelo todo).
Claro que “cazzo” é uma forma vulgar para referir-se a essa parte do aparelho reprodutor. Obviamente, o termo é aplicado, tal como você fez, mais além de seu significado anatômico. Ou, aquilo que os italianos chamam de “rafforzativo del pensiero". Capisce?

Ciao, buona notte a tutti!
Boa noite para todos! Bons sonhos!
Abraços,
Ariel
Comentário de: Anselmo [Visitante]
05.11.09 @ 23:47
Ariel, Por favor:

Fale-nos um pouco mais sobre esta questão da presença de escravos em terras Argentinas. Estive várias vezes por lá e não percebi tais traços nem na população e nem na cultura.
Comentário de: tigrão [Visitante]
06.11.09 @ 05:08
Tu estudio sobre el origen del tango parece serio.Gracias
Comentário de: Jorge Trimboli [Visitante] · http://jorgetrimboli@blogspot.com
06.11.09 @ 05:51
Há um divisor de águas no tango argentino: Astor Piazzolla. Antes de Piazzolla, o tango soa como algo antigo, bohemio, com brilhantina e bigode fininho.
O tango nasceu nos prostíbulos executado com violão, bandoneon, clarinete e tuba, onde os caipiras e os imigrantes italianos, trabalhadores braçais, se reuniam com as prostitutas polacas.
Depois, sem percussão nenhuma (sem africanismos), o piano, os bandoneones e os violinos vestidos de black-tie, deram ao tango ares europeus. Aceito pela sociedade através do cinema e o rádio, surgiram as grandes orquestras. Era o tango de salão, bailável e popular dos anos 40 a 60. Nesta época reinou soberano Aníbal Troilo Pichuco.
No final da década do 60 Piazzolla, primeiro bandoneonista de Troilo, ficou famoso com a "Balada para un Loco". A partir dai o tango acrescentou a guitarra e o baixo elétricos. O purismo acadêmico de Piazzolla resgatou a percussão ancestral africana. Este novo tango é para ser ouvido e não para ser dançado. Podem reparar que o tango de Piazzolla é dançado por bailarinos modernos tipo Bejart.
A dança sensual feita para turistas é dançada com o tango antigo pré-piazzolla. A versão global de Al Paccino em Perfume de Mulher, por exemplo, toca “Por uma Cabeza”, um tango dos anos 30.
A sociedade portenha de início estranhou e rejeitou Piazzolla. Eles diziam "eso no es tango". Finalmente Piazzolla venceu os preconceitos ao mesmo tempo que os velhos morreram.
Hoje o mundo todo reconhece o tango de Piazzolla como o tango argentino.
Um raro caso onde o discípulo (Piazzolla) superou o mestre (Troilo).
Para executar tango tem que ler música. Não é como o samba, o rock, o forró, onde qualquer sistema cifrado ou tablatura sem-vergonha resolve. Os músicos que tocam tango ainda que tenham ouvido privilegiado, não tocam tango "de ouvido", precisam saber ler pentagrama e ter um bom domínio do instrumento. Nisto o tango é mais europeu do que africano. Alguém conhece algum interprete de tango da raça negra? Eu não conheço.
Comentário de: Eleodoro [Visitante] · http://blog.estadao.com.br/blog/arielpalacios/?title=uma_forma_de_caminhar_pela_vida&more=1&c=1&tb=1
06.11.09 @ 06:10
Como disse de forma resumida e abrangente um filósofo argentino..."El tango es la filosofia de la calle" ("O tango é a filosofia da rua")
Parabéns pelo valor histórico tao bem redigido.
Comentário de: Nelson Frighetto [Visitante]
06.11.09 @ 08:12
Ariel.

Teria sido pertinente, em seu texto,citar o que teria dito Nilo Peçanha - presidente do Brasil - sobre este gênero de dança:
"Após dançar um tango, o casamento é obrigatório".
Comentário de: AMARAL [Visitante]
06.11.09 @ 18:37
digo buenas e me esparramo... (he he he)

Bom, a história que conhecia, de priscas eras, atribuia tbm a origem a dois malandros de cais, esfaqueados mutuamente na disputa pelo amor de uma moça-de-vida-fácil (como se fosse fácil..)

e é verdade que Lepera nasceu aqui em Santos (litoral de SP)?

meu sócio de escritório tem quase 80, e a tradição oral da geração deles é de que Lepera e Gardel eram mais que amigos, amantes... é verdade?

Bom, tbm problema deles. Nunca fui em Show de tango, pessoalmente acho estes lugares muito para turista, algo como levar estrangeiro que viesse ao Rio no Show Mulatas do Sargenteli.

Mas na praça em torno da qual acontece a feira de San Telmo, ao final da tarde, casais dançavam tango (sem orquesta, caixas de som). Fiquei assistindo. era diferente, mais .. família. contido, sem excessos. lembrava o nosso bolero. delicioso.

abraço a todos.
Comentário de: Claudia P. [Visitante]
07.11.09 @ 02:24
Ariel,

Cheguei um pouco tarde, no entanto estava com saudades, quanto tempo!
O tango é realmente dramático, e difícil, dá a impressão de que não é para todos, algo que sugere ser necessário ter sensibilidade para apreciar, no entanto quando se aprecia se apaixona.
Alguém já me disse que mais estimulante do que dançar um tango com uma mulher, é vê-la dançá-lo, apreciar seus movimentos, o mesmo eu acho que vale para o homem. É muito elegante e sedutor um casal dançando tango.
Comentário de: roberto s carvalho [Visitante]
07.11.09 @ 09:44
Caro Ariel,

Ontem voltei à biblioteca do Memorial da América, para localizar a obra que associa Nossa Senhora ao Tango, que eu li 5 anos atrás.

Felizmente logo encontrei La História do Tango ', Edicones Corregidor/ 1987.

Porém, ao contrário do que eu imaginava, não era em 5 volumes, mas em 15, com média de 80 páginas cada, e infelizmente, embora tenha folheado, e corrido os olhos em quase tudo, não consegui localizar a tal passagem embora tenha certeza que ela está lá.

Já tinha desistido, e deixado o recinto da biblioteca, até que achei pdf um ensaio de Sonia Alejandra Lopes sobre a ópera Maria de Buenos Aires, da autoria do poeta uruguaio Horácio Ferrer w Astor Piazzola.


Ópera em duas partes, com 8 canções cada uma, e que segue sempre o fio condutor da vida e morte de María em Buenos Aires.

Os personagens incluem María e, após sua morte, a sombra de María. Um poeta narrador é também um duende, vários marionetes estão sob seu controle, e um circo de psicanalistas ( não achei nada sobre o significado disso - algume saberia ?) .

Vários elementos do libreto a sugerir paralelos entre Maria e Maria, a mãe de Jesus ou para o próprio Jesus.

A ópera de maneira surrealista, narra a vida e a morte de uma moça dos subúrbios portenhos que se muda para o centro da cidade, quando conhece o tango e se transforma em prostituta. Este ofício leva a lidar com ladrões e “rufiões”, que a levam a morte.

Ladrões e rufiões do bordel, que se reuniram em uma missa negra para resolver a morte de Maria, que passa a ser condenada a um inferno que é a cidade em si: sua sombra é condenada a penar pela avenida Corrientes, epicentro dos cinemas e teatros da cidade de Buenos Aires.

No início da primeira parte da ópera um duende evoca a imagem de Maria de Buenos Aires, que aparecerá na ópera, primeiro para ao som de um bandoleon ela cantar sua conversão à vida noturna.

Ai a história de danação dela em vida, por obra de ladrões, morte ( o funeral promovido pelas criaturas da noite ) e condenação da alma de Maria ao inferno, que passa a vagar como uma sombra, até a sua redenção e ressureição.

Desdobramentos se sucedem segundo simulacros de temas próprios de Nossa Senhora:

O mistério da concepção de Maria ( a Sombra de Maria terá um filho que será ela mesma ), a anunciação da gravidez feita pelo Duende e seus asseclas; a aparição dos tres " albanilles " magos; e a ópera termina com um mistério: será a própria Maria quem renasceu de sua sombra - que a história diz ser uma sombra virgem - ou será outra?

Todo este desfecho ocorre num domingo, portanto Dia do Senhor..

Obra que tem títulos onde se mescla vocábulos da linguagem religiosa e da música clássica para fazer expressões como " Allegro Tangabille ( alegro/tango/cantabile ) ".

Na ópera também apresentados quadros que têm o nome de termos religiosos cristãos adaptados à linguagem portenha, assim como os quadros da ópera são encerrados com um " que asi sea" , que é o amém.

Na partitura vem uma indicação para o recitante ( relator da história que coloca os argumentos da história ) " como una oracion ( em Tangus Dei ) :

* a Ave Maria ( Tangus Dei )

* "misere-re canyengue "( misere, do latim apieda-te, tb usado como palavra referência do salmo 51 que começa com esta palavra )

Ferrer, se refere a Maria de Buenos Aires como a recriação da temática do primeiro arquétipo feminino do Tango :

" personaje femenino esencial del Buenos Aires nocturno de la posguerra; la muchccha de cabaré "( Ferrer 1977: 571 ).

Um arquétipo que foi definido pela primeira vez em Milonguita, por volta de 1920, com letra de Samuel Linnig ( 1889 - 1921 ) e música de Henrique Delfino ( 1895-1967 ), que igual a Maria é uma portenha que marcha de su barrio, se prostituye, sufre y llora

sobre este aspecto observam Ferrer e Piazzolla:

" [ ... ] su história comienza por ser la de las legendárias milonguitas, aunque vivida y resuelta - creemos - de un modo diferente [ ...] una imagem mística y romântica y trágica, a veces también burlesca [ ...] "



Estercita,
hoy te llaman Milonguita,
flor de noche y de placer,
flor de lujo y cabaret.
Milonguita,
los hombres te han hecho mal
y hoy darías toda tu alma
por vestirte de percal.

Cuando sales por la madrugada,
Milonguita, de aquel cabaret,
toda tu alma temblando de frío
dices: ¡Ay, si pudiera querer!...
Y entre el vino y el último tango
p'al cotorro te saca un bacán...
¡Ay, qué sola, Estercita, te sientes!
Si llorás...¡dicen que es el champán!


Piazzola era um marxista e atribuem a esta ópera fazer de Maria a personificação do porto da cidade de Buenos Aires, um lugar mergulhado na sedução, feminina, que representa o escuro da noite.

Maria assim representaria a alma do Tango e ao mesmo tempo a cidade que dá à luz a menina. A Cidade que perde a garota do submundo sombrio. E ainda a Cidade que depois se reúne com o espírito da menina.

Também é atribuída à Maria de Buenos Aires a responsabilidade de ser o contraste universal de Maria. mãe de Jesus, que representaria ao ver dos autores da ópera uma super-mulher, capaz da total abenegação, enquanto a Maria de Buneos Ayres deve sempre recriar-se para enfrentar um sistema social adverso, nas suas expectativas, e na sua moral.

María de Buenos Ayres faz assim uma declaração final, um desafio para o mundo, dando nascimento a uma outra Maria, uma encarnação de si mesma, ao invés do esperado "Menino Jesus de novo."

A história é narrada pelo Duende .

O Duende cria um período mágico que se transforma a história e ele é um poder e uma luta que evoca e desperta a entidade de Maria, mas em última análise, condena-a.

Maria de Buenos Aires tem sido chamado de uma articulação engenhosa de tensão e violência combinada com momentos de extrema ternura.

O desafio dos autores era demolir as dualidades do pecado, bem e mal, e pureza, e apresentam uma visão multifacetada do que significa viver em um mundo cruel e ambígua modernidade.

Um outro aspecto de significado na ópera é o fato de uma nova Maria nascer da sombra da Maria que foi condenada ao inferno.

A ópera é de 1968 mas um tango de 1942 já fazia esta metáfora:

"A veces me pregunto si no será mi sombra que siempre me persigue o un ser sin voluntad, pero es que ella ha nacido así pala milonga y como yo se muere, se muere por bailar... Así se baila el tango. "
Letra de E. Martínez Vila (1942 )



Maria Julia Carozi é autora do bem humorado artigo - Uma ignorância sagrada: aprendiendo a no saber bailar tango em Buenos Aires - e enfoca o ambiente do "tango milonguero" em Buenos Aires, sobretudo os cursos em que se aprende a dançá-lo.

Nesse ambiente, é forte a idéia de que as mulheres apenas precisam seguir os passos do parceiro masculino. Carozzi dedica-se então a entender a aquisição dessa competência performática que, segundo ela passa por uma desatenção seletiva em dançar sem precisar sabê-lo fazer.

Alguns trechos do seu trabalho:

" las clases de tango emitidas por el canal de cable porteño Sólo Tango, afirma que la pareja conforma "una criatura con cuatro piernas y sólo una cabeza"

" Para muchas milongueras hoy experimentadas, que antes de serlo tomaron sistemáticamente clases de tango durante períodos de entre dos y siete años, la ignorancia de la mujer acerca del baile que ejecutan, es una condición necesaria de la buena calidad del mismo."

Portanto Maria de Buenos Aires tem por mito fundador uma história profana, simulacro da santidade da Virgem Maria, que é colocada como uma prostituta disputada por dois cafetõs do cais, que então irão se esfaquear ao disputar a primazia de te-la. Por isso dizem que o tango com seus movimentos de perna, nervoso, representa esta luta.

Como boa profissional do sexo Maria de Buenos Ayres pertencia a todos, ao mesmo tempo que não pertencia a ninguém; portanto simulacro da Grande Mãe, que Maria representa: sempre pronta a buscar um filho desviado aonde estiver. Mãe que agrega e não separa e que trabalha incessantemente, de maneira quase invisível, sem fazer alarde - por isso é tida como a mãe da igreja.

Comentário de: roberto s [Visitante]
09.11.09 @ 05:34
Caro Uriel

Esqueci de dizer que até conseguir o material acima que te mandei, eu antes, quando cheguei à biblioteca do Memorial da América, que fica ao lado da minha casa, então pedi a Nosssa Senhora para me mostrar onde estava a passagem.

Corri as vistas pelos 15 volumes e nada. Sai de lá e teimoso voltei de novo. Olhei o computador da biblioteca do Memorial e vi um arquivo que uma bibliotecária disse que ali não tinha como abrir.

Sai de novo da biblioteca e teimoso voltei, falei com outro rapaz e aí ele abriu o arquivo em espanhol.

Para mim estas pequenas coisas valem mais que tudo.

Muito mais do que ter escrito a um mes atrás esta história

http://roberto400.multiply.com/journal/item/45/Tatoo_-_

que deixei com as partes truncadas e ainda carente de revisão, mas que tem toda a tempestade de idéias.

Há um mistério a desvendar nesta história, e eu estou decidido a ir atrás ...

Quem sabe o mistério se desvende ao final da segunda parte da história, onde no melhor estilo Paris texas, o tal de Fernando andará de Nossa Senhora de Aparecida, até Nossa Senhora de Lujan.

Para que fará isso, e se conseguirá ou não, ele não sabe ao certo: talvez para que não enlouqueça como sua mãe; talvez para pagar o preço pela alma da Princesa; ou certamente para prestar um tributo a Nossa Senhora, que tanto aí como aqui é a mesma.

Li uma entrevista onde vc conta como tudo aconteceu naturalmente, de ser correspondente em Buenos Aires, e conto com o mesma sorte nesta história quanto aos seus frutos.

att.

Roberto
Comentário de: Ariel [Membro]
09.11.09 @ 20:14
Caro Anselmo, em breve comentarei a questão dos afro-argentinos e as diversas teorias sobre a redução drástica dessa população (que agora volta a crescer graças aos caboverdianos!)

Caro Tigrão, muito obrigado!

Caro Jorge, há vários divisores de águas no tango argentino. E todas essas etapas, muito interessantes! E é verdade: poucos podem tocar tango de ouvido. Trata-se de uma música complexa. Uma pequena orquestra típica de tango pode soar como se fosse uma sinfônica!
Antes da virada do século XIX para o XX, o tango já havia se europeizado. Por isso não há tangueiros de grande fama que fossem afro-argentinos.

Caro Eleodoro, obrigado pela contribuição!

Caro Nelson, excelente a frase de Nilo Peçanha!!!!

Caro Amaral, Le Pera nasceu na cidade de São Paulo, no dia 7 de junho de 1900. Quando tinha uns três meses de idade, seus pais, que eram calabreses, mudaram para Buenos Aires. Sobre um hipotético love affair entre ambos, não tenho informações. Pelo visto, eram bons parceiros para a produção artística, além de amigos. Mas, sem eventuais conotações sexuais.

Cara Cláudia, o tango é mesmo sedutor!

Caro Roberto, muuuito obrigado pelas informações!!!! Muito boas, excelentes!
O autor da letra de Maria de B.Aires é o poeta uruguaio Horacio Ferrer, que mora em Buenos Aires há décadas, e é o presidente da Academia do Tango da Argentina.

Abraços a todos,
Ariel

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