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29.11.09
Mujica, vencedor desta jornada eleitoral no Uruguai. Um ex-guerrilheiro transformado em floricultor com uma política romântico-pragmática. O primeiro ex-guerrilheiro que chega à presidência de uma república na América do Sul
MUJICA ELEITO PRESIDENTE
Dois milhões e meio de uruguaios foram às urnas neste domingo para escolher o novo presidente da República. Formalmente, um dos candidatos, o senador e ex-guerrilheiro tupamaro José ‘Pepe’ Mujica, da coalizão de governo Frente Ampla, que nos anos 60 pregava a luta armada, representa a esquerda uruguaia. Seu rival, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, um neo-liberal que nos anos 90 tentou privatizar as empresas estatais uruguaias, é o líder da direita do país.
Mujica, segundo a boca de urna da consultoria Factum, teria conseguido 51,2% dos votos.
Lacalle teria recebido 44,% dos votos.
A jornada transcorreu sem incidentes.
CAMPANHA DE NUANCES
Tudo indicaria que a campanha eleitoral teria sido uma disputa entre dois lados irremediavelmente antagônicos.
No entanto, os debates ocorridos entre ambos lados do leque político, não passaram de discussões sobre nuances na política econômica e divergências sutis no âmbito político.
Mais do que de costume, o Uruguai – nesta campanha eleitoral – tendeu para o centro. As eleições de hoje confrontam um líder de uma esquerda que não está tão à esquerda, e o representante de uma direita que não está tão à direita.
Mujica é um ex-guerrilheiro que deseja atrair investidores estrangeiros.
Lacalle, um neo-liberal que indica que não pretende privatizar as estatais uruguaias, mas sim, apenas “modernizá-las”.
A média dos uruguaios, afirmam os analistas, pretende a permanência do Estado de bem-estar social e a preservação das empresas estatais. Mas, misturado com a abertura da economia para capitais estrangeiros e um forte sistema financeiro que tornou o país em um ‘paraíso’ fiscal na região.

Lacalle adverte sobre 'imprevisibilidade' do rival Mujica. Mas, analistas afirmam que o ex-guerrilheiro será mais pragmático do que utópico
CENTRIPETADOS
O analista de opinião pública Oscar Botinelli, diretor da consultoria Factum, me disse que “a média nacional é o centro..é uma ‘centripetação’ típicamente uruguaia. O Uruguai é um país que foi se despolarizando com o passar do tempo e foi caminhando para o centro político. A média nacional dos uruguaios é de centro”, afirma.
Mujica nega similitudes com figuras politicas tradicionalmente vinculadas à esquerda na região, como o presidente venezuelano Hugo Chávez ou o boliviano Evo Morales. Ele próprio considera-se mais parecido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mujica ressalta que seu passado de luta armada está enterrado há tempos e define-se como um “pragmático”.
“Mujica passou de desprezar a democracia burguesa a valorizá-la. Ele passou de subestimar o caminho eleitoral a transformar-se em um mestre da competência política. Ele passou de sustentar um anti-imperialismo radical a admitir que poder os investimentos estrangeiros diretos e a instalação de grandes empresas multinacionais podem ser positivos para o desenvolvimento nacional. A turma de Mujica não é ortodoxa...ela é bem pragmática”, me disse o sociólogo Adolfo Garce, do Instituto de Ciência Política.
“Faz parte de nossa cultura a preferência por um ponto equidistante”, me comentou o economista Fernando Lorenzo, que desponta como o virtual ministro da Economia de Mujica. “É como nossa marca genética, nossa identidade uruguaia”.
DIFERENTE
Segundo Botinelli, o Uruguai possui caraterísticas “diferentes aos dos outros países do continente na esfera das instituições políticas, já que os partidos são muito fortes, nos quais seus líderes tem uma presença mais diluída, menos personalista, similar ao que ocorre na Europa Ocidental. Aqui funciona um regime no qual o presidente está limitado...não é um presidencialismo puro, como no resto da América Latina”.
Esse estilo de política, indica, sempre impediu que os extremos pudssem predominar no sistema de poder uruguaio.
O analista considera que Mujica está longe de figuras como o presidente venezuelano Hugo Chávez. “Se formos fazer alguma comparação, esta teria que ser com o presidente Lula, um moderado. Chávez é populista. Mujica não é, pois provém de uma esquerda clássica, algo que o presidente venezuelano não é. Mujica fez uma longa carreira parlamentar, ao contrário de Chávez ou Evo Morales. Hoje, Mujica só quer fazer alguns retoques na política do presidente Vázquez”.
CHUVAS E BAILE
Mujica votou ao redor das 8:00.da manhã. O senador e ex-guerrilheiro indicou que a jornada será longa: “esta noite tenho ‘baile’ até bem tarde”.
O candidato também explicou que não dará coletivas de imprensa após a divulgação dos resultados, já que “é ‘chover sobre molhado’, pois os jornalistas vão me perguntar quem colocarei como ministros...e eu sei lá!”
Seu rival, Lacalle, votaria no fim da tarde.
Em várias áreas do país, assolado por fortes chuvas, os eleitores estavam com dificuldades para deslocar-se até os centros de voto.

DADOS E FATOS SOBRE OS CANDIDATOS PRESIDENCIAIS, DIVISÕES DE FORÇAS POLÍTICAS E A ECONOMIA URUGUAIA
CANDIDATOS
José Mujica, da Frente Ampla
- Apelido: ‘Pepe’
- Afirma que mercados podem ficar calmos, pois manterá mesmo rumo econômico do presidente socialista light Tabaré Vázquez. “Será o mesmo cachorro com a mesma coleira”.
- Frase: “Será como um biscate” (sobre o trabalho na presidência da República)
- Profissões: floricultor e político
- Sua esposa, Lucia Topolanski foi sua companheira na guerrilha. É senadora.
- Seu rival Lacalle, sobre ele: “é um radicalizado, chavista”
- Mujica é criticado por seu passado na guerrilha tupamara
Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (Blanco)
- Apelido: ‘Coqui’
- Afirma que não desatará onda de privatizações. Mas, indica que pretende ‘modernizar’ estatais.
- Frase: “vou aplicar a motoserra, firme e dura” (sobre os cortes ao gasto público)
- Profissões: advogado, jornalista e político
- Sua esposa, Julia Pou, participou ativamente sempre de sua carreira política. Foi senadora.
- Seu rival Mujica, sobre ele: “é um neo-liberal”
- Lacalle é criticado pelos escândalos de corrupção de seu governo
VOTAÇÃO NO PRIMEIRO TURNO
No primeiro turno Mujica obteve 47,96% dos votos
No primeiro turno Lacalle obteve 29,07% dos votos
VOTAÇÃO (TENDÊNCIA) PARA O SEGUNDO TURNO
As pesquisas indicam que no segundo turno Mujica teria de 51% a 52% dos votos.
As pesquisas indicam que no segundo turno Lacalle teria 42% a 43% dos votos.
PARLAMENTO
O Parlamento, definido no primeiro turno, será dominado, novamente, pela governista Frente Ampla
Divisão de forças
Senado:
Frente Ampla: 16 senasdores (maioria absoluta)
Partido Nacional: 9 senadores
Partido Colorado: 5 senadores
Câmara de Deputados:
Frente Ampla: 50 deputados
Partido Nacional: 30 deputados
Partido Colorado: 17 deputados
Partido Independente: 2 deputados
DADOS ECONÔMICOS
Inflação
2004: 7,6%
2005: 4,9%
2006: 6,4
2007: 8,5%
2008: 9,2%
Previsão para 2009: 7%
Pobreza
2004:31,9%
2005: 29,2%
2006: 26,8%
2007: 26%
2008: 20,5%
Previsão para 2009: 19,4%
Desemprego
2004: 13,1%
2005: 12,2%
2006: 11,4%
2007: 9,6%
2008: 7,6%
Previsão para 2009: 7,2%
Crescimento PIB
2005: 6,6%
2006: 4,6%
2007: 7,6%
2008: 8,9%
Previsão de crescimento do PIB para 2009
De 1,8% a 2%
Previsão de crescimento para 2010
De 1,3% a 3%

Opositores uruguaios rejeitam interferências externas na campanha e recordam frase de Obdulio Varela no dia do 'Maracanazo'
O 'MARACANAZO' E AS INTROMISSÕES DE LULA, CHÁVEZ E KIRCHNER
Em 1950, Obdulio Varela, capitão da seleção uruguaia que enfrentou o Brasil no Maracanã, reuniu seus jogadores antes do decisivo jogo e pronunciou uma frase que entraria para a História do Uruguai: “Los de afuera son de palo!” (“Os que são lá de fora, são de madeira!”).
Com estas palavras, Obdulio indicava a seus assustados jogadores que o resultado no campo não deveria ser influenciado pelas arquibancadas, onde gritava em frenesi a torcida brasileira. Isto é, que aqueles que estavam fora não deveriam intervir.
Nos dois últimos dias, o ex-presidente Luis Lacalle, candidato do Partido Nacional (Blanco) para o segundo turno das eleições presidenciais uruguaias deste domingo, utilizou a velha frase de Obdulio para repudiar aquilo que denominou de “intervenção” de “chefes de Estado” estrangeiros na política interna uruguaia.
“Os que são lá de fora são de madeira! Um presidente estrangeiro não poder andar dizendo por aí quem prefere”, disparou Lacalle, ao criticar os respaldos ostensivos que seu rival e favorito nas pesquisas, o ex-guerrilheiro tupamaro José ‘Pepe’ Mujica, obteve nesta semana – reta final da campanha eleitoral - por parte de presidentes dos países da região.
Lacalle - que segundo as pesquisas teria 42% das intenções de voto contra 51% de Mujica – sustentou que a “independência” do país está “em jogo” por causa das “intromissões” do PT brasileiro, do presidente venezuelano Hugo Chavez e a presidente argentina Cristina Kirchner, “em assuntos internos do Uruguai”.
Na última semana de campanha, o presidente do PT gaúcho, o ex-governador e ex-ministro Olivio Dutra, reuniu-se com Mujica durante duas horas, a quem disse que o presidente Lula “tem certeza de que em um segundo governo da esquerda uruguaia comandada por Mujica, a relação entre nossos povos será mais produtiva e rica”.
De forma simultânea, o presidente Chávez - que por intermédio da estatal petrolífera PDVSA realizou investimentos no Uruguai - enviou um “grande abraço para Pepe (Mujica) que será o próximo presidente do Uruguai”.
De quebra, em Buenos Aires, o governo Kirchner concedeu folga aos funcionários públicos com nacionalidade uruguaia para que possam atravessar o rio da Prata e votar em seu país de origem. Na Argentina residem 500 mil uruguaios, a maioria dos quais seriam simpatizantes da Frente Ampla de Mujica.
Lacalle, na reta final, tentou ressaltar as incertezas geradas pela personalidade ambígua do rival ex-guerrilheiro e atual floricultor. Segundo ele, o Partido Nacional permitirá “previsibilidade”, enquanto que o esquerdista Mujica geraria um cenário no qual os próximos cinco anos seriam de “totais incertezas”.
Mujica rebate e indica, utilizando uma expressão tipica do interior do pais, que seu governo seguirá a mesma linha de moderação do presidente Vázquez: “será o mesmo cachorro com o mesmo colar...”.
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25.11.09

Lugo violou o voto de castidade da Igreja Católica. Mas, ao mesmo tempo seguiu ao pé da letra a recomendação do Sumo Pontífice de não usar preservativos. Lugo, em foto da Wikipedia (com casaco que recorda intensamente o clergyman, faixa presidencial e bastão)

O ex-monsenhor e atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo, teria uma suposta nova filha, segundo denúncias realizadas por sua própria sobrinha, Mirtha Maidana. O escândalo sobre a suposta existência de uma nova descendente do presidente paraguaio, nascida quando Lugo ainda era sacerdote da Igreja Católica, e portanto, teoricamente casto, está provocando novas turbulências políticas ontem em Assunção.
Nos últimos meses o presidente reconheceu a existência de um filho, Guillermo Armindo, e foi acusado de ser o pai de duas crianças adicionais.
Os assessores de Lugo negaram enfaticamente as declarações da sobrinha do presidente. Representantes dos partidos da oposição aproveitaram o novo escândalo – o quarto relativo à prole do ex-bispo – para especular com um eventual pedido de impeachment de Lugo.
O prolífico ex-clérigo, que dois anos atrás ainda exercia as funções de bispo, teria tido um affaire há mais de duas décadas com Teresita de María Rojas, atualmente com 55 anos. O fruto desse romance teria sido Fátima Rojas, de 22 anos.
SOBRINHA, A VERDADEIRA..E A SUPOSTA
Mirtha Maidana é a filha da poderosa Mercedes Lugo, irmã do presidente Lugo. Pela condição de solteiro de seu irmão presidente, Mercedes ocupou as funções de primeira-dama. Mas, sua sobrinha Mirtha afastou-se do tio em agosto passado, quando o presidente lamentou em público: “os parentes a gente não escolhe!”.
O novo imbroglio de Lugo é apimentado pelas denúncias complementares da imprensa em Assunção, que indicam que o hipotético genro de Lugo, Luis Paciello - sua suposta filha Fátima casou-se há uma semana - foi designado assessor da hidrelétrica de Yaciretá sem realizar concurso.
A celebração do casamento de Fátima foi definida pelos colunistas sociais como uma “festa de arromba”. Lugo participou do casamento como convidado especial.
Na ocasião, a oposição denunciou o luxo excessivo de um casamento de uma suposta sobrinha de Lugo. Mas, a verdadeira sobrinha Mirtha Maidana provocou o escândalo ao afirmar que não possuía uma hipotética prima, já que Fátima era, na realidade, filha do ex-padre.
Segundo Mirtha, quando Fátima era uma criança brincava com seus filhos. “Sempre houve uma relação muito familiar. A verdade é que era um ‘segredo conhecido’, não somente na família Lugo Méndez, mas também na família dessa jovem”. Mirtha indicou à imprensa paraguaia que a mãe de Fátima, Teresa, “sempre acompanhou” Lugo.
Depois, ironizou: “não sei se dá para acreditar em uma amizade assim entre um homem e uma mulher...”. De quebra, disparou críticas contra o tio: “ele deixou filhos por todos os lados...e não os reconheceu”.
Além disso, desafiou: “que ele faça um exame de DNA. Se não for filha dele, me apresento perante a Justiça para cumprir uma pena de difamação e calúnia”.
A semana está sendo turbulenta para Lugo, já que na terça-feira seus assessores também iniciaram os trâmites na Justiça para rejeitar a demanda sobre o terceiro suposto filho, Juan Pablo, de dois anos, filho de Hortensia Morán, de 40 anos. Morán quer que seu filho possa utilizar o sobrenome do presidente.
Além disso, Benigna Leguizamón, mãe de um menino de sete anos, suposto filho de Lugo e autora da segunda denúncia (Lugo somente reconheceu a criança da primeira denúncia, seu filho Guillermo Armindo) de paternidade do ex-bispo disse que ela também sabia que Fátima Rojas era filha de seu ex-amante.
LUGÔMETRO
O surgimento de uma eventual nova filha desatou em Assunção uma onda de piadas sobre a capacidade reprodutiva de Lugo. A denúncia sobre a suposta paternidade de Fátima também foi alvo de sarcasmos em outras capitais do Cone Sul, especialmente em Buenos Aires, onde o jornal “Perfil” criou meses atrás o “Lugômetro”, um indicador do surgimento de novos supostos filhos do ex-clérigo que transformou-se no chefe do Poder Executivo.
Na terça-feira o “Perfil” atualizou o “Lugômetro” com o surgimento de Fátima Rojas como a eventual primogênita do ex-monsenhor.

Link para o “Lugômetro”:
http://especiales.perfil.com/lugometro/
Mais espermatozóides indômitos:
EL TURCO E LA ANACONDA – Ou, as supostas vantagens políticas de um filho avantajado

Em junho de 2007 a imagem do ex-presidente Carlos Menem foi abalada quando a revista chilena “SPQ” publicou uma seqüência de fotos que mostravam a ex-miss Universo Cecilia Bolocco em relaxado topless ao lado de um empresário italiano – Luciano Maroccino - de ostensiva fama de playboy.
O problema era que a longilínea Bolocco, uma loira chilena de 41 anos na época, estava casada desde o ano 2000 com Menem, político que ao longo de sua carreira fez questão de alardear sobre sua “macheza”.
As fotos retratavam Boloco deitada em uma espreguiçadeira à beira de uma piscina em Miami ao lado de um italiano alto, de 52 anos (duas décadas mais novo que Menem), representante da Organização Miss Universo em Nova York.

Charge de Nik, no jornal 'La Nación', sobre a nudez de Bolocco...e sobre como Menem havia deixado os argentinos 'nus'.
Três anos após seu casamento com Mene, Bolocco deu à luz a Máximo Menem.
Do casamento com Zulema Yoma, sua primeira esposa, Menem teve dois filhos: Carlos Junior, falecido em um misterioso acidente em1995 e Zulemita, que nunca aceitou seu casamento com a ex-miss.
Em 2005, os sinais de desgaste do casal começaram a aparecer.
Na ocasião, Bolocco reclamou em público que Menem estava mais dedicado à política do que à sua esposa.
Menem - também indicava Bolocco - passava tempo demais jogando golfe (e não era metáfora...era golfe mesmo).
E 2006, Bolocco, durante uma programa de TV, aplicou uma cálida e prolongada “bicota” no galã espanhol Miguel Bosé. Nos seguintes meses apareceu em vários shows com vestidos decotados e transparentes.
Em junho, após a publicação de duas séries de fotos ardentes com o playboy italiano, Menem anunciou a separação da ex-miss.

Eunectes murinus, 'anaconda' para os amigos: o réptil tropical que inspirou apelido de membro viril de filho de Menem
LA ANACONDA
Enquanto Menem se separava, seu filho ilegítimo, Carlos Nair Meza - fruto de amores extramatrimoniais de “El Turco” ocorridos em 1981 - entrava no programa “Big Brother Famosos” (que reuniu uma série de “celebridades” de terceiro escalão). No início do programa o rapaz lamentava que seu pai não o reconhecia como filho.
A rejeição vinha de longa data. Em 1997 Menem, na época presidente, negou que o menino fosse seu filho, tal como havia publicado a revista “Notícias”.
Além disso, processou a revista por "calúnias", alegando que a história sobre seu suposto filho extra-matrimonial não passava de "mentira".
Em junho de 2007, o tímido Carlos Nair começava a ficar famoso graças ao Big Brother. Mas Menem, mais uma vez, negou sua paternidade perante a imprensa.
No entanto, a fama do rapaz cresceu em disparada quando uma colega da casa abaixou seus calções enquanto dormia, mostrando às câmaras uma colossal credencial de anatomia viril.
As dimensões de Carlos Nair desataram exaltadas exclamações de admiração das outras participantes, além de comentários de profunda inveja dos integrantes masculinos da casa do Big Brother.
A partir dali, Carlos Nair foi conhecido pelo apelido de “Anaconda” (em alusão à gigantesca cobra tropical).
Ao sair da casa de Big Brother, o jovem tornou-se assunto dos principais programas de TV e rádio. Carlos Nair passou a ocupar mais espaço na mídia que seu pai.
Imediatamente, Menem voltou atrás e começou a fazer alarde que o bem-dotado Carlos Nair era seu filho. Em entrevista ao canal “Telefé”, afirmou: “É meu filho, sim. É inegável. É meu retrato, mas sem cabelos brancos. Ele herdou muitas características minhas...”.
Dias depois, na reta final da campanha eleitoral (para a renovação do Parlamento, em outubro de 2007) em La Rioja, Menem convocou Carlos Nair para ajudá-lo na campanha.
Sua ajuda, apesar da bem-dotada fama, não foi suficiente para vencer nas urnas. Isto é, a genitália de grandes dimensões não se traduziu em votos.
Resultado: Menem sofreu a mais fragorosa derrota de sua longa carreira política.
“El Turco” ficou em terceiro lugar nas eleições realizadas ontem em sua província natal, La Rioja.
Menem somente conseguiu 22% dos votos na província que havia controlado com mão de ferro por três décadas.
O primeiro colocado, um aliado do então presidente Néstor Kirchner, foi Luis Beder Herrera, o atual governador, reeleito com 39% dos votos.
O segundo colocado foi Ricardo Quintela, com 25%, que também era um aliado de Kirchner.
Menem, ao ser informado da derrota, comentou carrancudo: “as urnas falaram. Nós, democratas, temos que saber ouvi-las”.
Horas antes, ele havia alardeado que ganharia “de goleada”.
Os analistas afirmam que essa eleição marcou o fim de uma era. Segundo eles, é irreversível o declínio político de Menem, caudilho que marcou a política argentina nos anos 80 e 90. Os analistas afirmam que Menem é atualmente um “fantasma” político.
Seu poder se reduz ao respaldo de um prefeito em sua própria província natal e três parlamentares. Um deles é um sobrino; a outra, uma deputada amiga. O terceiro é o próprio Menem, senador.

Menem: testosterona, danças e presidência
ASCENSÃO E QUEDA
Menem começou a carreira política nos anos 60. Em 1973 foi eleito governador. Em 1976 o golpe militar o cassou. Em 1983, com a volta da democracia foi eleito novamente governador. Seis anos depois, em 1989, chegava à presidência da República. Em 1994 alterou a Constituição, de forma a permitir a reeleição presidencial. Um ano depois, vencia novamente nas urnas.
Em 1999 tentou alterar novamente a Constituição, para permitir um terceiro mandato consecutivo.
No entanto, a opinião pública rejeitou essa possibilidade. Nesse ano deixou a presidência, envolvido em uma série de escândalos de corrupção.
Os dez anos e meio nos quais controlou a Argentina foram conhecidos como “Pizza com champanhe”. Ou seja, segundo a “menemóloga” Silvina Walger, "o brega tentando ser chique".
No ano 2001 foi preso durante cinco meses, acusado de contrabando internacional de armas.
No entanto, a Corte Suprema, onde tinha vários – e declarados amigos - o absolveu.
Em 2003 disputou as eleições presidenciais. Venceu o primeiro turno com 24% dos votos.
No entanto, desistiu da segunda fase quando soube que as pesquisas indicavam, se forma unânime, que seu rival, Néstor Kirchner, o derrotaria com mais de 70% dos votos no segundo turno.
A desistência de Menem desagradou vastas parcelas de seu eleitorado, que consideraram sua atitude uma “covardia”.
Desde 2003 Menem passou grande parte do tempo jogando golfe em La Rioja, enquanto sua esposa Cecilia Bolocco – chilena residente em Santiago do Chile, do outro lado da Cordilheira dos Andes - reclamava que seu marido lhe dedicava pouco tempo.
Em 2005 disputou a eleição para o Senado. Na ocasião, sua província lhe deu o primeiro sinal de ausência de poder.
Entre as duas vagas para senador, Menem conseguiu a segunda. O primeiro lugar foi arrebatado por um ex-discípulo, Angel Maza.
De lá para cá, os vestígios de poder de Menem terminaram de esfacelar-se.

Mais víboras do que anacondas
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22.11.09

A.Piazzolla e H.Ferrer, uma dupla de arromba que revolucionou o tango em música e verso (foto de 1970)
Na semana passada a “Balada para un loco” (Balada para um louco), a obra mais emblemática – talvez junto com “Adiós Nonino” – de Astor Piazzolla, completou 40 anos.
Esse tango piazzolliano – com versos do uruguaio Horacio Ferrer - foi imortalizado no dia 15 de novembro de 1969 no Luna Park, em pleno centro portenho, onde transcorria o encerramento do Festival Ibero-americano de Dança e Canção.
Piazzolla havia iniciado a parceria com Ferrer pouco trempo antes, quando o poeta havia renunciado a um posto que tinha na Universidade da República, em Montevidéu, Uruguai.
Pizzolla, ao ler seus poemas, lhe disse: “isso que você faz na poesia, eu faço com a música. Larga tudo e vem trabalhar comigo”.
A nova dupla começou a preparar a ópera-tango “María de Buenos Aires”. Mas, entre uma pausa e outra, foram assistir no cinema “Rei por inconveniência” (cujo título no original era o Le Roi de Coeur, o Rei de Corações), de 1966, do diretor Phillippe de Broca, que trata de um soldado britânico (interpretado pelo genial Alan Bates) que chega a um vilarejo francês após o final da Primeira Guerra Mundial. Ali só estão os loucos (que ficaram soltos quando o manicômio local foi destruído).
Ferrer, ao ver o filme, ficou fascinado: “o soldado viu que aqueles loucos tinham um enfoque da vida melhor do que o enfoque daqueles que viviam fora do manicômio”. Isso o inspirou para a figura do louco, protagonista da Balada.
Os dois amigos atarefaram-se na composição da obra, concluída no apartamento que Piazzolla tinha na avenida Libertador 1088, andar 14, apartamento C.
No dia “D” Ferrer levou a letra de Balada para un loco. Piazzolla, fascinado, tocou uma melodia. Parecia que estava em transe.
Mas Ferrer não gostou. “Não tinha o lado romântico e boêmio que a letra requeria”, explicou anos depois.
Piazzolla tentou uma segunda melodia.
Mas, desta vez, foi o próprio Piazzolla que não gostou daquilo que ele próprio havia composto. “Não, não...Puxa! Parece um tango plagiado de Mariano Mores (um tangueiro de fama nos an0os 40 e 50, na ativa até hoje em dia)".
Depois, na terceira tentativa, começou colocando alguns acordes de “Adiós Nonino”, e finalmente, com essa base, construiu “Balada para un loco”.
Ferrer começou a recitar seu poema.
Emocionado, quando Ferrer terminou de ler o poema e a melodia foi encerrada, Piazzolla disse com os olhos marejados: “Horácio, temos um míssil em nossas mãos!”.
Na noite do festival, Amelita Baltar, uma jovem cantora, preparava-se para entoar a canção. Mas, o público estava impaciente. “Vai lavar pratos!”, gritavam alguns espectadores, enquanto Amelita Baltar tremia nervosa, segundo confessou anos depois.
O impaciente público sequer ficou em silêncio quando a jovem cantora – que se tornaria em uma das várias esposas de Piozzolla – começou a pronunciar os primeiros versos do recitativo.
“Las tardecitas de Buenos Aires tienen esse que sé yo, viste? Salgo de casa por Arenales, lo de siempre en la calle y en mí, cuando de repente…”.
Quando terminou, foi ovacionada longamente. Mas, os fãs dos grupos musicais rivais jogaram moedas sobre o palco.
Naquela noite, Amelita estava tão nervosa enquanto cantava, com tal dificuldade para respirar, que, em um momento, respirou fundo (muito fundo)...e o vestido rasgou por trás.
Quando terminou, enquanto era aplaudida, teve que caminhar para trás, até sair do palco.
O festival premiaria naquele dia três categorias; música internacional, música tradicional e tango.
O júri composto por eminências internacionais da música da época. Vinícius de Moraes, a poetisa e cantora peruana Chabuca Granda e o argentino e tangueiro Armando Garrido eram alguns integrantes do tribunal que votou a favor de Piazzolla-Baltar-Ferrer.
Mas, o júri popular convocado pelos organizadores do festival optou pelo tango tradicional “Até o último trem”, de Julio Ahumada e Julio Camillioni.
A obra era interpretada pelo tangueiro com um impressionante registro de barítono, Jorge Sobral.
Aqui segue um link de um a gravação de 1971 com Sobral cantando “Hasta el último tren”:
http://www.todotango.com/spanish/las_obras/letra.aspx?idletra=1496
Este tango, no velho estilo dos tangos dos anos 40, foi o preferido do público, que colocou em segundo posto o vanguardista “Balada para un loco”, que continha uma letra surrealista.
O “Balada para un loco” não venceu o festival. Mas, na seguinte semana o disco com a canção foi lançado e vendeu 200 mil cópias. Imediatamente o cantor Roberto Goyeneche, encantado com a obra, também a gravou. E a partir dali, ficou famosa em todo o mundo.
O compacto de vinil que fez sucesso na semana seguinte ao festival. Do outro lado está o tango “Chiquilín de Bachín!”.
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=evvsXgEeRjA&feature=related

Décadas depois, Amelita Baltar, de novo, no Luna Park (sem a torcida rival gritando).
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=sLWbwNFZEas

Piazzolla morreu em 1992.
Horacio Ferrer mora no hotel Alvear e é presidente da Academia Nacional do Tango
Amelita Baltar apresenta-se com frequência na livraria Clásica y Moderna, na avenida Callao.
Os dois, juntos, no próximo domingo, dia 29 de novembro, se não ocorrerem mudanças de agenda, se apresentarão no Parque Centenário, em Buenos Aires, para celebrar as quatro décadas da “Balada para un loco”.

Letra de Balada para un Loco
(Recitativo)
Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese qué sé yo, ¿viste? Salís de tu casa, por Arenales. Lo de siempre: en la calle y en vos. . . Cuando, de repente, de atrás de un árbol, me aparezco yo. Mezcla rara de penúltimo linyera y de primer polizonte en el viaje a Venus: medio melón en la cabeza, las rayas de la camisa pintadas en la piel, dos medias suelas clavadas en los pies, y una banderita de taxi libre levantada en cada mano. ¡Te reís!... Pero sólo vos me ves: porque los maniquíes me guiñan; los semáforos me dan tres luces celestes, y las naranjas del frutero de la esquina me tiran azahares. ¡Vení!, que así, medio bailando y medio volando, me saco el melón para saludarte, te regalo una banderita, y te digo...
(Cantado)
Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao... No ves que va la luna rodando por Callao; que un corso de astronautas y niños, con un vals, me baila alrededor... ¡Bailá! ¡Vení! ¡Volá!
Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión; y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...el loco berretín que tengo para vos:
¡Loco! ¡Loco! ¡Loco! Cuando anochezca en tu porteña soledad, por la ribera de tu sábana vendré con un poema y un trombón a desvelarte el corazón.
¡Loco! ¡Loco! ¡Loco! Como un acróbata demente saltaré, sobre el abismo de tu escote hasta sentir que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!
(Recitativo)
Salgamos a volar, querida mía; subite a mi ilusión super-sport, y vamos a correr por las cornisas ¡con una golondrina en el motor!
De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!", los locos que inventaron el Amor; y un ángel y un soldado y una niña nos dan un valsecito bailador.
Nos sale a saludar la gente linda...
Y loco, pero tuyo, ¡qué sé yo!: provoco campanarios con la risa, y al fin, te miro, y canto a media voz:
(Cantado)
Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Trepate a esta ternura de locos que hay en mí, ponete esta peluca de alondras, ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!
Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Abrite los amores que vamos a intentar la mágica locura total de revivir...
¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!
(Gritado)
¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
Loca ella y loco yo...
¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!
¡Loca ella y loco yo

Ferrer, poeta, especialista em lunfardo
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
19.11.09
“Excelente goleiro!”, afirmam seus colegas e admiradores. “Mas, péssima e sórdida pessoa”, complementam.
O nome de Edgardo Norberto “El Gato” Andrada ficou imortalizado na História do futebol mundial por não ter conseguido pegar – por poucos centímetros - a bola que Pelé chutou na direção do lado esquerdo do arco do Vasco da Gama, às 23:11 horas do dia 19 de novembro de 1969, no mítico Maracanã. Naquele dia, há exatamente 40 anos, Andrada tornou-se - involuntariamente - o homem que levou o gol número 1.000 do emblemático jogador santista. Andrada, proveniente do time Rosario Central, era um argentino que havia debutado com brilho no Vasco, time no qual ficaria até 1976.
Mas, em vez de ostentar o prestígio de ter sido alvejado certeiramente por Pelé, a imagem de Andrada na Argentina foi manchada pelas acusações que o indicam como um ativo participante de “patotas” (grupos de jagunços) que realizavam sequestros de civis durante a última ditadura militar (1976-83).

Andrada era chamado de "El Gato", por seu jeito de "felino"
EL GATO
Andrada, que era apelidado de “El Gato” (O Gato), por suas feições angulosas e olhos levemente rasgados, além do ar “felino” que tinha ao movimentar-se, voltou em 1976 para a Argentina, ano em que dezenas de milhares de pessoas partiam para o exílio.
Naquele ano os militares dariam um golpe de Estado que implantaria a ditadura mais sangrenta da História da América do Sul, com um saldo de 30 mil civis torturados e assassinados. Em 1977 Andrada entrou para o clube Colón, na cidade de Santa Fe, onde ficou até 1979. Em 1982 integrou o time Renato Cesarini, na cidade de Rosario.
No início dos anos 80 Rosario, onde morava Andrada, era a segunda maior cidade do país. Rosario também era a área de atuação do general Leopoldo Fortunato Galtieri, que em 1982 daria um golpe dentro do golpe, tomaria o poder e invadiria as ilhas Malvinas, protagonizando uma catástrofe militar para o país.

Leopoldo Fortunato Galtieri, ditador com intenso approach pelo scotch, foi durante anos o senhor da vida e da morte na cidade de Rosario, onde atuava “El Gato” Andrada
ATIVIDADES NÃO-ESPORTIVAS
Diversas denúncias foram realizadas nos anos 90 sobre as controvertidas atividades não-esportivas de Andrada durante a Ditadura.
Mas, a principal delas, com luxo de detalhes, foi realizada no ano passado por um ex-torturador, Eduardo “Tucu” Constanzo, de 74 anos, que atualmente está sob prisão domiciliária em sua residência na cidade de Rosário, na província de Santa Fe.
Segundo Constanzo, Andrada fez parte de uma patota que sequestrava civis em Rosario. O ex-torturador, que foi agente da Inteligência do Exército, sustenta que o ex-goleiro esteve envolvido pelo menos no desaparecimento e assassinato de dois militantes do Partido Justicialista (Peronista), Osvaldo Cambiasso e Eduardo Pereira Rossi.
Cambiasso e Pereira Rossi foram sequestrados no dia 14 de maio de 1983 em um bar do centro da cidade, o “Magnum”, quando faltavam menos de sete meses para que o regime militar terminasse.
Na semana passada Constanzo reiterou perante a Justiça na cidade de Rosario as declarações que havia feito no ano passado.
Segundo ele, Andrada, junto com outro “patotero”, Sebastián “Filtro”, “sequestrou Pereira Rossi e Cambiasso. “Andrada foi pisando as cabeças dos dois, que apareceram fuzilados”, disse.
Os corpos de Cambiasso e Rossi apareceram dias depois do sequestro nos arredores da cidade de Zárate, no norte da província de Buenos Aires. Na época, a autópsia indicou que antes de serem baleados a queima-roupa, os dois homens haviam sido espancados, além de torturados com choques elétricos.
No entanto, o Ministério do Interior, no dia 17 de maio daquele ano anunciou que Pereira Rossi e Cambiasso haviam sido abatidos em um confronto com forças do Exército da Unidade Regional do Tigre, um município afastado do lugar onde os corpos foram encontrados, e a várias centenas de quilômetros do lugar de onde foram sequestrados na presença de várias testemunhas.
Constanzo, um dos poucos “arrependidos” da ditadura, afirmou que Andrada aposentou-se como “agente do serviço do Destacamento de Inteligência”.
No ano passado, Andrada negou as acusações em breves e irritadas declarações à imprensa: “isso não tem nem pé nem cabeça”. Além disso, afirmou que "Constanzo está delirando". Andrada admitiu que integrava o Exército, mas nega dar explicações sobre suas funções específicas nessa força.
No entanto, documentos das investigações que a Justiça argentina realiza sobre as torturas em Campo de Mayo - o segundo maior centro clandestino de detenção e torturas da Ditadura – Andrada foi “agente secreto C-3 do Destacamento de Inteligência” de Rosario, e consequentemente, do Serviço de Inteligência do Exército.
Fontes judiciárias confirmaram que as investigações sobre Andrada – atualmente com 70 anos - estão em andamento nos tribunais comandados pelo juiz Carlos Villafuerte Ruzzo.

Restos de desaparecidos da Ditadura localizados pela Equipe Argentina de Antropologia
DADOS SOBRE A DITADURA
- Durante a Ditadura, militares e policiais argentinos assassinaram ao redor de 30 mil civis (segundo organismos de defesa dos Direitos Humanos argentinos e organizações internacionais), a maioria dos quais sem militância na guerrilha. Crianças e idosos também foram assassinados.
- Durante a Ditadura 500 bebês foram sequestrados, filhos das desaparecidas (segundo dados das Avós da Praça de Mayo)
99 crianças desaparecidas foram recuperadas ou identificadas por suas famílias biológicas
- Os militares afirmam que assassinaram “somente” 8 mil civis (segundo declarações do próprio general e ex-ditador Reynaldo Bignone, à TV francesa, na virada do século)
- Segundo militares, em um relatório do Exército em 1983, a guerrilha e grupos terroristas assassinaram 900 pessoas, a maioria dos quais militares e policiais.
Os dados a seguir já haviam sido publicados em uma postagem em março, mas sempre são úteis para ilustrar o desempenho da Ditadura:
MODALIDADES DE ASSASSINATOS
Formas de assassinar civis, por parte dos militares, durante a Ditadura:
- Jogar pessoas vivas, desde aviões, sobre o rio da Prata ou o Oceano Atlântico.
- Juntar prisioneiros, amarrados, e dinamitá-los.
- Fuzilamento.
- Morte por terríveis torturas
MODALIDADES DE TORTURAS
- Picana elétrica: criada nos anos 30 na Argentina por Leopoldo Marechal Hijo, filho do escritor Leopoldo Marechal. Era o instrumento para assustar o gado com choques elétricos. Aplicado a seres humanos, tornou-se no instrumento preferido de tortura na Argentina.
- Submarino molhado: afundar a cabeça de uma pessoa em uma tina d’água. Ocasionalmente a tina também estava cheia de excrementos humanos.
- Submarino seco: colocar a cabeça de uma pessoa dentro de um saco de plástico e esperar que ela ficasse quase asfixiada.
- O rato no cólon: colocação de um rato, faminto, no cólon de um homem. Nas mulheres, o rato era colocado na vagina.
Diversas testemunhas indicam que os torturadores argentinos ouviam marchas militares do Terceiro Reich e discursos de Adolf Hitler enquanto torturavam.
GUERRA CIVIL OU GUERRILHA LOCALIZADA?
Os militares deram o golpe e instauraram a ditadura mais sanguinária da História da América do Sul (América do Sul, não América Latina) com o argumento (um dos vários) de que a guerrilha controlava grande parte do país.
Delírio. A pequena guerrilha argentina, mais especificamente o ERP, dominava às duras penas uma pequena porcentagem da província de Tucumán, a menor província da Argentina.
A magnificação da guerrilha foi útil para os militares e também para o prestígio dos guerrilheiros. A nenhum dos dois lados era conveniente admitir a realidade, de que a área controlada pela guerrilha era ínfima.
Os militares e os setores civis que apoiaram o golpe (e os saudosistas daqueles tempos) afirmavam (e ainda afirmam) que o país estava em guerra civil nos nos 70.
Mas, “guerra civil”, rigorosamente, seriam conflitos de proporções mais substanciais, tais como a Guerra da Secessão dos EUA, a Guerra Civil Espanhola, a Guerra Civil Russa logo após a proclamação do Estado Soviético, a Guerra das Duas Rosas (Lancasters versus Yorks, na Inglaterra) ou a Guerra Civil da Grécia após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Ainda: a Guerra Civil da Nicarágua, e a de El Salvador. Isto é: bombardeios de cidades, grandes êxodos de refugiados, centenas de milhares de mortos, uma boa parte de um país controlado por um dos lados, e outra parte controlada por outro lado. Isso não ocorreu na Argentina nos anos 70.
FRACASSOS ECONÔMICOS E MILITARES – Além de ter sido a mais sanguinária Ditadura foi um fracasso tanto na área militar como na esfera econômica.
Fiascos Militares:
- Entre 1976 e 1978 a Ditadura colocou quase a totalidade das Forças Armadas para perseguir uma guerrilha que já estava praticamente desmantelada desde antes do golpe, em 1975. Analistas militares destacam que este desvio das Forças Armadas argentinas (que havia iniciado no final dos anos 60 mas intensificou-se a partir do golpe) reduziu drásticamente o profissionalismo dos militares.
- Em 1978, a Junta Militar argentina levou o país a uma escalada armamentista contra o Chile. Em dezembro daquele ano, a invasão argentina do território chileno foi detida graças à intermediação papal. O custo da corrida armamentista colocou o país em graves problemas financeiros.
- Em 1982, perante uma crise social, perda de sustentabilidade política e problemas econômicos, o então ditador Leopoldo Fortunato Galtieri – famoso por seu intenso approach ao scotch - decidiu invadir as ilhas Malvinas para distrair a atenção da população. Resultado: após um breve período de combate, os oficiais do ditador renderam-se às tropas britânicas.
Desastres econômicos:
- Em sete anos de Ditadura, a dívida externa subiu de US$ 8 bilhões para US$ 45 bilhões.
- A inflação do governo civil derrubado pela Ditadura, que era considerada um índice “absurdo alto” pelos militares havia sido de 182% anual. Mas, este índice foi superado pela política econômica caótica da Ditadura, que encerrou sua administração com 343% anual.
- A pobreza disparou de 5% da população argentina para 28%
- A participação da indústria no PIB caiu de 37,5% para 25%, o que equivaleu a um retrocesso dos níveis dos anos 60.
- Além disso, a Ditadura criou uma ciranda financeira, conhecida como “la plata dulce”, ou, “o doce dinheiro”.
- Ao mesmo tempo em que tomavam medidas neoliberais, como a abertura irrestrita das importações, os militares continuavam mantendo imensas estruturas nas empresas estatais, que transformaram-se em cabides de emprego de generais, coronéis e seus parentes.
- Os militares também estatizaram US$ 15 bilhões de dívidas das principais empresas privadas do país (além das filiais argentinas de empresas estrangeiras).
- No meio desse caos econômico, os militares provocaram um déficit fiscal de 15% do PIB.
- A repressão provocou um êxodo de centenas de milhares de profissionais do país. Os militares, em cargos burocráticos, exacerbaram a corrupção na máquina estatal.
MILITARES E ESPORTE -
Apesar das denúncias de graves violações aos Direitos Humanos a FIFA não cancelou a realização da Copa de 1978. Para a Ditadura, a vitória nesse evento esportivo foi um trunfo político, que lhe garantiu alta popularidade. Os argentinos exilados discutiam no exterior se deveriam torcer a favor ou contra a seleção. Alguns argumentavam que a vitória na Copa não favoreceria a Ditadura, e que esporte e política nunca se misturam. Outros destacavam que esporte e política misturam-se, e muito.
NEGOCIATAS DE 1978 –
O Orçamento inicial da Copa de 1978 era de US$ 70 milhões. Custo final da Copa: US$ 700 milhões (o valor supera amplamente o custo da Copa realizada na Espanha, em 1982, que foi de US$ 520 milhões).
Na política externa a Ditadura também mostrou um comportamento peculiar:
- Acreditou que os EUA ficariam de seu lado na Guerra das Malvinas, já que a Ditadura havia sido um bastião anticomunista na América do Sul e até havia colaborado na guerrilha dos ‘contras’ na América Central.
Os militares argentinos não levaram em conta que pesaria mais a velha aliança EUA-Grã Bretanha por motivos históricos e pela participação na OTAN.
- A Ditadura tinha um discurso anticomunista mas continuou vendendo trigo para a URSS e não aderiu ao boicote americano contra as Olimpíadas de Moscou em 1980.
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
17.11.09
O “povo” brasileiro é o ponto mais positivo que o Brasil possui, segundo 40% dos argentinos. Isso é o que demonstra uma pesquisa apresentada pelo Ministério do Turismo do Brasil, realizada pela Embratur e o Instituto Zaytec, que sustenta que após o povo, o fator mais positivo, na opinião dos turistas argentinos, são as praias (segundo 28%) e o “sol e o clima tropical” (na opinião de 14% dos pesquisados).
A pesquisa também indica que as praias são o principal motivo para escolher o território brasileiro para turismo, segundo 54%.
“Praias” também é a primeira palavra que aparece na mente de um turista argentino quando pensa no Brasil. Pelo menos essa é a tendência de 36% dos entrevistados. Em segundo lugar os argentinos tendem a pensar no povo (“26%) e nas festas, diversão e alegria (22%).
A pesquisa indica que 68% dos turistas argentinos gostaria de retornar ao Brasil em 2014, ano da Copa do Mundo.
O ministro do Turismo do Brasil, Luiz Barreto, durante sua visita à Buenos Aires para participar da Feira Internacional do Turismo, disse neste fim de semana em entrevista ao Estado que em 2008 um milhão de turistas argentinos foram ao Brasil.
Isso indica que 25% dos 4 milhões de argentinos que viajaram ao exterior no ano passado escolheram o Brasil como destino.
Na contra-mão, 600 mil brasileiros visitaram a Argentina no ano passado, um dos volumes mais altos da História.
A estimativa de 2009 é que ambos números apresentem queda por causa da crise econômica (que reduziu o fluxo de argentinos ao Brasil e dos temores dos turistas ao contágio da gripe suína (que afetou o turismo brasileiro na Argentina de forma intensa entre fins de maio de início de agosto). Mas, segundo Barreto, o fluxo se recuperará em 2010.
Segundo o ministro, os argentinos são turistas “fiéis” ao Brasil, já que segundo a pesquisa, 55% já estiveram pelo menos três vezes no país.
Além disso, quase 90% dos turistas argentinos que passaram alguma vez pelo Brasil recomendam o país a seus amigos, conhecidos e parentes.
“Evidentemente, queremos que os argentinos também diversifiquem os pontos turísticos, e que viagem mais além do sul do Brasil e o Rio de Janeiro e também possam conhecer as praias do Nordeste”, afirmou Barreto.
Além disso, indicou que a ideia é estimular os argentinos para que conheçam cidades históricas mineiras e o pantanal, entre outros destinos.

PRAIA, SELVA E EXCELENTES PRODUTOS
O Brasil para os argentinos, ainda é primordialmente um país de praias. Segundo a pesquisa, a tendência é que 45% dos turistas argentinos associem o país às praias, proporção amplamente superior à da média dos visitantes estrangeiros no Brasil, que é de 28%.
Mas, o resto do mundo pensa mais nas matas amazônicas ou na floresta atlântica do que os argentinos. Enquanto que a proporção de europeus, americanos e visitantes de outros lugares que pensam na selva é de 18%, entre os argentinos cai para 11%.
A pesquisa também indicou que ao pensar no Brasil, os argentinos tendem a associar o país com a cidade do Rio de Janeiro (45%). São Paulo é a segunda colocada (19%). Salvador é a terceira, com apenas 5%.
Na hora de consumir produtos brasileiros durante sua viagem, os turistas argentinos estão plenamente satisfeitos. Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados consideram que os produtos são de “alta” qualidade. Outros 13% afirmam que a qualidade é “muito alta”, enquanto que 21% a consideram “média”. Apenas 1% indicam que a qualidade é “baixa”.
Entre os fatores mais negativos do Brasil está “a falta de segurança”, de acordo com 20% dos entrevistados. Outros 15% consideram que o ponto mais negativo são “a pobreza e as favelas”. Mas, 19% dos turistas argentinos que visitam o Brasil afirmam que o país “não possui ponto negativo algum”.
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CELEBRIDADES
A pesquisa também indica que 33% dos argentinos, ao pensar no Brasil, costumam associar o país ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segundo colocado é Pelé, com 17%. Em terceiro lugar está Ronaldo, com 9%.

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14.11.09

“Amor vincet omnia”. Ou, na língua de Júlio César, “O amor conquista tudo”. Título da obra de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 - 1610), que exibe um Cupido com ar triunfador.
A obra foi pintada para o marquês Vincenzo Giustiniani entre 1602 e 1603. Está no Staatliche Museen, Berlim.
“Os declaro marido...e marido”. A frase poderá ser formalmente ouvida por Alex Freyre e José María Di Bello nos próximos dias, quando poderão casar-se, formalmente, no Registro Civil de Buenos Aires.
A autorização para este casamento entre dois homens foi assinada pela juíza Gabriela Seijas, que considerou que são inconstitucionais os artigos 172 do Código Civil argentino – que estabelece que é necessário o consentimento de “um homem e uma mulher” – e o 188, que determina a fórmula “os declaro marido e mulher”.
Segundo a juíza, “a lei deve tratar cada pessoa com igual respeito em função de suas singularidades, sem necessidade de entendê-las ou regulá-las”.
Desta forma, Alex, de 39 anos, e José María, de 41, anunciaram ontem (sexta-feira) que estão “orgulhosos” e “felizes”. Eles também afirmaram que serão o primeiro casal de homens que poderão casar-se oficialmente na História da América Latina. A medida cria precedentes para o fim do impedimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo dentro da cidade de Buenos Aires.
Até o momento, a cidade de Buenos Aires autorizava a união civil de duas pessoas do mesmo sexo. A mesma norma está em funcionamento há meses no Uruguai. Mas, a união civil deixa de lado vários direitos de um casamento formal, entre eles, a adoção de crianças. A partir do casamento, Alex e José María poderão adotar, se desejarem.
O CASAMENTO, O PREFEITO E O YOUTUBE
Maurício Macri, prefeito de Buenos Aires, do partido de centro-direita Proposta Republicana, anunciou que não impedirá o casamento, já que considera que está “a favor da liberdade e o direito das pessoas de serem felizes de acordo com suas próprias decisões”.
Macri surpreendeu ao deixar de lado suas posições costumeiramente conservadoras ao admitir que a aceitação do casamento homossexual “é uma tendência em todo o mundo”.
Para mostrar sua modernidade, o prefeito fez o anúncio em um vídeo institucional que colocou no site Youtube. “Espero que sejam felizes”, expressou Macri.
O link do Youtube, com a mensagem de Macri:
http://www.youtube.com/watch?v=T7fp0ecfQ3s&feature=player_embedded
Diversas pesquisas nos últimos meses indicaram que 60% dos portenhos não colocam impedimentos para a legalização do casamento entre homossexuais.
PARLAMENTO E IGREJA
A comunidade gay em Buenos Aires espera que a decisão da juíza Seijas sirva de “empurrão” para o debate do projeto de lei que está em andamento no Congresso Nacional que inclui no Código Civil o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O projeto também prevê a modificação de artigos que atualmente impedem que gays, lésbicas, bissexuais e transexuais tenham os mesmos direitos nas relações de família que um heterossexual. A proposta é a de – basicamente – substituir a expressão “homem e mulher” por “contraintes”.
Com essa modificação as pessoas do mesmo sexo que casarem terão direitos a pensões, planos de saúde conjuntos, além das heranças. No caso de filhos adotados, em caso de separação dos pais, ambos terão direitos e obrigações sobre os menores.
No entanto, o tratamento deste projeto foi criticado pela cúpula da Igreja Católica argentina. A comissão executiva do Episcopado afirmou que sua definição de “casamento” é a de “uma relação estável entre homem e mulher, que em sua diversidade de complementam para a transmissão e o cuidado da vida”. Desde que a Igreja emitiu sua posição, o tratamento do projeto de lei ficou paralisado.

Com satírico humor, portenhos indicam que o Obelisco de Buenos Aires, em pleno centro da capital, é uma exaltação fálica de 67 metros de altura. Na foto, propriamente equipado com um preservativo para o dia mundial de luta contra a Aids, em 2005.
BOOM DO 'PINK MONEY'
Desde a crise financeira de 2001-2002 – a pior da História do país - a capital argentina deixou de lado o machismo imortalizado nas letras do tango e transformou-se na "Meca" do turismo gay na América Latina.
Nos últimos anos a cidade ficou repleta de bares, restaurantes, hostals, boutiques e discotecas gays.
Os especialistas sustentam que Buenos Aires tornou-se atraente graças à desvalorização da moeda (ocorrida em 2002) e o glamour que a cidade ostenta, proporcionado pela arquitetura europeia do início do século XX, quando a capital argentina – apelidada de "Paris da América do Sul" - era uma das mais elegantes do planeta. O especialista em turismo gay, Alfredo Cañete, diretor da Buegay, acrescenta em inglês o motivo da atração gerada por Buenos Aires: "italian looking cute guys" (garotos bonitos com aspectos de italianos).
Além disso, Buenos Aires é a cidade onde viveu e morreu Evita Perón, ícone do mundo gay – para profunda irritação do Peronismo ortodoxo - tal como Marilyn Monroe e Maddona.
O espírito "gay-friendly" ficou evidente há quatro anos, quando as autoridades municipais aprovaram a união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Estimativas indicam que do total de 36 milhões de argentinos, 2 milhões são gays e lésbicas.
Por toda a cidade - principalmente nos bairros de San Telmo, Recoleta e Palermo – espalham-se uma dezena de "hostals" e 50 bares e restaurantes gay-friendlies, uma Wine Store, além de cursos de tango para homossexuais.
Há dois anos a cidade foi a sede da Copa do Mundo de Futebol Gay (a Argentina foi a campeã graças ao gol de seu atacante principal, um brasileiro residente no país).
Buenos Aires também conta com o Queer Tango Festival, um evento anual que cada vez arrepia menos os tangueiros ortodoxos. Ao longo do ano, o público gay também pode desfrutar do tango em duas tanguerías especializadas para esse público, além de dezenas de cursos especializados nesse tipo de dança.
Os comércios portenhos celebram a afluência do denominado "pink money", já que os turistas gays estrangeiros gastam 25% a mais do que os turistas heterossexuais que passeiam por Buenos Aires.
No início desta década a maior parte da clientela gay estrangeira que visitava Buenos Aires era composta por jovens homossexuais europeus e americanos. Mas, nos últimos anos começaram a desembarcar ostensivos contingentes de brasileiros, colombianos e mexicanos.
Buenos Aires também tornou-se um ponto de atração para gays a ponto de aposentar-se nos EUA e Europa, que mudam-se para a capital argentina. Na cidade, suas aposentadorias rendem mais do que nos países de origem. Além disso, encontram imóveis baratos para instalar-se.
Os gays portenhos, com seu satírico humor, indicam que a cidade sempre fora gay-friendly, mas ninguém havia percebido: "temos um monumento, o Obelisco, que é uma exaltação fálica de 67 metros de altura...e além disso, é só ver que o palácio presidencial é a Casa Rosada!".

CULTURA AFRO-ARGENTINA
Caras e caros, aqui segue o programa das jornadas culturais “A Argentina também é afro”, organizadas pelo Instituto Nacional contra a Discriminação, o Racismo e a Xenofobia (Inadi).
Segundo o Inadi, as jornadas tem como objetivo somar o processo de “visibilização” da comunidade afro da Argentina - formada por descendentes de escravos dos tempos da colônia - com uma significativa imigração das ilhas de Cabo Verde na segunda metade do século XX.
O Inadi argumenta que a Argentina, às portas do bicentenário da Revolução de Maio de 1810 (que levaria à declaração da independência em 1816), “precisa saldar uma dívida histórica...e também uma dívida atual”.

III jornadas culturales
Argentina También es Afro
del 9 al 15 de noviembre de 2009
PROGRAMA
Del 9 de noviembre al 21 de Diciembre - Muestra de la artista plástica Gabriela Perez “Identidades afroargentinas” arte afroargentina en la Embajada de Brasil. Lugar: Foyer de la Embajada de Brasil, Cerrito 1350 Ciudad Autónoma de Buenos Aires
Sábado 14 de noviembre - 15 hs. Afro Reggae: taller gratuito de percusión y charla sobre trabajo social con cultura afro en barrios suburbanos de Río de Janeiro (se pide llevar instrumento, cupo limitado - inscripción avisos@revistaquilombo.com.ar) / 17 hs. Historia de la invisibilización afro en las puertas del Bicentenario / 18 hs. “Visibles”, proyección de imágenes sobre la historia de los afrodescendientes. Lugar: Casa de la música, México 564 Ciudad Autónoma de Buenos Aires
Domingo 15 de noviembre - 14.30 hs. Ceremonia de tambores: desde 9 de Julio y Av. de Mayo, llegando a Plaza de Mayo, desfilan: Ala afroargentina: La Chilinga, Ala afrobrasilera: Me leva que eu vou, Ala afroboliviana: Caporales, Ala murgas: Pasión Quemera e Inevitables de Flores, Ala afrouruguaya: La Candela de San Telmo, Ala africana: Tambores de Senegal, Ala afroperuana: Estampas Peruanas y Ala religión: Mayoral (música y danza de orixás) / 18 hs. Plaza de Mayo presentación de escenario de los grupos: Ariel Prat y Afro Reggae.

E de brinde, para este fim de semana...
Como subir uma escada? Ahá! Don Julio Cortázar (1914-84)explica:
http://blogs.lanacion.com.ar/amiano/varios/cortazar-lee-mas-sobre-escaleras/
E uma pérola: um dueto entre Astor Piazzolla e Aníbal Troilo:
http://www.youtube.com/watch?v=pPHflQeHCyg&NR=1&feature=fvwp
Bom fim de semana a todos!!!
Abraços,
Ariel
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Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
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12.11.09

Em fevereiro de 1999 a cidade de Buenos Aires, assolada por uma onda de calor, ficou repentinamente sem energia elétrica. O apagão afetou quase metade da capital argentina. Um milhão e meio de pessoas, em dezessete bairros portenhos, foram atingidas pelo blecaute. Os bairros que tiveram mais sorte padeceram a falta de energia durante três dias. Mas, diversas áreas da cidade, entre elas os bairros de Caballito, Boedo e Flores, ficaram 11 dias sem eletricidade.
O apagão deixou fora de funcionamento 200 dos 240 sinais de trânsito do centro da cidade. Isso causou diversos acidentes de trânsito, nos quais morreram dez pessoas.
Por falta de energia, as bombas dos prédios não funcionaram, fato que causou a falta do abastecimento de água.
O Exército teve que distribuir três milhões de litros de água. No entanto, a medida foi insuficiente. Por esse motivo, milhares de pessoas tiveram que emigrar para a casa de parentes e amigos no setor da cidade que ainda possuía luz.
Mais de 300 pessoas foram internadas nos hospitais (que funcionavam às duras penas com geradores) por causa de problemas de saúde causados pelo blecaute.
A falta de luz foi causada por um incêndio em uma sub-estação de distribuição de energia elétrica da empresa Edesur, que havia sido inaugurada um ano antes como “exemplo de alta tecnologia”.
Mas, entre diversos problemas, as investigações indicaram que diversos cabos de alta tensão - que haviam sido instalados como “novos” - tinham mais de 20 anos de uso.
Com o passar dos dias, sem soluções à vista, milhares de moradores dos bairros afetados concentraram-se nos cruzamentos de avenidas mais importantes para protestar.
Desta forma, surgiram – pela primeira vez na capital argentina – os piquetes nas ruas como modus operandi de protesto.
Os moradores, para exibir sua indignação – e iluminar as esquinas à noite - acenderam fogueiras nos cruzamentos.
As estimativas indicaram que os prejuízos para a população e comerciantes alcançaram US$ 1,5 bilhão.
A responsável pelo apagão foi a empresa de distribuição de energia Edesur, que na época era composta por capital chileno e espanhol. A Edesur desembarcou no país em 1992, quando a antiga empresa estatal de eletricidade, Segba, foi privatizada. O tempo da concessão da Edesur havia sido o maior já concedido para uma empresa na Argentina: 99 anos.

INTERMEZZO MUSICAL-BLACKOUT
Um tango para um “apagón” - “A media luz” (Na penumbra), dos uruguaios Carlos Lenzi e Edgardo Donato, imortalizado por Carlos Gardel.
O link:
http://www.youtube.com/watch?v=TwEAF3clZys
E este outro, com Libertad Lamarque, filmado no México...
http://www.youtube.com/watch?v=VIic8BQlZAc&feature=related
O blecaute abriu um nicho de mercado para dezenas de advogados, que – sem perder tempo - anunciaram nos jornais que eram especialistas no processos para exigir indenizações por parte das empresas de serviços públicos.
Os vendedores de velas e lanternas também lucraram com o corte, além dos comerciantes de geradores portáteis de eletricidade.
Na área da alimentação, dezenas de milhares de pessoas tiveram que fechar seus comércios, já que suas geladeiras não funcionavam para guardar a comida. Os escritórios fecharam porque seus computadores estavam inutilizados.
Na época entrevistei Carla Rodríguez, dona de uma sorveteria no bairro de Boedo, viu seus sorvetes virarem água pelo calor: perdeu US$ 30 mil só em mercadoria. “Além disso, perdi o lucro que teria tido com os clientes”.
José Echavarri, açougueiro, brandia com raiva seu facão de esquartejar suculentas vacas argentinas: “perdi 400 quilos de carne que estragou. Se visse um funcionário da companhia elétrica por aqui, ele sairia sem os testículos”. Echavarri pára, pensa um pouco, e acrescenta : “e também cortava a cabeça do desgraçado”.
O ácido humor portenho encarregou-se de configurar os mais variados protestos: o trânsito da avenida Rivadavia, que corta a cidade entre a zona sul e norte, foi cortado por uma surpreendente barricada de geladeiras, micro-ondas, televisores e ferros de passar roupa. Todos eles aparelhos eram eletrodomésticos que estavam sem utilizar.
Além dos protestos, os “sem-luz” de Buenos Aires também tentaram espairecer, e improvisaram dois times de futebol: o “Cabos Descascados” e o “Curto-circuito”. Por dois a zero, venceu o “Cabos Descascados”. O prêmio: um pacote de velas para cada jogador.
Para o happy hour desta 6afeira, “Decarísimo”, de Astor Piazzolla:
http://www.youtube.com/watch?v=aQitw1eG0fg&feature=related

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Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
10.11.09

O compadrito e seu punhal multiuso para as horas de tédio
“Dos hombres llegan / son dos rivales / en el duelo criollo / resolverán / que el brazo diga / quién tiene más derecho / a disfrutar los besos / de la mujer fatal”.
O poema, de Martinelli Mazza, ilustra o “compadrito”: um homem disposto a matar outro homem pelo amor de uma mulher. E muitas vezes, apenas pelo prazer de matar, de ver o sangue correr, de ter uma épica pessoal para contar na hora de beber o aguardente no bar com amigos e desconhecidos.
Como no caso do “majo” espanhol, morrer, para o “compadrito”, não era um drama. Os estudiosos indicam que, para saciar o acentuado gosto pela morte, tanto fazia ser a causa do óbito ou seu objeto.
“Compadrito” é um diminutivo pejorativo de “compadre”, palavra usada na Espanha e na Argentina para designar um tipo de homem semi-urbano. Na Argentina do século XIX, as pessoas eram designadas em duas modalidades: o homem urbano e o “gaucho” (o homem do campo livre ou peão que trabalhava nas planícies do Pampa).

Compadritos, em charge de Eduardo Linage
O “compadrito” não era nenhum dos dois. Vivia de biscates na periferia das cidades, sem ousar entrar nas mesmas, nem pensar voltar ao campo. Trabalhava ocasionalmente como vaqueiro levando o gado ao porto ou carneando as reses.
Nas horas livres – que eram muitas – o compadrito dedicava-se ao jogo, tocar o violão, além de cuspir entre os dentes com inigualável destreza. Na hora da conversa, “compadreava”. Ou seja, fanfarronava. O costume de lavar a honra com profusão de sangue alheia teve no compadrito o último representante desse modus operandi de resolver problemas em solo argentino.
O compadrito seria a temática principal dos tangos das primeiras décadas, com letras que relatavam os duelos e seu comportamento briguento e passional. Mas antes de ser assunto de letras de tangos o compadrito mudou a forma de tocar e dançar esse gênero.
Tanto o compadrito como o descendente de escravos eram párias da sociedade. Os afro-portenhos tinham seu lugar de divertimento, os “tambos”. Os compadritos, nada. Portanto, começaram a frequentar o lugar de batuque dos afro-argentinos da cidade.
Dali, levaram o ritmo dos tambores a seu bairro, o “Corrales Viejos”, onde estavam os currais do gado. Hoje, ali está o bairro de “Parque de los Patrícios”, ou simplesmente, “Parque Patrícios”.

Os “corrales viejos”
Em seus lugares de festa, os compadritos acrescentaram o violão ao batuque. Os tambores foram eliminados rapidamente. Mas a herança negra ficou através dos trejeitos e do compasso na hora de dançar.
Antes de entrar em contato com os afro-portenhos, o compadrito dançava a milonga, a polca, a mazurca e a quadrilha. Depois, continuou dançando os mesmos gêneros. Mas a forma de dançar mudou. O compadrito as havia “africanizado”.

Compadrito deu seu toque pessoal ao protótipo do tango
Para um dos maiores “tangólogos” da Argentina, José Gobello, o tango não seria uma nova dança (em sua origem), mas uma nova forma de dançar aquilo que já se dançava na época.
A nova forma era gozadora, irreverente, descontraída. Mas, ao contrários dos afro-portenhos, o compadrito dançava colado à sua parceira. O animado jeito africano cedeu terreno à uma elegância hispana.
O principal lugar de dança dos compadritos eram as “academias”, cafés misto de bordéis. Além destes lugares onde consumia-se mulheres e bebidas, estavam os “peringundines”, lugares exclusivos para a prática do sexo pago. Tanto nas academias como nos peringundines dançava-se o tango, dança excessivamente lasciva para os padrões da época. Mulheres “decentes” não o dançariam. As únicas que aceitavam fazê-lo eram as prostitutas.

Prostitutas no cabaret Armenoville
O tango, dançado por elas – afirmava o escritor espanhol Rafael Salillas em 1898 – “é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico...sua representação é um simulacro erótico”. Depois de explicar detalhadamente os movimentos do ventre e o “jogo de quadril”, faz um esclarecimento: “dança-se entre casais, mas sem cópula”.
O tom sexual da dança era tão acentuado que tornava-se praticamente impossível encontrar mulheres disponíveis para o tango. Mas, a vontade de dançar do compadrito era frequentemente impossível de deter. Por este motivo, sem grau algum de misoginia, para matar a vontade, dançava com um colega homem, em via pública, diante de todos.
Alguns analistas do tango consideram que isso indicaria uma raiz “gay” nesse gênero de dança. No entanto, a maioria sustenta que dançar com outro homem é coisa costumeira em diversas danças em todo o mundo.
Os compadritos, no entanto, não deram o formato final do tango. Para chegar lá, o tango passou antes pelas mãos dos imigrantes italianos, que ao chegar em massa na década de 1880, acrescentaram a flauta, o bandolim e o realejo, como instrumentos. Além disso, muitas prostitutas italianas – que vinham fazer a América - “amaciaram” a forma excessivamente lasciva de dançar o tango.
A italianização do tango começou nos cabarés da avenida Corrientes, na esquina da calle Uruguai. Mas estes “antros” tiveram vida curta, e por causa das pressões da polícia precisaram emigrar para áreas mais afastadas do centro. Nos novos estabelecimentos, o tango recebeu uma nova guinada, com a chegada dos “cajetillas”.
“Bailarín y compadrito”, um tango de 1929 que refere-se ao compadrito tardio, já do século XX.
O link:
http://www.todotango.com/spanish/las_obras/letra.aspx?idletra=633

NADA A VER
Nada a ver com o tango e os compadritos, mas tem tudo com o Rio da Prata, em cujas margens surgiu o tango...
Nova York arrasada por ETs?
Los Angeles pulverizada por alienígenas?
Não! Alvo da fúria extraterrestre é a plácida Montevidéu.
Os mal-educados visitantes do espaço sideral destroem a Torre da Antel (a estatal companhia telefônica, arrasam o Parlamento, avançam pela avenida 18 de Julio, eliminam a cúpula do palácio Salvo, e esbarram no elegante hotel Radisson, entre outras áreas emblemáticas da capital uruguaia.
Tudo isso no link de um curta produzido na capital uruguaia, com muita criatividade e pouco dinheiro - apenas 300 dólares - por Federico Álvarez:
http://www.rollingstone.com.ar/weblogs/mixedmedia/nota.asp?nota_id=1197378&pid=7672348&toi=6313
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05.11.09

A herança afro no tango argentino fica evidente pela sensualidade dos passos desta forma de “caminhar pela vida”
Um relatório elaborado por Cynthia Quiroga, psicóloga colombiana (o cantor Carlos Gardel morreu em 1935 na colombiana Medellín), integrante da Universidade de Frankfurt (Alemanha, terra onde foi inventado o bandonenón) afirma que o tango eleva o desejo sexual.
A Universidade recomenda o tango para casais com problemas de baixa testosterona
Sexo à parte, o tango - ritmo musical do rio da Prata (pois é praticado em ambas margens, a uruguaia e a argentina) - foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, no mês passado.
“O tango é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico...sua representação é um simulacro erótico”. (do escritor espanhol Rafael Salillas em 1898)
“...Dança-se entre um homem e uma mulher, mas sem cópula”.(Salillas, 1898)
Para o escritor Jorge Luis Borges, o tango era “uma forma de caminhar pela vida”. Para o poeta Enrique Santos Discépolo, “um pensamento triste que pode ser dançado”. No exterior, o tango é a música emblemática que representa a Argentina, embora o mesmo gênero musical também seja símbolo do vizinho do outro lado do rio da Prata, o Uruguai. Os argentinos se ufanam da definição dada pelo filósofo americano Waldo Frank, que sustentou que o tango é “a dança popular mais profunda do mundo”.
A palavra tango talvez seja a mais associada à Argentina em todo o planeta. A crise econômica de dezembro de 2001 foi chamada de “efeito tango” pela imprensa mundial. O caráter fatalista e pessimista que muitos argentinos exercem diariamente sobre a política, a economia e suas próprias vidas pessoais também é apontado como “um tango”.
Mais do que triste, o tango é introvertido e introspectivo, ao contrário de outras danças populares que são extrovertidas e eufóricas. Para o escritor Ernesto Sábato, “somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”. Segundo o autor, “um napolitano dança a tarantela para se divertir. O portenho dança um tango para meditar sobre seu destino”.
O tango é multifacético. Suas letras falam da mãe “santa”, da turma de amigos, das ruas do bairro e da pérfida - e perdida - mulher que os abandonou. Mas além disso, o tango também fala do hedonismo e da aparência, das divisões sociais e dos picaretas. Ele também é frequentemente satírico, com letras que disparam ácidas farpas contra tudo e contra todos.
NASCIMENTO
Na Argentina (no Uruguai a História é outra), mais do que 'argentino', o tango é portenho, já que o interior da Argentina seria melhor representado por outros ritmos, como o chamamé, o malambo e a zamba.
O bairro da Boca não foi o berço do tango, ao contrário do que indicam certas lendas, especialmente de guias turísticos estrangeiros.

Tango nasceu no 'barrio del Mondongo', atual bairro de Montserrat. O bairro está marcado em vermelho nesse mapa antigo de Buenos Aires.
O tango surgiu ao redor de 1877 no bairro de Montserrat, situado entre a Casa Rosada e o atual Congresso Nacional. Na época, ali residiam os descendentes dos escravos negros que haviam sido liberados em 1813.
Em Montserrat, também chamado de “barrio del Mondongo”, os afro-argentinos organizaram-se em associações beneficentes, que de noite – em barracos de sapé - preparavam festas para angariar fundos.
Nesses eventos, tocavam batucadas lânguidas, que para os escandalizados vizinhos brancos da área eram danças “luxurientas” e “indecentes” na coreografia.
As reuniões em Monserrat-Mondongo muitas vezes acabavam subitamente com a intervenção da polícia, que aparecia para “colocar ordem” no lugar.
Na época de carnaval as associações de afro-argentinos saíam às ruas para dançar ao som da batucada, denominada na região do rio da Prata como “candombe”.
A rivalidade dos grupos – cada um queria mostrar que era melhor na coreografia - provocava confrontos sangrentos nas ruas. Por este motivo, depois de anos de incidentes, o governo ordenou a dissolução das associações.
Sem poder sair às ruas, os afro-portenhos organizaram lugares exclusivos de dança, os “tambos”. Com esta palavra começa a polêmica sobre a origem do tango. Para alguns “tangólogos”, “tango” viria de “tambo”. Para outros, vem de “Xango”, ou “Xangô”, deus africano da guerra.
A própria palavra “tango”, com essa grafia, apareceu em 1836 no “Diccionario Provincial de Voces Cubanas”. O livro define “tango” como “a reunião de negros para dançar ao som de seus tambores ou atabaques”. Outra teoria indica que “tango” vem de “tambor”.
A polêmica e a discussão são elementos altamente cotados na mesa dos argentinos. Portanto, abundam versões sobre o assunto. Uma teoria indica que “tango” vem de “tang”, palavra pertencente a um dialeto africano que poderia ser traduzida como “aproximar-se, tocar”.

Uma forma de caminhar pela vida com raízes africanas que posteriormente foram europeizadas
Curiosamente, outra versão sustenta que a palavra vem do latim “tangere”, que também significa “tocar”. No espanhol antigo, “tangir” equivale a tocar um instrumento.
Para complicar, no século XIX existia na Espanha um “tango andaluz”. E no México, no século XVIII, uma dança com o mesmo nome.
Nenhuma dessas teorias (há várias teorias adicionais sobre a origem da palavra) foi comprovada. Os argentinos continuam dançando este gênero sem se preocupar por sua etimologia.
Desta forma, os afro-portenhos tiveram que resignar-se a ficar dentro de seus “tambos”, dançando o embrião daquilo que em poucas décadas seria o tango tal como o conhecemos hoje em dia.
A forma de dançar era – de certa forma – vagamente similar ao samba brasileiro atual: dança solta, eventualmente segurando o/a parceiro/a, além de muito requebro.
Mas, nesse momento em que essa forma prototípica do tango está em plena ebulição nos lugares de encontros dos afro-argentinos, ocorre uma guinada que seria fundamental para o desenvolvimento do tango: o surgimento do “compadrito” nos “tambos”.

Gabino Ezeiza, um dos expoentes afro-argentinos do tango em seus primórdios
(Veremos o surgimento do compadrito no tango nos próximos dias e também a vida de Gabino Ezeiza)

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26.10.09

O ex-guerrilheiro tupamaro Jose ‘Pepe’ Mujica reciclado em floricultor, não conseguiu vencer as eleições presidenciais deste domingo no Uruguai no primeiro turno. Mujica de acordo com as projeções de grande parte dos votos apurados, ficou em primeiro lugar, com 48% dos votos. Mas, desde a reforma constitucional de 1996, para vencer no primeiro turno é necessário obter metade mais um dos votos. Desta forma, Mujica terá que enfrentar o segundo colocado nas urnas, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, candidato do Partido Nacional (Blanco), que teve, segundo dados ainda não definitivos, 30% dos votos.
Ambos candidatos, no entanto, não despertam paixões no eleitorado. Ao contrário, enfrentam restrições em vários setores de seus respectivos partidos e na militância.
Mujica não conseguiu capitalizar os mais de 60% de popularidade de seu correligionário e presidente da República Tabaré Vázquez, um socialista light.
Lacalle teve menos votos que seu colega (e candidato a vice) teve nas eleições presidenciais de 2004, Jorge Larrañaga, que conseguiu ha meia década 34% dos votos (Lacalle, neste domingo, teria tido 30% dos votos).
O segundo turno, que promete ser acirrado, será no dia 29 de novembro.
O embate será entre o floricultor que deseja ‘ordenhar a burguesia’ e o ex-presidente que promete passar a ‘serra elétrica orçamentária’ no gasto público.
Mujica e Manuela, sua 'cachorra política', no sítio do ex-guerrilheiro nos arredores de Montevidéu
O ORDENHADOR DA BURGUESIA
Uma cachorra de 16 anos de idade, com a perna dianteira esquerda amputada, corre alegremente ao redor de um septuagenário floricultor na periferia da capital uruguaia. A cachorra é Manuela, a mascote do ex-guerrilheiro tupamaro, ex-ministro da agricultura e senador José ‘Pepe’ Mujica, de 74 anos, candidato da coalizão de governo Frente Ampla à presidência do Uruguai. Mujica acaricia a fiel companheira e ressalta que é a única “cachorra política” da História de seu país.
A afirmação tem seus motivos, já que Manuela é presença frequente nas carreatas e comícios de Mujica. A imagem da militante canina vira-lata potencia o tom de informalidade deste ex-preso político da ditadura (1973-85). Mujica abomina as gravatas e despreza o protocolo. Mas, coloca limites em sua privacidade.
Esse foi o caso de uma visita inesperada que recebeu poucos dias antes das eleições. Um grupo de jornalistas estrangeiros, entre eles o Estado, apresentou-se na porteira de seu sítio de 34 hectares. Mujica disse categoricamente que não daria entrevistas, pois estava recluído para preparar-se para o dia das eleições.
No entanto, levou o grupo em uma breve visita guiada por seu estabelecimento, onde possui viveiros de flores e planta hortaliças. Mujica lamentou o aquecimento global, que causou uma seca intensa na região que afetou suas plantações.
A simples casa onde mora com sua esposa, a senadora Lucia Topolansky, também ex-guerrilheira, é um retrato da modéstia na qual o casal vive.
Os meios de locomoção de Mujica também ilustram seu espartano modus vivendi. Durante duas décadas teve uma lambreta que – segundo depoimento de amigos – “caía aos pedaços”. Mas, há menos de cinco anos, já no governo de Tabaré Vázquez, optou por incrementar sua forma de transporte e adquiriu um Fusca modelo 1982.
Se for eleito no segundo turno, Mujica, mais conhecido como ‘Pepe’, se transformará no primeiro ex-guerrilheiro que chegará à presidência de uma República na América do Sul.
Mujica nasceu em Montevidéu no dia 20 de maio de 1935, no seio de uma família de austera classe média . Na juventude militou por partido Nacional (Blanco). Mas, nos anos 60 optou pelos movimentos de esquerda e integrou o Movimento de Liberação Nacional-Tupamaros.
Rapidamente tornou-se um dos principais líderes do grupo que protagonizou as principais ações da guerrilha armada no Uruguai. Em 1969, durante algumas horas, os tupamaros tomaram a cidade de Pando. Durante confrontos com as forças de segurança, Mujica foi ferido com seis balas, várias das quais ainda estão dentro de seu corpo. Preso várias vezes, na última etapa de detenção, o então guerrilheiro sofreu treze anos de cárceres, ao longo dos quais foi torturado
Em 1985, com a volta da democracia, recuperou a liberdade. Mujica aproveitou os novos tempos e transformou o grupo de ex-guerrilheiros em um coeso partido político que posteriormente integrou a coalizão Frente Ampla, uma colcha de retalhos de sucesso que aglutina socialistas, comunistas e democratas-cristãos.
Mujica foi eleito senador e em 2005, com a posse do socialista Tabaré Vázquez, foi designado ministro da agricultura. Nesse posto, indicou – com uma metáfora pecuarista - que não pretende mais combater a “burguesia”, mas sim, usá-la a favor da economia: “não quero esmagar a burguesia...eu quero é ordenhá-la”.
Lucía Topolansky, ex-guerrilheira, senadora e esposa de Mujica. Tudo indica que poderia ser a presidente do Senado. Quando participava das operações da guerrilha, no início dos anos 70, ia inexoravelmente maquiada.

Lacalle é neto de caudilho histórico uruguaio
O FREDDY KRUEGER DA ESQUERDA, JASON DO GASTO PÚBLICO
Luis Alberto Lacalle ouviu falar sobre política desde que era um bebê mimado por seu avô, Luis Alberto de Herrera, um dos mais famosos caudilhos do partido Nacional (Blanco) do século vinte, que costumava embalá-lo sobre seus joelhos enquanto reunia-se com outros correligionários para discutir manobras políticas. Nesse ambiente embebido de debates, Luis Alberto cresceu e direcionou seus passos para seguir a trilha aberta pelo avô.
Desta forma, militou na política desde os 18 anos, quando afiliou-se formalmente no partido Nacional. Nos anos 70 foi detido pela ditadura durante umas poucas semanas. Liberado, integrou os movimentos de oposição à ditadura. Em 1978 a ditadura tentou envenená-lo com vinho, mas alertado por sua esposa, Julia Pou, não experimentou a bebida. Outro colega seu, que havia recebido uma garrafa similar, morreu imediatamente após provar o vinho.
Com a volta da democracia foi eleito deputado e senador. Em 1989 venceu as eleições presidenciais com 22,57% dos votos (na época, o país não contava com um segundo turno). Em 1990 tomou posse e deu início a um governo que causou polêmicas com tentativas de privatizações, tema tabu na sociedade uruguaia, acostumada à uma economia com forte presença estatal. Seu governo também sofreu diversas denúncias de corrupção.
Em 1999 tentou voltar à presidência. Mas, amargou terceiro lugar. Em meados deste ano venceu a conveção partidária. Aos 68 anos, espera impedir uma vitória da Frente Ampla no primeiro turno, e assim, no segundo turno, capitalizar os votos de seu partido e do partido Colorado, o terceiro colocado nas pesquisas.
Seus críticos o classificam de “político de direita”. Mas, ele se auto-define como um “nacionalista pragmático”. Lacalle, para diferenciar-se do governo do socialista Vázquez, promete “modernizar” o país. O ex-presidente sempre retorna ao palco da política local, após pausas ocasionais, tal como um Freddy Krueger da esquerda, à qual sempre persegue.
No entanto, para modernizar o país, explica sua modalidade com sua voz metálica e humor peculiar que o faz parecer mais ao personagem Jason: “vou passar a serra elétrica no gasto público”.

Lacalle e 'Julita', sua esposa, famosa pelo caráter 'duro'
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24.10.09

Rio da Prata. O Mar Doce, segundo seu descobridor, Solís. O rio "cor de leão", segundo Jorge Luis Borges. "El charco", isto é, "o charco", segundo o irônico humor que floresce há séculos em ambas margens. À direita, a Argentina. À esquerda, o Uruguai. Mihares de uruguaios que residem na Argentina atravessam o rio para votar no Uruguai
Mais de 600 mil uruguaios, quase 20% da população do país, residem fora do Uruguai. Eles são denominados de “uruguaios do êxodo” ou da “diáspora”, já que partiram do país ao longo das últimas quatro décadas, principalmente por exílios econômicos ou políticos.
O contingente de uruguaios no exterior concentra-se principalmente na vizinha Argentina, onde reside um terço dos emigrados. Os outros espalham-se pelos Estados Unidos, Espanha, Austrália e Brasil.
Nenhum outro país sul-americano possui tal proporção de cidadãos morando fora de suas fronteiras. “Todos as famílias uruguaias possuem um integrante que está morando fora do país”, me disse o cientista político Gerardo Caetano.
Neste domingo estes uruguaios serão o pivô de um plebiscito que ocorrerá de forma simultânea à eleição presidencial e parlamentar do Uruguai.
Mais de 2,5 milhões de pessoas irão às urnas para definir se aprovam – ou não – o “voto epistolar”. Essa é a denominação da possibilidade de - no exterior - votar nas eleições uruguaias por carta.
O voto do êxodo é costumeiramente de esquerda. Por esse motivo, a ideia do voto epistolar é defendida pelo governo do presidente Tabaré Vázquez, um socialista moderado que lidera a coalizão Frente Ampla, e seu candidato à sucessão presidencial, José ‘Pepe’ Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro.
Em 2004, o voto do êxodo foi considerado crucial para a vitória de Vázquez, que conseguiu 50% mais um dos votos graças a 15 mil votos colocados nas urnas por uruguaios provenientes da Argentina, onde residiam.
No total, naquela ocasião, 20 mil uruguaios atravessaram a fronteira para votar.
Neste ano, segundo as estimativas durante a semana passada, de 10 mil a 12 mil uruguaios que residem na Argentina desembarcariam neste fim de semana no Uruguai para votar. No entanto, cálculos realizados neste domingo de manhã indicavam que ao redor de 22 mil pessoas haviam atravessado a fronteira.
O governo da presidente Cristina Kirchner, que manteve uma tensa relação com o presidente Tabaré Vázquez, possui uma relação cordial com Mujica.
Mas, para evitar uma eventual vitória da oposição conservadora, representada por Lacalle, um crítico do governo Kirchner, a presidente Cristina decretou dois dias de feriado para os uruguaios que trabalham nas repartições públicas argentinas, de forma que possam viajar ao Uruguai para votar.
“No entanto, nem todos os uruguaios possuem dinheiro para fazer uma viagem para votar. Por isso defendemos o direito ao voto por carta, para que seja enviado desde o exterior, seja lá onde um compatriota nosso esteja morando”, me disse a senadora Lucía Topolansky, líder da esquerda e esposa do candidato ‘Pepe’ Mujica, durante entrevista no quartel-general de seu grupo, o Movimento de Participação Popular (MPP), que integra a Frente Ampla.
No entanto, o “voto epistolar” é criticado pelos candidatos da oposição, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-95), do partido Nacional (Blanco) e Pedro Bordaberry, do partido Colorado.
“Não concordo com o voto epistolar, o considero um absurdo” disse ao Estado o ex-presidente e atual senador da oposição, Julio María Sanguinetti, do partido Colorado, em sua casa no bairro de Punta Carretas. “Alguém que mora fora do país há muito tempo não vota pensando no Uruguai. Essa pessoa está com a mente lá no país onde mora”.
Por seu volume, os uruguaios do êxodo são objeto de interesse dos partidos políticos, que ficam de olho nos votos que podem propiciar, pois seu volume possuem a capacidade de alterar o resultado de uma eleição presidencial.
Por esse motivo, em época de campanha eleitoral, é sine qua non a visita à Buenos Aires, do outro lado do Rio da Prata.
A capital argentina, a maior “cidade uruguaia” fora do Uruguai (calcula-se que pelo menos 150 mil uruguaios residiriam na capital argentina e sua area metropolitana) está a apenas 25 minutos em avião de Montevidéu (ou três horas em ferry boat).
Só a crise econômica de 2002 foi a responsável pela partida de 100 mil uruguaios. Na época, a pobreza alcanou níveis recorde, atingindo um terço dos habitantes do país.
Em 2008, os uruguaios que residem fora do país, enviaram US$ 200 milhões a seus parentes no Uruguai.

Marcada com a letra 'A', a cidade de Montevidéu. A letra 'B' marca a cidade de Colonia (a Colônia de Sacramento dos portugueses). A letra 'C' marca a área de Buenos Aires e a Grande Buenos Aires, onde reside uma grande concentração de uruguaios.
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23.10.09

Juan María Bordaberry, o fazendeiro que tornou-se presidente e posteriormente títere civil dos militares, que virou neologismo político. Nesta foto, de 1974, Bordaberry ao lado de um colega militar, o ditador e general Augusto Pinochet
Os uruguaios irão às urnas neste domingo para eleger o novo presidente da República. Mas, eles também depositarão seu voto em um plebiscito que definirá a suspensão – ou não – da “Lei de Caducidade Punitiva do Estado”, denominada informalmente de “lei de perdão aos militares”. A lei, aprovada em 1986 e confirmada por um plebiscito em 1989, implicou na anistia dos militares que cometeram violações aos Direitos Humanos durante a ditadura (1973-85).
José Mujica, candidato da coalizão governista, a Frente Ampla, está a favor da revogação da lei de perdão.
O próprio Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro, foi torturado na prisão, onde esteve 13 anos. Na contra-mão, os candidatos da oposição Luis Alberto Lacalle, do partido Nacional (Blanco) e Pedro Bordaberry, do partido Colorado, posicionam-se a favor da permanência da anistia.
Durante a ditadura os militares assassinaram dentro do território uruguaio 34 civis suspeitos de “subversão”. Além disso, segundo as estimativas de organismos internacionais e uruguaios, a ditadura torturou de forma clandestina 4.700 pessoas. Destas, oito suicidaram-se nas prisões para evitar a continuidade dos tormentos.
Além dos mortos dentro do Uruguai, por intermédio do “Plano Cóndor”, em conjunto com os regimes militares contemporâneos da Argentina, Brasil, Chile e Paraguai, os oficiais uruguaios foram responsáveis pela tortura e morte de outros 106 cidadãos uruguaios no exterior, a maioria dos quais na Argentina.
Uma pesquisa realizada pela consultoria Interconsult indica que 47% dos uruguaios votariam no plebiscito a favor do fim da lei de anistia aos militares. Outros 40% votariam contra. O número de indecisos equivale a 13% do eleitorado. Outras pesquisas indicam que o fim da lei teria o respaldo de 47% dos uruguaios, enquanto que 34% estariam a favor de sua manutenção.
No entanto, para aprovar o fim da lei de anistia no plebiscito, seria necessário metade mais um dos votos, incluindo os brancos e nulos.
Os analistas políticos destacam que os setores mais conservadores da sociedade uruguaia – que posicionam-se a favor da permanência da lei do perdão aos militares - não manifestam publicamente seu voto.
Na contra-mão, os uruguaios que residem na Argentina – com um predominante perfil de centro-esquerda - que atravessariam o rio da Prata nos próximos dias para votar no Uruguai neste domingo (e que não foram pesquisados) tenderiam a votar a favor da suspensão da lei de anistia.
O advogado Oscar Goldaracena, um dos líderes do movimento a favor do fim do perdão aos militares, argumentou que a lei de caducidade é “uma aberração jurídica”. No entanto, outros setores argumentam que sem a lei de perdão, teria sido impossível realizar a transição no Uruguai.
Na segunda-feira, seis dias antes do plebiscito, a Corte Suprema de Justiça determinou que a lei de caducidade é “inconstitucional”. A decisão, aplicada a um caso específico, de Nibia Sabalasagaray, uma jovem comunista assassinada em 1974, foi aprovada por quatro dos cinco juízes da Corte. Embora aplicado a um caso específico, a decisão da Justiça abre precedentes para que novos processos sejam abertos.
A organização Anistia Internacional fez um apelo nesta semana para que a lei de caducidade seja eliminada.
PRESOS
Desde 2006 a lei de caducidade foi driblada por vários juízes uruguaios, que colocaram em prisão preventiva alguns militares e civis – entre os quais os ex-presidente civil Juan María Bordaberry e o presidente e general Gregorio Álvarez - para julgamento por envolvimento nos casos de uruguaios assassinados no exterior (esses casos não estavam previstos pela lei de anistia, que contempla somente os crimes cometidos dentro do território uruguaio). Além deles, oito ex-militares e policiais foram condenados a penas de 20 a 25 anos de prisão.
AMBÍGUA
No final do ano passado a Coordenadoria Nacional pela Anulação da Lei de Caducidade (que reúne a principal central sindical do país, a PIT-CNT e diversas organizações de defesa dos Direitos Humanos), iniciou uma grande mobilização para conseguir 250 mil assinaturas (equivalente a 10% do eleitorado do país), número exigido para solicitar a convocação de um plebiscito. Graças à campanha, a Coordenadoria reuniu 340 mil assinaturas.
Setores da esquerda uruguaia alegam que a Lei de Caducidade, além de “ambígua” – já que impedia o julgamento dos militares, mas não a investigação sobre seus crimes - foi aprovada pela população por temor a novos golpes militares.
MODALIDADE URUGUAIA
Os regimes militares do Chile e da Argentina caracterizaram-se por eliminar seus opositores por fuzilamentos, jogados vivos no mar ou mortos em sessões de tortura. Poucos prisioneiros desses regimes sobreviveram. No entanto, a Ditadura uruguaia ficou notória por um menor número de assassinatos, embora tenha aplicado prisões por tempo recorde nos regimes militares do Cone Sul. A maioria dos tupamaros permaneceram os treze anos da Ditadura dentro da prisão.
Além do próprio candidato presidencial, José Mujica, vários integrantes da coalizão de governo são ex-guerrilheiros tupamaros, que foram presos e torturados pela Ditadura.
FATOS E NÚMEROS DA DITADURA URUGUAIA
- Ditadura, que começou com um presidente civil títere, respaldado pelos militares, durou de 1973 a 1985.
- Ditadura foi implantada apesar do fim da guerrilha dos tupamaros em 1972. Os próprios militares anunciaram que a guerrilha havia sido “liquidada” um ano antes do golpe.
- Estimativas indicam que militares uruguaios torturaram 4.700 civis. A imensa maioria das vítimas não tinham vínculos com a guerrilha.
- Dentro do Uruguai militares assassinaram 34 pessoas. Outras 8 suicidaram-se para evitar a continuação da tortura.
- Militares uruguaios assassinaram 106 civis de seu país no exterior, principalmente na Argentina.
- Entre os desaparecidos existem seis crianças, das quais três nasceram durante o cativeiro das mães.
- Estimativas conservadoras afirmam que por causa da Ditadura, 250 mil uruguaios partiram em exílio. Outras estimativas sustentam que o êxodo chegou a 400 mil exilados. Em 1973, ano do golpe, o Uruguai tinha 2,8 milhões de habitantes.
BORDABERRIZAÇÃO
O presidente civil do início da ditadura uruguaia, Juan María Bordaberry, entrou para a História por gerar a criação, nos anos 70, de um termo da ciência política, a “Bordaberrização”. A palavra refere-se a uma ditadura militar que pretende ter aparência civil e para isso deixa (ou coloca) um presidente civil no cargo formal da presidência.
Bordaberry havia sido eleito nas urnas em 1972 pelo partido Colorado. Em 1973, as forças armadas deram um golpe mas mantiveram Bordaberry no posto. Ele foi removido do cargo em 1976, um ano antes do final formal de seu mandato, previsto para 1977.
A ditadura no Uruguai foi encerrada no dia 1 de março de 1985. Quinze dias depois, terminava a ditadura militar no Brasil.
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
22.10.09

Parlamento do Uruguai, em Montevidéu. Hoje começamos uma série de postagens sobre as eleições presidenciais e parlamentares deste país
Dois milhões e meio de uruguaios irão às urnas neste domingo eleger o novo presidente da República. Na reta final da campanha eleitoral, os candidatos à presidência da República tentam conquistar o voto dos indecisos, que oscilam entre os 10% e 12% do eleitorado, segundo diversas pesquisas.
A proporção é elevada para os níveis historicamente altos de engajamento político dos uruguaios. Além de elevada, a proporção de indecisos apresentou um comportamento insólito, já que cresceu enquanto aproximava-se a data da eleição.
Segundo as pesquisas realizadas pela consultoria Mori, os indecisos, que eram 8% em abril, cresceram para 10% no final de agosto. Neste fim de semana as pesquisas da Mori indicavam que a proporção de indecisos chegava à faixa de 12%. A consultoria Factum também coloca os indecisos na mesma proporção.
O ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica, candidato da Frente Ampla, a coalizão do governo do presidente Tabaré Vázquez (um médico oncológico que em 2004 tornou-se no primeiro socialista eleito presidente no Uruguai) teria 44% das intenções de voto, segundo uma média de diversas pesquisas.
O candidato da oposição, o neoliberal ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), do partido Nacional (também chamado de “partido Blanco”) teria 30%. O terceiro colocado é Pedro Bordaberry, filho do ex-ditador Juan María Bordaberry oscila ao redor dos 10%.
Se não conseguir 50% mais um dos votos, Mujica, um ex-guerrilheiro transformado em floricultor que odeia ternos e gravatas, terá que ir para o segundo turno. Mujica – famoso por não ter papas na língua - foi prejudicado nas últimas semanas por disparar polêmicos comentários, entre eles, o de xingar os vizinhos argentinos de “imbecis” e de criticar a Justiça.
De quebra, a Igreja Católica criticou suas posições a favor do aborto. O Uruguai é o país mais laico do continente americano. No entanto, o confronto de Mujica com a Igreja poderia provocar a perda de alguns milhares de votos.
Mas, um punhado de milhares de votos no pequeno Uruguai possui um peso especial. O próprio Vázquez foi eleito em 2004 no primeiro turno graças a 15 mil votos que permitiram que pudesse atingir o mínimo necessário para vencer.
“É uma tal massa de indecisos que gera uma situação na qual qualquer cenário é possível. Isto é, a eleição pode se resolver no primeiro turno...mas também pode ocorrer um segundo turno”, ponderou o analista político Oscar Botinelli, da Factum.
Desta forma, a denominada “batalha final” somente ocorreria no segundo turno, na qual confrontariam-se Mujica e Lacalle, no dia 29 de novembro.
Neste domingo, além de eleger o novo presidente, os uruguaios também votarão na definição de 30 senadores e 99 deputados.
SEM DEBATE
No meio da polêmica gerada pelo candidato do governo, o presidente Vázquez impediu a realização de um debate na TV entre Mujica e Lacalle, por temor que seu candidato comprometesse a Frente Ampla com nova controvérsia.
Mujica não era o candidato original do presidente Vázquez, que preferia seu ex-ministro da Economia, o discreto Danilo Astori (o vice na chapa de Mujica). Por esse motivo, Vázquez, que possui mais de 60% de aprovação popular, não se engajou ativamente na campanha do ex-guerrilheiro.
Somente na segunda-feira, na reta final da campanha, Vázquez participou de uma cerimônia em companhia de Mujica, ocasião em que o abraçou em público. Esse gesto, somado à decisão - também na segunda-feira - da Justiça uruguaia de declarar inconstitucional a lei de anistia aos militares poderiam ajudar Mujica a recuperar terreno entre os eleitores.
PLEBISCITO
No domingo, junto com a votação para presidente e parlamentares, os uruguaios também votarão em um plebiscito para definir a eventual suspensão da “lei de caducidade punitiva do Estado”, denominação da lei de anistia aos militares que cometerem violações aos Direitos Humanos durante a ditadura (1973-85).
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18.10.09

O teutônico Friedrich Nietzsche dizia que ‘um bom escritor possui não somente sua própria inteligência, mas também a inteligência de seus amigos’. Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares souberam potenciar ambas inteligências com sua amizade. Segundo disse em 1968 o ensaísta Emir Rodríguez Monegal, quando Bioy Casares e Borges trabalhavam em conjunto, o resultado era uma um texto que parecia escrito por uma nova personalidade, mais do que a somatória de suas partes. Monegal sustentava que nesse momento surgia o "Biorges", o qual, considerava, era "o mais importante escritor argentino de seu tempo" (foto dos dois amigos nos anos 40)

Sabia que havia feito uma entrevista com Bioy Casares, das várias que fiz com ele entre 1995 e 1998, que não estava encontrando. Mas, neste fim de semana, a encontrei por puro acaso (acasos borgianos, a achei enquanto procurava uns dados do breve presidente provisório Adolfo Rodríguez Saá). Nesta entrevista, Bioy explica como foi a criação de Honorio Bustos Domecq, um escritor que ele e Jorge Luis Borges inventaram, dando origem à uma verdadeira escritura à quatro mãos. Esta entrevista foi feita em agosto de 1996, dois meses depois do décimo aniversário da morte de seu amigo Borges.
Um abajur quebrado levou a um folheto sobre iogurtes. O texto comercial sobre lactobacilos levou à uma das camaradagens mais frutíferas da história da literatura. Parece estranho, mas este foi o modo como duas privilegiadas mentes argentinas do século XX se uniram: Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares.
Tudo começou com uma reunião na casa de Victoria Ocampo, a rabugenta – e brilhante - dublê de Gertrude Stein da Argentina do anos 30, 40 e 50. Bioy Casares, casado com Silvina Ocampo, estava presente na tertúlia por temor às repreensões da cunhada. Victoria recebia um escritor estrangeiro com um cocktail.
Por acaso, Bioy Casares sentou-se ao lado de Jorge Luis Borges. “No meio da festa começamos a conversar animadamente. Victoria nos interrompeu: ‘não sejam uns merdas. Falem com o convidado’. Borges levantou-se assustado e derrubou um abajur. Foi um opróbrio. Ele continuou falando comigo e ficamos amigos para toda a vida”.
A amizade os uniria para sempre. Bioy Casares, sobrinho e filho e sobrinho de empresários do setor de laticínios, foi contratado pela própria família para escrever um folheto cultural “e comercial” sobre o iogurte. “Chamei Borges e ficamos dias na fazenda pensando no folheto. Mais do que trabalhar no tema, acabávamos criando personagens. Assim escrevemos “Seis Problemas para Don Isidro Parodi”. Queríamos escrever contos onde houvesse um enigma e uma solução clara. Mas fazíamos brincadeiras e nos perdíamos nelas. “Que faremos com este personagem?”, perguntávamos rindo.
Antes de partir para a Europa, o autor de “A invenção de Morel” e “Diário da Guerra do Porco” e inseparável partner de Borges, falou para o Estado sobre sua amizade com o autor de “Ficciones”:

Bioy Casares, em 1968, fotografado por Alicia D'Amico (1933-2001), uma das grandes fotógrafas argentinas (as outras foram Annemarie Heinrich e Sara Facio)
Estado - Honorio Bustos Domecq, o imaginário autor de “Seis Problemas para Don Isidor Parodi” era uma criação com os sobrenomes dos avós e bisavós...
Bioy Casares - Bustos era do lado de Borges. Domecq era minha avó paterna. A Editorial era “Oportet et Jerezes, convém que haja hereges”.
Estado – Como escreviam a quatro mãos?
Bioy Casares - A gente sempre escrevia à noite. Borges sempre vinha para nossa casa jantar. Após o jantar conversávamos sobre uma ideia relativa a um assunto. Eu sentava na frente da máquina de escrever e começávamos....um de nós dois propunha a primeira frase...e assim vinham a segunda, terceira frases. Os dois íamos falando ao mesmo tempo. De vez em quando Borges dizia ‘não, acho melhor a gente enveredar por outro lado’...ou eu dizia ‘espera..acho que já temos demasiadas piadas juntas aqui’..e assim íamos escrevendo!.
Estado - Os srs. eram muito diferentes. Borges, quase um calvinista, o sr. era...
Bioy Casares - (rindo) Borges era incapaz de andar a cavalo. Eu percorria até 250 km. Borges se apaixonava profundamente por cada mulher. Eu tive muito amores e a sorte de que minhas ex-amantes são muito boas amigas até hoje.

O tímido Borges, no final dos anos 60, cercado por 'groupies' borgianas
Estado - Qual influência o sr. teve em Borges e ele no sr.?
Bioy Casares - Ele, com Paul Valèry, me retiraram do surrealismo. Recebi grandes dicas, conduzidas pela inteligência. Combati em Borges o estilo em que cada frase tinha um efeito de surpresa no final. O ajudei, onde ele chegaria sem minha ajuda, a chegar no que era um estilo mais clássico.
Estado - Como foi publicar a revista “Destiempo”, junto com Borges?
Bioy Casares - Estavámos muito contentes com isso. Saímos da gráfica com duas caixas das revistas e fizemos uma fotografia para uma histórica posteridade. A fotografia desapareceu. Nunca a recuperamos. Todos os exemplares do número um da revista desapareceram. O estúdio onde fizemos a foto também sumiu. Não era possível fazer uma revista sem dinheiro. Os colaboradores demoravam semanas para entregar os textos e a revista morreu...

Borges, em 1951, foto de Grete Stern
Estado - Como foi seu primeiro encontro com Borges?
Bioy Casares - Victoria Ocampo estava convidando alguns estrangeiros ilustres por alguns dias. Muito autoritária, quando convidava alguém, tinha que ir, porque senão ouviria repreensões pelo resto da vida. Ali estava o convidado ilustre, mas Borges, que estava sentado a meu lado começou a conversar comigo. Começamos a conversar animadamente no meio da festa. Mas Victoria nos interrompeu: ‘não sejam uns merdas. Falem com o convidado’. Borges levantou-se assustado e derrubou um abajur. Foi um opróbrio. Ele continuou falando comigo e ficamos amigos para toda a vida. Naquela noite, fomos embora logo da festa. O levei em meu carro a sua casa e fomos todo o trajeto conversando.
Estado - Os senhores eram como uma dupla de filme...
Bioy Casares - (ri) Não o vejo assim, mas foi uma amizade maravilhosa. Um dia me encarregaram um folheto pseudocientífico e eficazmente comercial sobre o iogurte. Como pagavam muito, convidei Borges para que escrevesse comigo. Fomos até a fazenda de meu pai. Como nos entediávamos, pensamos que seria bom se escrevêssemos contos juntos.

Os dois amigos, no início dos anos 80
Estado - O que acha das obras que Borges não quis reeditar, que foram recentemente reeditadas (“O Idioma dos Argentinos” e “Borges en Revista Multicolor”)?
Bioy Casares - Sinto-me muito identificado com ele, pois espero que quando morrer, nunca reeditem meus primeiros livros. Quando fomos compilar minhas “Obras Completas” minha editora me disse que seria uma mentira chamá-las assim. Eu disse que eram livros antes de que me convertesse em um escritor consciente.
Estado - Entre a poesia e a prosa de Borges, qual prefere?
Bioy Casares - Prefiro a prosa, mas gosto muito da poesia dos últimos anos. Não gosto de seu tempo de surrealismo.

Bioy Casares escreveu até sua morte em 1999
Estado - Como foram suas incursões no mundo dos roteiros cinematográficos?
Bioy Casares - Quando começamos ainda não sabíamos fazer roteiros. Depois aprendemos um pouco...
Estado - Borges tornou o sr. um dos mais conhecidos personagens da literatura fantástica. Em “Tlön, Uqbar e Orbis Tertius” o sr. é o personagem que faz a trama começar, com a citação “abomino os espelhos e a cópula, porque multiplicam a espécie humana”...
Bioy Casares - Ele me faz dizer coisas que nunca disse (ri). Gosto muito de espelhos, os acho misteriosíssimos. Para mim são uma fonte de inspiração. Era só uma brincadeira de Borges. Para ele, os espelhos eram atrozes. Nunca compreendi o porquê, mas ele tinha uma repulsão, talvez mais intelectual do que físico, pois não me parece que alguém possa ter uma repulsão física por algo tão bonito como um espelho.
Estado – O sr. teme a morte?
Bioy Casares - Diria que não, mas me impressiona. Me parece espantoso morrer. Borges e eu falávamos muito sobre isso. O coitado poderia agora me dizer o que se sente. Eu sigo com temor e com horror. É algo que me desgosta. Não gostaria que acontecesse.
Estado - O sr. viu Borges partir, sabendo que não o veria mais...
Bioy Casares - É horrível morrer. Sua morte foi dolorosa, penso eu. Antes de partir para Genebra, lhe perguntei se não era melhor ficar aqui, já que os médicos o haviam desenganado. Me respondeu: “para morrer, dá no mesmo estar em qualquer lugar...”. Uma frase literariamente eficaz, que me calou.

Bioy Casares, em seus últimos anos, sem a presença do amigo Borges
BENGALA, UM TERCEIRO AUTOR E GARGALHADAS
Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares fizeram, desfrutando – e muito – um trabalho conjunto deixando seus egos de lado. Não tentaram impor um ao outro suas ideias e palavras. Foi uma dupla simbiótica, que foi mais além da colaboração, já que Bustos Domecq tinha um estilo diferente ao dos dois escritores de carne e osso.
Honorio Bustos Domecq surgiu primeiro como F.Bustos, nome com o qual Borges publicou a primeira história de ficção de sua carreira, “O homem da esquina rosada”. Quando apareceu a parceria entre Borges e Bioy Casares o nome do escritor-fantasma foi trocado para Honorio Bustos Domecq.

Capa de um dos livros de Bustos Domecq, quando os dois autores reais já haviam confessado sua identidade
Bustos era o sobrenome de um antepassado de Borges, enquanto que Domecq era um antepassado de Bioy.
H. Bustos Domecq começou sua carreira com “Seis problemas para Isidro Parodi”, de 1942. Em 1946 lançaram “Duas fantasias memoráveis”.
Bustos Domecq tornou-se um “autor” de sucesso. A Argentina pensava que existia de verdade e chegaram a lhe oferecer prêmios literários. Mas H. Bustos Domecq nunca aparecia para receber as honras. Borges e Bioy Casares davam gargalhadas.
De quebra, também criaram um segundo autor-fantasma, Benito Suárez Lynch (também utilizando os sobrenomes de outros antepassados de Borges e Bioy). Com este pseudônimo publicaram “Um modelo para a morte”.
Com os anos, Bioy foi-se parecendo a Borges, seu indefectível partner: a bengala, a fragilidade causada pela morte dos seres queridos, o desejo de viver muito mais. Unidos por causa de um abajur quebrado e um folheto sobre iogurtes, esta dupla produziu obras que integram a lista de clássicos da literatura do século XX. Borges era um potencial calvinista, tímido com as mulheres. Bioy se envolvia com as sobrinhas de sua esposa. O primeiro exercia o estilo mais erudito, o segundo primava pela simplicidade. Borges abandonou o planeta há dez anos. Bioy Casares continua aqui, aos 82 (a entrevista, lembrem, foi em 1996...Bioy Casares morreu três anos depois).

Nietzsche, que dizia que ‘um bom escritor possui não somente sua própria inteligência, mas também a inteligência de seus amigos’, acompanhado de alguns de seus especiais amigos: Lou Salomé e Paul Ree. Foto de 1882, realizada no atelier de Jules Bonnet, em Lucerna, Suíça.
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Todos os comentários devem ter relação com o tema da postagem.
E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.
16.10.09

Representação de fellatio em vaso de cerâmica da cultura Moche (civilização do norte peruano que floresceu entre o ano 100 a.C e o ano 800 d.C). Peça arqueológica exibida no Museu Larco, em Lima. A obra é do ano 300 de nossa era.
Fellatio provém do latim fellātus, particípio passado do verbo 'fellāre', isto é, 'sugar'
Propostas de Fellatio e de introdução de objetos inanimados no reto anal. Estas foram as ofertas de Diego Armando Maradona aos jornalistas que criticaram sua atuação nos últimos meses como como técnico da seleção argentina. De quebra, atribuiu às mães de todos os trabalhadores da mídia portenha a profissão de prestadoras de serviços sexuais.
“Me chupem...e que continuem chupando” foi a frase que entrou para a antologia maradonianas de epígrafes.
Depois, utilizou o verbo “mamar”, expressão usada em alguns países hispano-falantes, entre eles a Argentina, para....
a) mamar, tal como em português, isto é, absorver o leite materno
b) ingerir bebidas alcoólicas
c) prática do fellatio com a consequente ingestão do sêmen ejaculado
Na quarta-feira à noite, após a suada vitória de sua seleção em Montevidéu, Maradona repetiu três vezes sua proposta de sexo oral.
De quebra, ao ser consultado por um jornalista de Buenos Aires, Totti Passman, antes de responder a pergunta, Maradona fez uma nova ressalva, com outra alusão sexual: “você tem uma dentro...”.
As frases de Maradona imediatamente despertaram em um empresário argentino a ideia de estampar a epígrafe do ex-astro em uma camiseta. Desta forma, no site “Mercado Libre”, podem ser adquiridas as camisetas com as frases que já entraram para a antologia maradoniana. As camisetas são vendidas ao módico preço de 39 pesos.


Você pode ostentar o pensamento maradoniano por apenas 39 pesos
Nesta quinta-feira Maradona deixou claro que não pedirá desculpas a ninguém.
O presidente da Associação de Futebol da Argentina, Julio Grondona, declarou que compreende as declarações do técnico e tentou encerrar o caso.
Mas, a divulgação mundial das frases de Maradona causou irritação no presidente da FIFA, Joseph Blatter, que anunciou que pedirá ao Comitê de Disciplina dessa organização investigue as polêmicas afirmações de "El Diez".
Se Maradona for punido, poderia ser suspenso durante cinco jogos da seleção.
CAMINHÃO E ESPINGARDINHA
A relação de Maradona com a imprensa, insultos à parte, foi complicada.
Nos anos 90, Maradona ia aos treinos do Boca Juniors na boleia de um caminhão, para evitar que os jornalistas se aproximassem de sua janela para lhe fazer perguntas.
Em meados dessa década, diante de um grupo de jornalistas que o esperava na porta de uma chácara onde passava o fim de semana, Maradona empunhou uma espingardinha e disparou, alvejando um dos profissionais que estavam de plantão na porta do terreno.

SITUAÇÕES ATRIBULADAS
Ao longo da última meia década Diego Armando Maradona protagonizou situações atribuladas. Antes da antologia desta livin’ la vida loca maradoniana, um breve resumo:
A vida de Maradona foi marcada pelo descontrole. Nos anos 80 tornou-se famoso por sua irreverência e peculiaridades na forma de jogar o futebol. Seu gol com a mão contra a seleção da Inglaterra na Copa do México causou ampla polêmica. Mas, o jogador sempre respondeu rindo às acusações de irregularidade nesse gol.
Durante sua estadia no Napoli, Maradona envolveu-se com várias amantes. Uma delas, Cristina Sinagra, deu à luz a um filho que Maradona rechaça reconhecer.
No ano 2000, durante suas férias no balneário uruguaio de Punta del Este teve a primeira overdose de cocaína. Na sequência, convidado por Fidel Castro, Maradona foi à Cuba realizar um tratamento para livrar-se da dependência das drogas.
No entanto, o tratamento cubano foi polêmico, já que quatro anos depois de estadia na ilha caribenha, o ex-jogador estava obeso e continuava consumindo cocaína.
Em março de 2004 voltou à Buenos Aires. Depois de um mês de festas, Maradona teve uma nova overdose que o levou ao coma. Maradona foi internado na clínica Suíço-Argentina.
Mas, dias depois de recuperar-se do coma, o ex-astro fugiu e refugiou-se na chácara de um empresário amigo onde dedicou-se à farra. Cinco dias depois, Maradona foi levado às pressas novamente à clínica. Ele havia tido uma overdose de croissants com creme.
O ex-astro, lamentavam os comentaristas esportivos, parecia um lutador de sumô. Pesava quase 120 quilos e não conseguia respirar nem falar direito.
Nos meses que seguiram Maradona realizou uma cirurgia de redução do estômago na Colômbia. Com o look renovado, o ex-astro voltou a ser um sucesso de marketing. Cinquenta quilos mais magro, foi convocado para realizar um programa de TV, “La Noche del Diez” (A Noite do Dez), que teve recordes de audiência para o que seria um talk show na Argentina. No entanto, os índices não eram tão elevados para um programa apresentado pelo argentino mais famoso das últimas duas décadas.
Entre seus convidados estiveram Pelé, Xuxa e Mike Tyson.
Maradona exibia seus abdominais, jogava ao tênis, futebol, corria e dançava. De quebra, fazia proselitismo da vida saudável e da dieta alimentícia que aplicava. Os fãs respiravam aliviados, pois o ídolo mostrava exuberante saúde. Seu único vício, dizia, era “um charuto por dia”.
Mas, sem trabalho ou uma atividade definida desde fins de novembro de 2005 (o contrato de seu programa não foi renovado), Maradona começou a deprimir-se e voltou a engordar.
Entre dezembro de 2005 e meados de 2006 o ex-astro envolveu-se em brigas com a Polícia Federal no Rio de Janeiro; agrediu uma ex-miss nas ilhas de Bora Boca , e – em Buenos Aires - bateu sua camionete contra uma cabine telefônica, cujos cacos de vidro voaram pelo ar, ferindo um casal de jovens que passava pela rua.
Na segunda metade de 2007 “El Diez” foi internado por graves problemas hepáticos gerados, entre outros motivos, pelo intenso consumo de champagne brut.
BREVE ANTOLOGIA DE ATRIBULAÇÕES MARADONIANAS

Maradona protagonizou insólita overdose de croissants
CROISSANTS – Em maio de 2004 Maradona estava recuperando-se de uma overdose de cocaína que quase o matou e o manteve em coma durante três dias. Poucos dias após acordar, Maradona fugiu da clínica Suíço-Argentina, no centro de Buenos Aires, rumo à elegante chácara de um amigo na zona oeste da Grande Buenos Aires.
Nos cinco dias que esteve na chácara, Maradona passou o tempo como na canção de Ricky Martin “Livin’ la vida loca” (vivendo a vida louca). No primeiro dia, poucas horas depois de ter deixado a UTI, ele causou surpresa ao jogar golfe durante 40 minutos no campo da chácara. No fim da noite, reuniu-se com velhos amigos e disparou fogos de artifício.
No dia seguinte, jogou golfe, deu uma entrevista a Susana Giménez, uma das divas da TV argentina. Na conversa, com a voz embrulhada, sem conseguir terminar as frases, “El Diez” – depois de apreciar o derrière da diva - conseguiu explicar que havia visto a morte “de perto” e sustentou que, quando estava em um “túnel escuro” que o levaria para o além, foi salvo no último minuto por “uma multidão de torcedores”.
Ao longo dos dias que se seguiram, Maradona jogou golfe durante longas horas (em ocasiões sem camiseta, no meio de um frio que oscilou entre 13 e 16 graus), fez uma festa de despedida, e de quebra, deixou de lado a dieta, devorando tudo o que encontrava na geladeira e fora dela.
O pináculo destas jornadas de arromba foi a noite em que uma “overdose” de croissants levou Maradona à UTI da Clínica Suíço-Argentina.
Na noite da véspera, “La Mano de Dios” (A Mão de Deus), como é popularmente chamado, recebeu o time de vôlei da cidade de Bolívar, na província de Buenos Aires.
Os jogadores levaram a Maradona um pacote de “facturas”, a denominação genérica popular para os croissants e demais variáveis calóricas com creme e doce de leite.
Segundo testemunhas, Maradona - que não conseguiu resistir ao poder de atração dos quitutes - “se morfó todo” (“comeu tudo”, na gíria portenha).
O comunicado oficial da clínica Suíço-Argentina foi mais sutil, preferindo denominar o caso de “transgressão alimentícia”. Isso teria agravado o quadro sensível de insuficiência respiratória que sofria.
O estômago e fígado do ex-jogador – que pesava na ocasião 120 quilos - já acumulavam uma comilança de dois dias antes, durante um churrasco que organizou para dezenas de pessoas a modo de despedida.
Maradona posteriormente recuperou-se e até apresentou um show em meados de 2005, o “La Noche del Diez”. O programa, uma espécie de talk show que reunia amigos do ex-astro do futebol e convidados especiais nacionais e internacionais, foi um sucesso de breve duração.
Mas, foi um sucesso relativo, já que apesar da fama de Maradona (atualmente o argentino mais famoso em todo o mundo), e da curiosidade popular sobre sua recuperação das drogas, o programa nunca conseguiu superar a média de 30% de audiência.
No dia do lançamento, que contava com a presença de Pelé, o programa de Maradona, no canal Trece, perdeu por um ponto percentual em audiência para um filme de Harry Potter no canal Telefé.
Poucos meses depois Maradona voltou ao descontrole.

Charles Baudelaire costumava afirmar que “Deus é um escândalo..um escândalo que vende!”.
Outro “deus”, isto é, "Dios”, tal como é chamado D.A.Maradona por seus seguidores, também propicia excelentes vendas. Protagonizando vitórias ou fracassos na seleção de seu país (como jogador ou como técnico) ou em sua vida pessoal ou social, Maradona sempre gera notícias, vende camisetas, livros, filmes e revistas.
Altar de Maradona em Nápoles. Anos 90
GALEÃO - Em dezembro de 2005, na última semana do ano, protagonizou um confuso episódio no aeroporto do Galeão, onde proferiu impropérios (acompanhados de um explícito gesto com o dedo médio, em riste) contra a Polícia Federal brasileira, minutos depois de ter perdido um voo para Buenos Aires. O atraso do ex-jogador teria sido causado por uma curvilínea modelo brasileira.
VASO EM MISS - Em janeiro de 2006 O paraíso tropical da ilha de Bora Bora, na Oceania, foi tumultuado pela passagem de Maradona, que ali foi de férias com uma de suas filhas. Durante um fim de semana na casa noturna do Clube Méditerranée na ilha, Maradona jogou um vaso na cabeça da ex-miss local, Tumata Vaimarae.
A ex-miss recebeu oito pontos por causa dos ferimentos na cabeça. Para livrar-se do processo na Justiça e da elevada chance de levar três anos de prisão, Maradona teve que desembolsar US$ 6 mil a modo de indenização à ex-miss agredida.
CABINE ATROPELADA - Em fevereiro de 2006 Maradona, em pleno território argentino, no modesto bairro de Mataderos, bateu sua camionete contra uma cabine telefônica, cujos cacos de vidro voaram pelo ar, ferindo um casal de jovens que passava pela rua. O ex-jogador – e seus amigos que o acompanhavam – juram que o ex-astro não estava dirigindo o veículo na hora do acidente.
Os jovens acidentados indicaram que era o próprio Maradona que estava na poltrona do motorista. Segundo eles, o ex-jogador nem olhou para eles, pois estava mais preocupado com o estado do veículo.
Uma hora depois, Maradona entrava na casa dos pais. Ao chegar, foi abordado na porta do edifício por um repórter do canal Crónica TV. “Nem bem desceu do carro, vi que estava muito bêbado. Não conseguia caminhar direito. A língua estava embrulhada”, explicou o repórter Daniel Gretzchel.
Segundo ele, Maradona, ao ser interpelado, ameaçou: “se te pego, te faço um estrago”. Gretzchel faz seu diagnóstico: “antes de entrar em sua casa, tentou fazer um ‘4’ (com as pernas) e quase caiu. Entrou, e lá dentro, dava para ouvir que gritava e gargalhava alto. Pouco depois chegou sua filha Gianina, chorando. Percebi que havia retornado o Diego bagunceiro. O Diego de antigamente”.
TÊNIS - No mesmo dia, após ter atropelado a cabine telefônica de manhã, Maradona foi à tarde assistir um jogo da Copa Davis, da qual participava seu amigo, o tenista David Nabaldian. Desde as arquibancadas, onde assistia o jogo, “El Diez” disparou uma saraivada de palavrões contra o jogador sueco que enfrentava-se com Nabaldian. Aos gritos, as palavras de baixo calão – em tom de descontrole - foram mais um sinal de que o ex-astro estaria perturbado emocional ou quimicamente.
Jornalistas e o público presente nas arquibancadas ficaram irritados como retorno da faceta mais abominável de Maradona.

Maradona, há poucos anos, quando exibia physique du rôle de urso panda mix com Buda
CHAMPAGNE – Em 2007 Maradona foi internado no Sanatório Güemes, no bairro portenho de Palermo. No primeiro dia a família e os médicos alegavam que tratava-se apenas de uma internação para um check up. Mas, nos dias seguintes admitiram que “El Diez” estava com problemas de alcoolismo.
Maradona havia consumido dez garrafas de champanhe nas 48 horas prévias à internação.
Além do champanhe o ex-astro devorou subtanciais nacos de carne bovina e abusou do costume que adquiriu em Cuba, os charutos (o líder cubano Fidel Castro abastece regularmente Maradona com os mais finos chrarutos da ilha caribenha).
Na ocasião, um dos principais “maradonólogos” do país, Ernesto Cherqui Bialo, afirmou que Maradona – durante a visita de seus pais ao hospital – teria ameaçado suicidar-se.
Os rumores também indicavam que “El Diez” havia tentado jogar-se por uma janela. Por esse motivo, três guardas ficaram constantemente alertas para evitar que o ex-jogador tentasse o suicídio.

Enquanto assiste jogo do Boca Juniors desde seu camarote em La Bombonera, Maradona com simbologia cristã, charuto e boné com estrela da Revolução Cubana
FILHOS EXTRAMATRIMONIAIS - Maradona, ao longo dos anos, revelou-se um prolífico reprodutor. Ele teve uma vida plena de affaires amorosos com modelos, garçonetes e atrizes, desde a Argentina, passando pelo Brasil, até a Itália.
Mas “El Diez” sustenta que suas únicas e verdadeiras filhas são Dalma e Gianina, filhas de sua ex-esposa Claudia Villafañe (de quem divorciou-se em 2004). Maradona fica furioso quando a imprensa pergunta sobre seus filhos extramatrimoniais.
Os “maradonólogos” indicam que o ex-jogador jamais reconhecerá seus filhos fora do casamento que teve com Claudia Villafañe para evitar um rompimento emocional com Dalma e Gianina, filhas que Maradona idolatra.
O ex-jogador possui imensas tatuagens nos braços com os nomes de ambas filhas, em letras góticas.
Maradona afirmou em 2005 que “os filhos nascidos fora do amor, não são filhos”. Para justificar a existência dos outros filhos, o ex-astro explicou que os “erros cometidos” estão sendo pagos com dinheiro, em referência à pensão que mensalmente envia às mães das crianças que supostamente teria concebido.
O filho extramatrimonial mais famoso do ex-jogador é o italiano Diego Armando Maradona Sinagra Junior, nascido em 1986, jogador de futebol na Itália, filho de Cristiana Sinagra. O escândalo dessa relação explodiu em 1992. Maradona nunca quis fazer o exame de DNA. No entanto, a Justiça confirmou a paternidade de Maradona.
A Justiça também determinou que o ex-astro também seria pai de Jana Sabalain, nascida em 1996, filha de Valeria Sabalain.
Outro processo que corre na Justiça é para comprovar se Maradona seria o pai de Santiago, um menino argentino de seis anos cuja mãe, Natalia Garat, faleceu de câncer pulmonar. Os advogados da família Garat encaminharam à Justiça em 2005 um pedido de exame de DNA a Maradona, como forma de comprovar – ou não – se o ex-astro é o pai de Santiago. A família Garat exige que o ex-jogador sustente a criança.

PROBLEMAS RECENTES
Maradona está atualmente com problemas imobiliários. Há poucas semanas a Justiça embargou e leiloou um apartamento seu no bairro de Palermo por causa de condomínios não pagos.
De quebra, a vida familiar de Maradona está ficando tensa. Suas filhas não digerem sua namorada, Verónica Ojeda, nem a família da jovem, que cada vez mais interfere nos negócios de Maradona.
O técnico também está sendo pressionado por Valeria Sabalain, mãe de Jana, uma das filhas extramatrimoniais de Maradona.
A menina - de 13 anos - e sua mãe, de 32, residem no norte da Argentina, sob extremo low profile.
Mas, recentemente, Valeria abriu um processo contra Maradona (que nunca reconheceu a menina de forma voluntária) para que este aumente a mensalidade dos US$ 1.000 atuais determinados pela Justiça para US$ 10.000.
Segundo Valeria, Maradona, que recebe US$ 100 mil mensais pelo posto de técnico, pode pagar mais para a manutenção de sua filha.

DETALHES
Em tempo 1: Maradona nunca ajudou os moradores de Villa Fiorito, o modesto bairro operário onde nasceu, localizado no município de Lanús, na zona sul da Grande Buenos Aires.
Em tempo 2: A única campanha da qual Maradona participou, “Um sol sem drogas”, para combater o consumo de narcóticos durante o verão de 1995-1996, terminou com o próprio Maradona consumindo os produtos que ele recomendava não aspirar.
Em tempo 3: Politicamente, Maradona respaldou figuras neo-liberais como o expresidente Carlos Menem e o líder comunista cubano Fidel Castro.
Em tempo 4: Maradona com frequência lança ofensas contra a comunidade gay, disparou ao longo das últimas duas décadas afirmações machistas, e volta e meia dispara considerações racistas.

O Capitão A. Haddock elevou o insulto à categoria de Belas Artes
DE MARADONA A HADDOCK
Caso Maradona prefira proferir epítetos menos explícitos - mas mais pitorescos - ele pode recorrer ao arcabouço de insultos aplicados pelo capitão Archibald Haddock, personagem da tirinha Tintin, do belga Hergé.
Haddock, que apareceu pela primeira vez no álbum "O Caranguejo das Tenazes de Ouro" (Le Crabe aux pinces d'or), de 1940 (o nono da série) deslanchou uma profícua carreira de criativas ofensas, tornando-se uma metralhadora verbal sem paralelos no mundo dos quadrinhos. Homem do mar, era capaz de transformar qualquer verbete em insulto (ele elevou o insulto à categoria de belas artes).
A seguir, um Pequeno Haddock Ilustrado, a serviço de eventuais necessidades de Maradona:
Babuíno
Sacripanta
Catacrese
Giroscópio
Logaritmo
Astronauta de água doce
Coruja mal empalhada
Mussolini de carnaval
Aprendiz de ditator com creme de noz
Analfabeto diplomado
Cataplasma
Protozoário mal penteado
Diplodoco
Cyrano de quatro patas
Nictálope mal ajambrado
Hidrocarboneto (e também o ‘extrato de hidrocarboneto’)
Viviseccionista com molho tártaro

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12.10.09

Cão belga, acompanhado por seus colegas Homo sapiens: o toscano Giovanni di Nicolao Arnolfini e sua esposa Contanza. Na época dejetos dos caninos e humanos eram deixados nas ruas do fedorento - mas supimpa - Renascimento. Quadro de Jan Van Eyck, 1434. Atualmente na National Gallery, em Londres

A cidade de Buenos Aires conta com 425 mil perros (cachorros). O número equivale a um cachorro a cada sete portenhos humanos.
A capital argentina é uma cidade substancialmente “perrera”, como dizem os portenhos, isto é, uma urbe “cachorreira”.
A grande presença de cidadãos caninos em Buenos Aires implica em uma miríade de dejetos provenientes destes melhores amigos do homem.
No total, segundo estatísticas do governo da cidade de Buenos Aires, 70 toneladas de excrementos caninos por dia são depositadas nas ruas portenhas.
Isto é, são 7 mil toneladas de esterco canino em 100 dias.
Esta presença ostensiva de dejetos caninos torna perigosa a caminhada desprevenida pelas ruas de vários bairros de Buenos Aires. Entre os setores mais “bombardeados” estão os da Recoleta, Caballito, Flores e Palermo.
Em 150 dias os portenhos caninos produzem o equivalente a 10.500 toneladas, o equivalente ao peso da torre Eiffel! Ou, similar peso ao de oito germânicos tanques Panzer da Segunda Guerra Mundial por dia.

Paseadores de perros (passeadores de cães). Figuras tradicionais do cotidiano portenho.

Passeadores de cães, de Queóps ao bairro da Recoleta? Representação egípcia do ano 3.000 a.C.
Mas, para fiscalizar os resultados das vísceras caninas espalhados por toda a cidade existem apenas 10 inspetores (uma dezena de fiscais para 425 mil cachorros).
Nos primeiros oito meses deste ano este time conseguiu fazer o registro de mil multas a aplicar (as multas oscilam de 25 pesos a 200 pesos...mas, quase ninguém as paga).
Fazer a multa é complicado, pois o inspetor deve encontrar o cachorro ‘in fraganti’ - isto é, em pleno movimento peristáltico - com o imediato resultado depositado na via pública. De quebra, o fiscal deve provar que o dono do cachorro não pretendia limpar os dejetos recém colocados.
No ano passado o governo municipal instalou grades ao redor das praças e proibiu a entrada de cachorros.
A prefeitura tentou algumas campanhas de conscientização que não deram certo, como a que tinha o slogan: “Su perro, su caca”. O slogan acabou virando motivo de piada.

À direita, o canis lupus familiaris, em mosaico romano
Em alguns bairros, perante a lerdeza da prefeitura portenha para vários assuntos, a ação foi realizada dos próprios moradores, para ter ruas mais limpas.
No bairro de Almagro, os moradores criaram o que denominaram de “área livre de dejetos caninos”.
No bairro de San Telmo organizaram o “Festival No Caca”. O festival consistia em dar um presentinho ao dono de um cachorro que fosse visto limpando os restos na rua. Mas, sem apoio das autoridades, a iniciativa diluiu-se após seis meses de existência.
CÃES E QUINO
TIRINHA:

Cachorros. E Mafalda e sua tartaruga, Burocracia (tirinha do cartunista Quino)
FRASE:
"A medio mundo le gustan los perros; y hasta el día de hoy nadie sabe qué quiere decir 'guau' ". Metade do mundo gosta de cachorros, mas, até agora ninguém sabe o que quer dizer "au" (De Mafalda).
GUAU!: "Au!". Latido de um cachorro, em espanhol. O equivalente no idioma de Cervantes ao shakespereano "bark" ou o dantesco "bau".
Outros idiomas:
• Albanês - ham, ham
• Árabe - hau, hau; how how (هو هو)
• Basco - au-au (genérico), txau-txau (pequenos cães), zaunk-zaunk (cachorros grandes) and jau-jau (cães velhos)
• Chinês (cantonês) - wow, wow (汪汪)
• Chinês (mandarim) - wang, wang
• Esperanto - boj, boj
• Finlandês - hau, hau
• Francês - waouh, wouf, wouaf-waf, e também jappe jappe
• Alemão - wau, wau
• Grego - ghav, ghav (γαβ γαβ)
• Hebraico - hav, hav
• Hindi - bho, bho
• Japonês - wan, wan (ワンワン)
• Coreano - meong, meong (멍멍)
• Russo - gav, gav (гав-гав); tyav, tyav (тяв-тяв, para cachorros pequenos)
• Tailandês - hoang, hoang
• Vietnamita - ẳng ẳng
• Gaélico (para aqueles que apreciam música celta) - wff, wff

O drama de cachorros binacionais e o portunhol canino: Guau ou Au? Guão!
Canis lupus familiaris em dolce far niente
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08.10.09

Cemitério da Recoleta é um 'museu ao ar livre' por sua quantidade de estátuas. Estes são os anjos que decoram o mausoléu da família Indart (foto de Ariel Palacios)
A estética e a ostentação são duas marcas do cemitério da Recoleta, localizada ao lado do centro portenho. A grosso modo, poderia ser definido como o “Père Lachaise portenho”, já que ali, tal como no cemitério parisiense, estão enterradas as principais figuras da História do país, entre heróis da independência, presidentes, intelectuais e cientistas. Seria o equivalente a um cemitério que no Brasil reunisse no mesmo lugar figuras como Dom Pedro I (que está enterrado em São Paulo), Dom Pedro II (em Petrópolis), Machado de Assis (que está no Rio), ou o marechal Castelo Branco (em Fortaleza) e Juscelino Kubistcheck (em Brasília).
Este lugar de repouso eterno da elite argentina foi criado em 1822. Paradoxalmente, seu criador, o presidente Bernardino Rivadavia, que morreu no exílio na Espanha, está em um mausoléu construído na Praça Miserere, no bairro de Balvanera (uma área popularmente conhecida como “Once”).
No século XIX e início do século XX, as famílias da aristocracia exibiam sua riqueza nos túmulos. Nos fins de semana, faziam piqueniques ali, para ficar perto de seus antepassados.

Felino portenho aproveita a hora da siesta para relax funéreo sobre tumba de humanos (foto de Ariel Palacios)
Com 6 mil sepulcros e 70 mausoléus familiares - e uma área equivalente a de quatro quarteirões - esse cemitério é costumeiramente definido como “uma cidade miniatura com um quê de labirinto”.
Ele está rodeado ao sul por bares, por um complexo de cinemas no lado oeste, por um centro cultural e um shopping do lado leste, e motéis verticais no lado norte.
O mais famoso túmulo no cemitério da Recoleta é o de Eva Duarte de Perón, mais conhecida como “Evita”, ou, “a mãe dos descamisados”. Segunda esposa do general Juan Domingo Perón, Evita mobilizou as massas populares para seu marido, que governou o país entre 1946 e 1955. Em 1952 morreu de câncer. Perón ordenou seu embalsamamento e expôs o corpo da sede da maior central sindical. Mas, em 1955 o viúvo foi derrubado por um golpe e partiu em exílio.
Os militares sequestraram o corpo de Evita e levado para a Itália, onde foi enterrada com nome falso. Em 1973, Perón, que estava a ponto de voltar depois de 18 anos de exílio, fez um acordo com os militares, que lhe devolveram o corpo. No ano seguinte, foi a vez do viúvo morrer.
Durante dois anos os corpos repousaram na residência oficial de Olivos. Nesse intervalo, o país foi governado pela terceira esposa de Perón, María Estela Martínez de Perón, mais conhecida como “Isabelita”.
Isabelita morria de inveja do carisma de sua antecessora. Por esse motivo, seu braço direito, o ministro José López Rega, um astrólogo conhecido como “El Brujo” (O Bruxo), fazia que Isabelita deitasse em cima do caixão de Evita para obter desta os “fluidos energéticos”. O golpe militar de 1976 interrompeu estas tentativas esotéricas.

Túmulo de Eva 'Evita' Duarte de Perón. Uma amostragem informal sempre mostra que a maior parte das pessoas que visitam este túmulo são estrangeiras (foto de Ariel Palacios)
Perón foi levado para o cemitério de La Chacarita (há poucos anos ele foi levado para um mausoléu no município de San Vicente), enquanto que Evita foi enterrada na Recoleta, onde suas irmãs haviam comprado um túmulo para a família. Enterrada definitivamente no meio de um regime militar visceralmente anti-peronista, o túmulo de Evita evitou a monumentalidade que seus fanáticos teriam sonhado.
Ela descansa em um dos túmulos mais simples, rodeada pelos corpos da aristocracia que a detestou. E vice-versa (se bem que ela ostentava caríssimos vestidos e jóias, imitando a elite que ela afirmava que abominava).
Ironia do destino, Evita descansa a 100 metros do túmulo do general Pedro Eugenio Aramburu, autor do plano de esconder seu corpo, e um dos principais inimigos de seu marido. O próprio corpo de Aramburu foi sequestrado de seu túmulo pela guerrilha peronista em 1971.
Quando foi recuperado, a família ordenou a construção de um mausoléu a prova de novas profanações. O general repousa hoje sob toneladas de cimento. Atrás dele, em um elegante túmulo está o presidente Carlos Pellegrini, que governou o país no fim do século XIX.

Em primeiro plano o baixo túmulo de Aramburu, a prova de guerrilheiros. Atrás, com menos temores e mais charme, Pellegrini (foto de Ariel Palacios)
Outro presidente que descansa na Recoleta é Manuel Quintana, que comandou o país na primeira década do século, quando Buenos Aires era a “Paris da América do Sul”. Quintana, considerado um dos mais elegantes presidentes que o país teve, é retratado com uma estátua em bronze que o mostra vestido a rigor, como se estivesse fazendo uma breve “siesta”.

Quintana descansa. Pra valer. Deitado no caixão, deitado em sua estátua (foto de Ariel Palacios)
Nos fundos do cemitério um panteão do centenário partido União Cívica Radical (UCR) alberga os corpos de três presidentes: Hipólito Yrigoyen, Arturo Frondizi e Arturo Illía.
A poucos metros dali está o peculiar mausoléu de um casal que se detestava: o primeiro vice-presidente constitucional da Argentina, Salvador del Carril e sua esposa Tibúrcia. Del Carril recusou-se a pagar as dívidas de sua mulher e publicou um anúncio nos jornais na época avisando que não deveriam esperar que ele arcasse os gastos da gastadeira cônjuge. Ela nunca mais lhe dirigiu a palavra.
Há um século e meio descansam no mesmo lugar, mas, cada um olhando para a eternidade em diferentes direções. Ele, sentado em uma cadeira, olha para um lado. O busto dela, de costas, na parte de trás do mausoléu, para outro.

Tibúrcia, shopaholic decimonônica e seu marido e vice-presidente Salvador. De costas, pela eternidade (foto de Ariel Palacios)
A elegância predomina nos túmulos da Recoleta. Isso pode ser visto no mausoléu da família Leloir, famosa por Federico Leloir, prêmio Nobel da Química. O mausoléu possui enormes colunas que sustentam uma cúpula verde decorada com um mosaico. Outro exemplo, ali próximo, são as estátuas dos anjos que decoram o túmulo da família Indart.

Mausoléu da família Leloir. Federico, o mais brilante de todos, foi Nobel, além de inventor do molho 'Golf' (foto de Ariel Palacios)
Nas vizinhanças também está o túmulo de Pierre Benoit, um cultíssimo e misterioso francês que chegou à Buenos Aires no início do século XIX. Ele é indicado como o “delfim”, o filho herdeiro de Luis XVI, que – segundo a lenda, contrariando o que indica a História oficial - não teria morrido em Paris durante a Revolução Francesa. Benoit, que morreu em 1833, foi um arquiteto importante na Argentina. Ele teve um filho que seguiu seus passos e está no mesmo túmulo.

Pierre Benoit ou Luis XVII? (foto de Ariel Palacios)
O escritor Jorge Luis Borges, em vários poemas, indicou que descansaria na Recoleta, tal como seus antepassados. Mas, no último ano de vida, 1986, residiu em Genebra, Suíça, onde mudou de ideia, pedindo para ali ser enterrado. No entanto, diversos intelectuais argentinos pedem que seu corpo seja repatriado e colocado no mausoléu da família de seu avô, o coronel Isidoro Suárez, imortalizado nos poemas e relatos do neto.
A Recoleta também tem suas histórias de fantasmas. A mais famosa relaciona-se com o túmulo de Rufina Cambaceres, filha de uma família aristocrática, morta no dia de seu décimo-nono aniversário, em 1903.
Enterrada às pressas, por causa da dor de seus pais, ela teria ainda estado viva no momento do funeral (sofreria de catalepsia), já que dias depois, por desconfiança de um deslocamento da terra acima, seu caixão foi aberto e encontraram o corpo da jovem fora da posição original.

Aqui tenta descansar Rufina Cambaceres, 'la dama de blanco'
A tampa do féretro de Rufina, do lado interno, tinha as marcas de suas unhas, mostrando sua desesperada tentativa de sair. A lenda indica que ela é a “dama de branco” que vaga ao redor do cemitério durante algumas noites.
Um dos túmulos mais pungentes da Recoleta - relativamente novo, de 1970 – alberga os restos de Ana Crociatti, uma jovem que morreu em sua lua de mel no meio de uma avalanche. Seus pais erigiram-lhe uma estátua que a representa, ao lado do cachorro que amava, Sabu. A placa, em bronze, registra a imensa tristeza dos pais, que ali perguntam, em italiano, “perché, perché...? (porquê, porquê?).

'Perché, perché', perguntavam-se os Crociatti. Ana ao lado do fiel Sabu (foto de Ariel Palacios)
MORTOS ILUSTRES TAMBÉM ESTÃO EM PRAÇAS, IGREJAS E CHÁCARAS
O criador da Recoleta, o presidente Bernardino Rivadavia, que morreu no exílio na Espanha, paradoxalmente não descansa no cemitério que inaugurou, mas sim, a 24 quarteirões dali, no meio da Praça Miserere, em um monumental mausoléu que passa despercebido da imensa maioria dos portenhos por causa dos camelôs que circulam a seu redor.
Rivadavia havia deixado instruções explícitas para não ser enterrado nem em Buenos Aires ou Montevidéu ou “em qualquer outra cidade à beira do rio da Prata”.

Mausoléu de Rivadavia, primeiro presidente da Argentina. Camelô vendendo saborosos sanduíches. Fila para os sanduíches incluída
Mas, em 1857 seu corpo foi levado à capital argentina, no meio de uma cerimônia fúnebre apoteótica que reuniu 60 mil pessoas, mais da metade da população da cidade na época. Desde 1932 ele descansa, contra sua vontade, no mausoléu rodeado pelas barraquinhas de cachorro-quente e pipoca.
O general Manuel Belgrano, criador da bandeira argentina, está enterrado sob um monumento localizado na frente da Basílica do Santíssimo Rosario, nas esquinas da avenida Belgrano e da rua Defensa, no bairro de Monserrat, ao lado do turístico bairro de San Telmo.
Belgrano estava enterrado dentro da igreja, mas em 1897, o governo decidiu construir um túmulo mais destacado para o herói nacional. Durante a transferência, o caixão foi aberto pelas autoridades. Diversos ministros surrupiaram dentes do defunto criador da bandeira, a modo de souvenirs, fato que transformou-se em um escândalo. Quase todos os dentes foram devolvidos. Quase todos.

Túmulo do criador da bandeira, na frente de igreja no centro portenho. Ministros tentaram surrupiar dentes do defunto para tê-los como souvernirs (foto de Ariel Palacios)
Outra figura da História argentina que tampouco está presente em um cemitério é o herói da independência, o general José de San Martín, que descansa em um “puxado” da catedral de Buenos Aires, na frente da Praça de Mayo. Por ser maçom, o general não podia repousar no terreno da catedral.
Mas, a esperteza portenha encontrou uma saída, a de aderira ao corpo central do edifício um anexo onde as cinzas de San Martín descansariam pela eternidade. O cofre com os restos do herói são protegidos durante o dia por uma dupla de granaderos, o corpo especial do Exército criado pelo general.
Longe do centro de Buenos Aires descansa outro general, a figura mais emblemática da política argentina no século XX, o general Juan Domingo Perón. Ao morrer, em 1974, ficou provisoriamente em uma sala da residência de Olivos.
Mas, com o golpe de 1976, Raquel Hartridge, esposa do ditador Jorge Rafael Videla, foi morar em Olivos. Ela indicou rapidamente ao marido que não pretendia morar sob o mesmo teto de dois defuntos, mais ainda, porque eram dois mortos que abominava, Perón e Evita.
Evita foi colocada no cemitério da Recoleta e Perón ficou até 2006 no cemitério de La Chacarita. Nesse ano ele foi transferido para um mausoléu construído na antiga chácara no município de San Vicente, na Grande Buenos Aires, que possuía quando era presidente.
Lideranças peronistas tentaram convencer a família de Evita a permitir o traslado de seu corpo para San Vicente. Mas, suas irmãs recusaram a proposta. A alternativa foi a de realizar um novo enterro para Perón, que continuaria descansando sem a companhia da esposa.
O segundo funeral de Perón foi conturbado, já que facções antagônicas do Peronismo confrontaram-se aos tiros no dia do enterro, ao lado do caixão, que foi depositado no mausoléu às pressas. As lideranças peronistas levaram um ano para eliminar vestígios da destruição realizada durante os confrontos.
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GUIA FUNÉREO
Fotos de outros túmulos na Recoleta (fotos de Ariel Palacios)

Túmulo da família Poli

Túmulo da família Borges

Túmulo do presidente Julio A.Roca

Túmulo dos Alvear

Túmulo do boxeador Luis A. Firpo

Túmulo de um imigrante italiano que fez a 'América'

Túmulo do general Luis María Campos

Túmulo de soldados argentinos, uruguaios e brasileiros mortos na Guerra do Paraguai

Túmulo do presidente Mitre
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06.10.09

Gaucho argentino, fotografado em 1868 em Lima, Peru. Feita no atelier dos irmãos Courret
Para começar a semana, umas expressões tipicamente portenhas...
Haceme una gauchada: “Me faz uma gauchada”. ‘Gauchada’ seria algo relativo ao ‘gaucho’, o habitante dos Pampas. Mas, neste caso, atribuindo ao gaucho uma boa disposição para ajudar as pessoas, equivale a “me quebra o galho”.
Segundo José Gobello, da Academia del Lunfardo, é um "favor que se faz generosamente e sem esperar recompensa alguma".
Frase: "gracias, me hiciste una gauchada" (obrigado, você me fez uma gauchada).
Se hizo pomada: “Ficou feito pomada”. Isto é, ‘estatelou-se’. Exemplo: o deputado Mutatis Piantadini foi esmagado por um meteorito quando saia de sua garçonnière na rua Juncal. O meteorito ‘lo hizo pomada’. Também pode ser usado no sentido de “fazer alguém pomada”. Voltando ao deputado Mutatis Piantadini: no debate na TV, o deputado Mamerto Zoilo de Azcuénaga y Azcárate ‘hizo pomada’ o deputado Mutatis. Mais um exemplo: o plano econômico do governo ‘hizo pomada a los pobres’.
Que julepe!: “Que medo!” Julepe viria do árabe ‘chuleb’. Este, por seu lado, viria do persa ‘gul-ab’ (rosa-água), que possui o sentido de ‘xarope’. Um xarope com um toque adocicado, para dissimular o sabor. E, como muitas pessoas, especialmente tem (ou tinham, antigamente) medo de xarope, daí o ‘julepe’. A palavra integra o lunfardo portenho há pelo menos um século.
Jorobate!: Literalmente, ‘fique corcunda!’. Joroba é corcunda. Equivalente a ‘dane-se!”
Ni fu ni fa: Mais ou menos. Nem chove nem molha. Não cheira nem fede.
Chau pinela!: Tchau pinela! Expressão usada por pessoas de mais de 60 anos para indicar que algo acabou. Normalmente vem acompanhado do Y (e) na frente. “Y..chau pinela!”.
MARADONIANO 'CHAU PINELA'?
“Depois das eliminatórias vou conversar com ‘Don’ Julio para ver se continuarei”. Com estas palavras, o técnico da seleção argentina, Diego Armando Maradona, indicou na terça-feira, pela primeira vez, que poderia deixar o posto que ocupa há quase um ano.
“Don Julio” é Julio Grondona, o poderoso presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), entidade que comanda há 30 anos de forma ininterrupta.
Maradona está com a imagem em baixa. Após uma sequência de derrotas que colocaram a Argentina à beira da desclassificação para Copa do Mundo da África do Sul, a torcida exige sua remoção. Diversas pesquisas indicam que mais de 80% dos torcedores desejam que ele abandone seu posto.
“Meu compromisso é com os ‘muchachos’ (rapazes) e com Julio, a quem eu disse que aceitava o cargo quando ele me convocou. Depois que tudo isto passe (as eliminatórias da Copa do Mundo) voltarei a me reunir com Grondona. É que há coisas que aconteceram e que eu não gostei, e agora vou lhe dizer”, disse Maradona, com olheiras, o rosto inchado e visivelmente irritado com a perda de prestígio que está sofrendo.
Os analistas esportivos destacam que Maradona – errático em sua função de técnico - perdeu a autoridade perante vários jogadores que meses atrás o idolatravam.
“Quando cheguei, era o homem mais feliz do mundo. Mas, depois mudaram algumas coisas, sobre as quais falarei na hora adequada. Vou avaliar se eu continuo...com minhas condições”.
Maradona também lamentou a ausência do jogador Pablo Zabaleta, que está machucado, no jogo decisivo que a Argentina terá contra o Peru neste sábado. “Vou me virar com este plantel”, disse Maradona resignado.
A Argentina enfrentará o Peru no portenho estádio Monumental de Núñez no dia 10 de outubro. Quatro dias depois será a vez do confronto dos argentinos com o Uruguai em Montevidéu, no estádio Centenário.

E de brinde, umas frases de Mafalda, a menina-filósofa criada pelo cartunista Quino:
- Todos acreditamos no país! O que já não sei a esta altura é se o país acredita na gente...
- Estamos fritos rapazes! Acontece que, se a gente não se apressa em mudar o mundo, depois é o mundo que muda a gente...
- Mais do que um planeta, este aqui é uma grande casa da mãe Joana espacial!
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04.10.09

AQUELLAS PEQUEÑAS COSAS
Mercedes canta com o catalão Joan Manuel Serrat "Aquellas pequeñas cosas" (Aquelas pequenas coisas).
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=VSDX8mJHSfs

Mercedes Sosa faleceu neste domingo às 5:15 horas da madrugada, após mais de duas semanas internada por problemas renais e hepáticos agravados por complicações cardíacas e respiratórias. A intérprete que imortalizou canções como “Gracias a la vida” (Obrigado à vida) e “Alfonsina y el mar” (Alfonsina e o mar), de 74 anos, havia recebido a extrema-unção das mãos de um de seus amigos, o padre José Luis Farinello.
Políticos e intelectuais argentinos expressaram seu pesar pela morte da cantora, que nos anos 70 e 80 foi símbolo de resistência às ditaduras militares na América Latina.
A artista estava em coma farmacológico desde a quinta-feira. Ela havia sido internada no dia 18 de setembro na clínica de la Trinidad, no portenho bairro de Palermo.
Poucas horas antes de sua morte, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, havia manifestado seu “carinho e admiração” por Mercedes.

A cantora, em um de seus últimos shows
A cantora possuía um vínculo especial com esse país, já que havia tornado famosos em todo o mundo diversos poemas da poetisa chilena Violeta Parra e do poeta Pablo Neruda (1904-73).
Mercedes também imortalizou poemas do argentino Atahualpa Yupanqui (1908-92).
Uma das canções mais famosas interpretadas por Mercedes era "Alfonsina y el mar", que relata poeticamente a morte da poetisa suíço-argentina Alfonsina Storni (1892-1938), cujo organismo havia sido devastado pelo câncer.
Haydee Mercedes Sosa, ou mais simplesmente “La Negra” (A Negra, por seus cabelos pretos e tez morena) – como era chamada carinhosamente por seus colegas e fãs - foi a “voz” dos exilados argentinos durante a última Ditadura Militar (1976-83).
A contralto também interpretou tangos e rocks argentinos.
Recentemente havia recebido três indicações para o Grammy Latino 2009 por seu álbum “Cantora 1”, no qual fez duetos com cantores internacionais, entre eles a colombiana Shaquira e o catalão Joan Manuel Serrat.
Seu corpo será velado ao longo deste domingo no Congresso Nacional.
As primeiras informações indicavam que, seguindo os desejos da falecida cantora, seu corpo seria cremado. Suas cinzas seriam espalhadas em Buenos Aires e algumas províncias argentinas.

Mercedes e Shaquira, duas gerações em perfeita sintonia
DUERME NEGRITO
Mercedes Sosa cantando "Duerme negrito".
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=gKgEBBUI6U4&NR=1
LA MAZA
Mercedes, acompanhada da colombiana Shaquira, canta 'La Maza'.
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=uOBgCdWY17s&feature=related
HERMANO DAME TU MANO
Mercedes entoa 'Hermano dame tu mano', um clássico latinoamericano.
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=66CIXfPvvPc&feature=related
E um tango com Mercedes, do último álbum, "Cantora 1".
NADA
Mercedes canta um dos mais belos (e pouco conhecido no exterior) tangos, "Nada" (letra de Horacio Sanguinetti e música de José Dames)
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=HnfIrmzUBzI&feature=SeriesPlayList&p=33E742356DFB0712
TONADA DEL VIEJO AMOR
Esta canção é de Eduardo Falú. Neste domingo, o artista lamentou, pouco depois da morte da amiga: "estamos cada vez mais sozinhos".
"Tonada del viejo amor". O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=mnHWXZ-x6p4

Mercedes Sosa e Luciano Pavarotti. Quando o tenor italiano faleceu, há dois anos, o recordou como um "grande cavalheiro". Juntos, cantaram no estádio do Boca Juniors em Buenos Aires em 1999
GRACIAS A LA VIDA
Os versos de uma das mais famosas canções interpretadas por Mercedes Sosa são da autoria da chilena Violeta Parra.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canarios
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
asi yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
A canção, na voz de Mercedes Sosa.
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I
ALFONSINA Y EL MAR
E para encerrar, "Alfonsina y el mar", uma das canções mais emblemáticas da carreira de Mercedes Sosa.
A letra foi escrita pelo historiador Félix Luna.
Os versos "Cinco sirenitas / Te llevarán /
Por caminos de algas / Y de coral" são de dilacerar o coração.
Por la blanda arena
Que lame el mar
Su pequeña huella
No vuelve más
Un sendero solo
De pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Un sendero solo
De penas mudas llegó
Hasta la espuma.
Sabe Dios qué angustia
Te acompañó
Qué dolores viejos
Calló tu voz
Para recostarte
Arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta
En el fondo oscuro del mar
La caracola.
Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.
Cinco sirenitas
Te llevarán
Por caminos de algas
Y de coral
Y fosforescentes
Caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes
Del agua van a jugar
Pronto a tu lado.
Bájame la lámpara
Un poco más
Déjame que duerma
Nodriza, en paz
Y si llama él
No le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él
No le digas nunca que estoy
Di que me he ido.
Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fueste a buscar?
Una voz antigua
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.
A música é do pianista Ariel Ramírez.
Aqui, em uma versão de Mercedes Sosa.
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=GN9z585ziww

Eduardo Falú, Mercedes Sosa e Ernesto Sábato
JORNAIS ARGENTINOS
No La Nación, o texto do jornalista Gabriel Plaza, um dos melhores que cobrem a área artística.
http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1182378&pid=7456934&toi=6258
E este artigo, do jornal Crítica:
http://www.criticadigital.com/index.php?secc=nota&nid=30557
No Clarín:
http://www.clarin.com/diario/2009/10/04/um/m-02012095.htm
A notícia, no jornal Perfil:
http://www.perfil.com/contenidos/2009/10/02/noticia_0035.html

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02.10.09

'No te vayas'. Não vá embora, pedem os internautas a Mercedes Sosa
A cantora Mercedes Sosa, de 74 anos, que imortalizou “Alfonsina y el mar” e tantas outras canções está internada, em grave estado de saúde. O tom dos parentes e amigos da cantora é de desconsolo, já que as chances de sobrevivência são poucas. Os médicos também ressaltam que a saúde de Mercedes está piorando. Ela foi colocada em coma farmacológico nesta sexta-feira.
O site oficial de Mercedes Sosa, o www.mercedessosa.com.ar , foi visitado por mais de 700 mil pessoas nos últimos dois dias. Seus fãs deixaram centenas de mensagens de respaldo. Uma delas, Mercedes, xará da cantora, fez um pedido sucinto: “no te vayas” (não vá embora).
Seu médico pessoal, Arnoldo Epelbaum, afirmou que os problemas cardíacos da cantora, junto com a insuficiência renal provocaram um ‘desabamento total’ em sua saúde.
Segundo Epelbaum, a cantora sofre do mal de Chagas há mais de 30 anos. Essa doença é frequente no norte da Argentina, região natal da cantora, que nasceu na cidade de Tucumán.

Mercedes e o bombo, instrumento tradicional do folclore argentino
Mercedes foi a “voz” dos exilados durante a última Ditadura Militar (1976-83). No entanto, apesar da dura repressão, a cantora ficou no país nos primeiros anos da Ditadura.
Mas, em 1979, após ser detida pelos militares no próprio palco no qual realizava um show na cidade de La Plata (a cantora foi detida, além de toda a plateia, que também foi presa), teve que partir do país.
Meses antes do fim do regime militar e da volta da democracia, em 1983, ela retornou e protagonizou um show no Teatro Opera que transformou-se em um ato cultural contra a Ditadura.
Carinhosamente chamada de “La Negra” (A Negra), por seus cabelos pretos e tez morena, a contralto imortalizou canções como “Gracias a la vida”, da poetisa chilena Violeta Parra, além de poemas do também chileno Pablo Neruda, e de argentinos como Atahualpa Yupanqui. Mercedes Sosa também interpretou tangos e peças do rock argentino, além de ter feito duetos com diversos cantores brasileiros, de Caetano Veloso a Chico Buarque, passando por Beth Carvalho.
Mercedes Sosa recebeu três indicações para o Grammy Latino 2009 por seu álbum “Cantora 1”, no qual faz duetos com o espanhóis Joan Manuel Serrat e Joaquín Sabina, além da colombiana Shaquira e o argentino Fito Páez.
O anúncio do vencedor do Grammy será realizado no dia 5 de novembro em Las Vegas, EUA.
Segundo o jornalista Mario Mactas, Mercedes Sosa, tal como Pablo Picasso, “mudou ao longo de sua vida e foi incorporando novas coisas. Ela também entrou em ritmos como o tango, o rock e o pop. Ora, a música é uma só e não pode ser dividida para vender Cds nas estantes das lojas”.
Pressa enciclopédica: Nesta sexta-feira às 18:17 horas, o verbete 'Mercedes Sosa' no Wikipedia, indicava no quesito 'Morte' que a cantora havia falecido no dia 2 de outubro.
Mas, até esse horário, a cantora ainda estava viva. Às 18:36 horas o registro da ainda não ocorrida morte da cantora já havia sido deletado.
13:02
Segundo o site Infobae, às 13:02 deste sábado:
Empeoró en las últimas 24 horas la salud de "La Negra" Mercedes Sosa
Se conoció un nuevo parte médico, donde se informó que "sigue en coma farmacológico y se profundizó el deterioro de sus funciones orgánicas". Ayer, el padre Farinello le dio la unción de los enfermos
El pronóstico de la cantante sigue siendo reservado. Su estado de salud es grave, continúa en coma farmacológico y con asistencia respiratoria mecánica dentro de terapia intensiva. Con el pasar de las horas, se muestra desmejorada.
En un mensaje emitido, sus familiares agradecen "a todos los argentinos por la preocupación" y ruegan a los medios "discreción".
Se espera que en el transcurso de la tarde lleguen más personalidades a visitar a los familiares. Incluso la presidente Cristina Kirchner habría manifestado su deseo de asistir al Sanatorio de la Trinidad.
La familia pertenece todo el tiempo cerca de la sala de terapia intensiva.
Mercedes Sosa entoa “Alfonsina y el mar” (Alfonsina e o mar, sobre o suicídio da poetisa argentina Alfonsina Storni, cujo organismo estava sendo devastado pelo câncer). Mercedes, acompanhada pelo pianista Ariel Ramírez, em 1983. A letra é do historiador Félix Luna.
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=xqeyyH-PoFs&feature=related
E outra versão, duas décadas e meia depois, em um show no Rosedal, em Buenos Aires. O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=UQHdTyIMX5o&feature=related
Esta outra, na qual canta o tango “El día en que me quieras”, também no show do Rosedal. O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=jb1lAeLwtao&feature=related
E esta, também no Rosedal, uma de minhas preferidas, “Al jardín de la República”, canção que evoca a cidade de Tucumán, terra natal de Mercedes Sosa. Esta canção havia ficado um pouco fora do repertório da cantora nas últimas décadas. Neste vídeo, de 2007, ela admite que há tempos não a canta essa ‘zamba’.
O link:
http://www.youtube.com/watch?v=6Evd-IENpzs&feature=related
Com o roqueiro Charly García, há poucos meses:
http://www.youtube.com/watch?v=4mdBeirLLMs&feature=player_embedded#
“Todo cambia”. Mercedes Sosa canta os versos do chileno Julio Numhauser para um público em frenesi em Santiago do Chile.
O link:
http://www.youtube.com/watch?v=g8VqIFSrFUU&feature=related
E esta, uma gravação de quase três décadas. Mercedes canta “Gracias a la vida”.
O link:
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I&feature=related
E, para encerrar, Mercedes Sosa com Soledad Pastorutti, a jovem voz do folclore, na chacarera “Deixe que eu vá embora”. Foi o encerramento do festival de Cosquín, província de Córdoba, no ano passado.
O link:
http://www.youtube.com/watch?v=yUAU53v7WRk&feature=related

Mercedes Sosa com Félix Luna e Ariel Ramírez. Três potências se reúnem: a carismática cantora, o historiador que ocasionalmente fazia versos e o refinado pianista
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Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
Todos os comentários devem ter relação com o tema da postagem.
E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.
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Ariel Palacios é correspondente em Buenos Aires de O Estado de S.Paulo. Master em Jornalismo pela Universidad Autónoma de Madrid/Jornal "El País".
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