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05.07.09

por Antonio Prata, Seção: Crônica do Metrópole 19:52:23.

Meu senhor, minha senhora, desculpa tocar no assunto, mas você vai morrer. Não se ofenda, vamos todos: eu, a Dona Eulália do 51, a rainha Silvia da Suécia e a voz da chamada a cobrar. Talvez não hoje, nem em dez anos, mas uma hora dessas bateremos as botas e batidas elas ficarão, até virarem terra, depois capim, minhoca, cachorro e daqui milhões de anos, quando o sol explodir, voltaremos à poeira cósmica de que viemos.

Eu sei que você sabe disso - sempre soube -, mas aposto que não estava pensando no assunto quando começou a ler essa crônica. Nós raramente pensamos na morte. Sabemos que ela existe em algum lugar distante, assim como, digamos, os ornitorrincos - e assim como vivemos muito bem, obrigado, sem nunca topar um ornitorrinco, nutrimos lá no fundo a esperança de, quem sabe, jamais darmos de cara com Ela.

Talvez seja melhor assim. Seria impossível viver de olho na ampulheta. O dia-a-dia transformaria-se num filme do Bergman, ficaríamos cambaleando por corredores escuros e resmungando sobre o tempo e o nada, ou quem sabe sairíamos loucos pelas ruas, pelados, saqueando supermercados, bebendo Cynar no gargalo e cantando A Jardineira; imagina só botar as crianças pra dormir ou calcular o imposto de renda no meio da confusão?

Não é por desleixo que ignoramos a morte: empenhamos muita energia nessa direção. Está vendo esses homens embriagando-se no bar? Aquela garota de sobrancelhas franzidas analisando a tabela nutricional do iogurte? O casal brigando dentro do carro? Tudo para não olharmos de frente a grande defenestradora. Tergiversamos o quanto podemos, mas não postergamos: uma hora ela chega, nós vamos.

Não, caro leitor, essa não é uma crônica edificante. Não recomendarei que viva todo dia como se fosse o último, pule de pára-quedas, faça as pazes com seu irmão. Talvez essas ações te façam bem, mas isso nada tem a ver com a morte. Ter uma vida plena só é bom enquanto estamos vivos; defuntos, Don Juan e a dondoca são iguaizinhos.

Veja só os gregos, tão sabidos: todos mortos. Shakespeare, morto! Einstein, morto! A Marilyn Monroe, Noel Rosa e o Cacique Tibiriçá, mortos, mortos, mortos! “Ah, mas eles sobreviveram em nossa memória!”. Grande coisa. Lembranças não comem picanha, não fazem sexo e, mesmo vivendo na cabeça de milhões de pessoas, nunca sentiram o prazer de um cafuné.

Paciência. O negócio é tocar pra frente. Vamos lá, hoje é domingo. Tem jogo? Churrasco? É dia de cortar as unhas dos pés? Melhor não pensar na morte e torcer para que ela também não pense na gente. Quando ela vier, que venha: antes disso, que fique lá pros lados da Austrália, junto aos ornitorrincos.

Desculpa tocar no assunto.

 

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Comentários:

Comentário de: Felipe Silveira [Visitante]
05.07.09 @ 22:42
Meu Deus! Todos os gregos estão mortos???!! O que aconteceu do outro lado do riozão?

Brincadeira, Prata. Passo todos os dias aqui para ler alguma genialidade. Dá certo quando publicas algo!

Abraço
Comentário de: Otávio Pacheco [Visitante] · http://www.contraventor.blogspot.com
06.07.09 @ 02:37
Hoje é domingo e eu to trabalhando desde não sei quando. Trabalhei ontem e outros dias antes. Se eu fosse morrer amanhã, ou nessa semana próxima, que seja, eu deixaria de trabalhar agora e iria pra praia me embebedar e ver o sol nascer de frente para o mar. Se eu morrer de fato essa semana terá sido um desperdício ter trabalhado hoje e ontem.
Ah, e a minha empresa, por coincidência, se chama Ornitorrinco Filmes, então não está tão longe assim, para mim.
Comentário de: Marcia [Visitante]
06.07.09 @ 07:53
Como assim, morrer?? Eu também??? hummmm... Enquanto isso vou me satisfazendo em pensar no sexo e na picanha... Sai prá lá, ornitorrinco!
Tá bom, vai... tá desculpado!
Comentário de: Ricardo Nunes de Carvalho [Visitante]
06.07.09 @ 08:16
Prata
Gostaria que comentassem mais. Imagina só nos comerciais "O ministério da Saúde adverte - Prepare-se, você vai morrer um dia. Viva como se vosse o último dia, com a responsabilidade da eternidade". Convivo com a morte todos os dias, não, eu não trabalho em uma funerária, eu a sinto diariamente, não tanto quanto a vida, pois seria muito melancólico se assim fosse. Isso faz com que eu deixe a menor quantidade de pendências possíveis. Lembrando da morte dou valor a cada momento: aquele friozinho da manhã, as luzes da cidade vista do auto, uma criança, um idoso, uma deliciosa comida japonesa, o tempo que se esvai.... Quando não me lembro dela sou uma pessoa menor, pois fico irritado, sou desagradável, pouco compreensivo e desta forma eu não estou construindo.
Eu, como muitos, gostaria que a minha morte fosse rápida, arrebatadora, assim como uma paixão, daquelas que nos desorienta, mas não posso escolher, pelo menos até a aprovação da eutanásia. Comento com os meus colegas de serviço que se eu estiver no estado terminal é para puxar a tomada. Os amigos puxaram e irão embora, os inimigos puxarão e colocarão de volta, irão fazer isto várias vezes. Sei lá, deve ser a dúvida se é a coisa certa.
Boa morte para todos
Comentário de: kleber [Visitante]
06.07.09 @ 08:22
e.......?
Comentário de: Charles [Visitante]
06.07.09 @ 08:24
Morte, morte.... talvez seja o segredo dessa vida.

Abraço

Charles.
Comentário de: Marcos de Luca Rothen [Visitante]
06.07.09 @ 08:24
Eu não vou morrer, e aposto isso com qualquer um e qualquer valor!
Comentário de: Nilton [Visitante]
06.07.09 @ 08:34
Aeehhh, mano Prata, seu texto vale Ouro! Se vc achou que me deprimiu, errou! Mas vou deprimí-lo. Vc sabe o q somos e o q fazemos? Tem coisa + bela q maçã madura, picanha assada, doce de abóbora? Então, mano velho, nossa razão de existir é transformar essas coisas maravilhosas em estrume. Pois é: desde que nascemos até a morte, somos magníficas máquinas de transformar coisas belas em ...erda. Não importa o qto estudemos, qto $$$ fizermoss, somos todos fábricas de ...erda. Não é a constituição q nos iguala, é a ...erda. E o q poderíamos esperar disto? Evolução? Pois é, meu caro, e ainda somos arrogantes, nos achamos inteligentes... O único consolo q tenho é q qdo morrer, vou servir ao Deus Minhoca, q nos criou para nos comer no final. Da ...erda viemos e nela nos transformaremos. Q ...erda, hein?
P.S. Evite suicidar-se, pois o Deus Minhoca não gosta muito de carne mal-passada. Nossa morte natural é determinada pelo timer do fogão do tempo. Qdo estivermos no ponto, pumba!
Comentário de: Emerson [Visitante]
06.07.09 @ 08:34
Até que enfim alguém tocou nesse assunto. Esse "desconhecimento" da morte é algo recente. Antigamente, as pessoas sabiam que tinham data de validade e encaravam a morte com naturalidade. Atualmente, a gente vive numa sociedade de consumo, que insiste que a gente permaneça sempre jovem e saudável. Não coma carne vermelha! Não fume! Não beba! Assim você vai viver mais... Acabamos nos tornando escravos dessa sandice... o Michael Jackson, com as suas infinitas cirurgias que o diga, mas acabou morrendo e vai ficar do mesmo jeito que o meu pai, pó a sete palmos debaixo da terra. Seria legal que essas "celebridades" lessem o seu texto, talvez pensassem duas vezes antes de querer esconder a idade atrás de maquiagem e fotos adulteradas em computador.
Comentário de: Tetsuo (Visitante) [Visitante]
06.07.09 @ 08:39
Prata,

a morte é igualmente bendita. O que tememos é morrer sofrendo; fico a pensar que premio maior para uma pessoa que vai dormir e, na manhã seguinte, "esqueceu" de acordar. O tema pode não ser "desejado" mas nascemos para morrer e, felizes aqueles cujos nomes serão "bem" lembrados.
Comentário de: Marcio Campaneira [Visitante]
06.07.09 @ 08:58
Já que é para ser "Dark", então "toma" logo uma poesia idem, que achei pesquisando o "assunto"...


Mortalidade

Aonde vai de nós a vida, assim doída,
que por mais busquemos, ela nos vai;
nos deixa; 'alegremente' se esvai.
Aonde anda ela, essa tão mortal ferida.

Que de sonhos e deslumbres tais,
nos inebria, sem que evitar se possa,
vivendo da rude ignorância nossa,
de nela crer, e nos crer não mortais...

Que de suspiros tantos só vivemos,
nessa mania louca em crermos no eterno,
vida de crença em um certo "eu" interno,
alegoria essa que debalde cremos.

Aonde então a vida anda, tal vil mentir,
que qual fora verdade em essência,
nos tolhe em todo esta pouca consciência,
De irmos à ela, mas ela de nós partir...

de Iran P. Moreira Necho

Extraído de: http://www.mnecho.com/cultura/poemas/necho/mortalidade.html
Comentário de: Margarida Varani [Visitante]
06.07.09 @ 09:11
Quando minha mãe faleceu, tive essa visão, saia na rua, olhava para as pessoas e pensava...todos nós vamos morrer, isso é certo, para que continuar trabalhando, stressando com o transito, comemorando, comendo, brincando, nada tinha graça era inútil. Fiquei assim durante uns meses, apenas sobrevivia vegetativamente, queria desistir desse planetinha.
Mas o tempo foi passando, a graça voltando, voltei a sorrir e hoje recuperada acredito que se estou aqui (nesse planetinha) o melhor a fazer é aproveitar antes de virar terra, viver, comemorar e deixar os encontros com os ornitorrincos para quando acontecerem, quem sabe eles são interessantes.

Abraços
Comentário de: Ivan Caetano [Visitante]
06.07.09 @ 09:12
Sr. Antonio Prata, com certeza, todos nos morreremos um dia, se ler Genesis 6.3 verá que DEUS já determinou o nosso tempo no maximo e no Salmo 90.10 nos fala até quanto viveremos.
A vida é muito curta, veja as vaidades de Salomão em Eclesiates, onde vivemos somente debaixo do sol sem se importar com DEUS.
A vida é curta, devemos desfrutar das beleza que ele nos oferece sem contudo esquecer do Nosso DEUS. Leia Salmo 90 na integra.
Lembre-se a vida é eterna após a morte para todos, a opção de desfruta-la com DEUS na eternidade e de cada um. Marcos 6:36-37
Abraços e tenha um bom dia.
Comentário de: Loire [Visitante]
06.07.09 @ 09:32
Algumas ervas não devem ser fumadas com frequência!
Comentário de: Jose Antonio Pereira [Visitante] · http://galileia
06.07.09 @ 09:38
Muito bom o texto.
Comentário de: Nelson Luiz de Oliveira [Visitante] · http://enquantodescansacarregapedra.blogspot.com/
06.07.09 @ 09:48
Tá bem escrito, mas eu não concordo que as pessoas afastem a tal ponto a idéia da morte. Duvido que alguém não pense na morte uma vez sequer por dia. Até em reação a fatos do cotidiano, como um notícia que leu ou um acidente que ouviu falar, um cohecido que se foi, etc. Algumas pessoas encaram com mais serenidade, outras vivem atordoadas e outras escapolem por meio de estratagemas diversos, um deles o foco em trivialidades. Mas de alguma maneira essa ideia está todos os dias dando a sua cutucadinha. Acho que o ornitorrinco se associe mais com coisas específicas, como ser vítima de uma doença como a Aids, a gripe suina ou morrer de desastre de avião, mas a morte como "grande defenestradora", essa está aí todo dia nos incomodando, como coceirinha ou alergia das brabas.
Comentário de: Andre [Visitante]
06.07.09 @ 09:53
Ornitorrinco nao existe. O nome e' PLATIPUS.
Comentário de: Vanessa [Visitante]
06.07.09 @ 09:56
Por que pedir desculpas?
Comentário de: bolinha [Visitante]
06.07.09 @ 10:08
Prezado Prata,
Uma visão pouco criativa da morte. Mas muito materialista e Católica. A vida é fonte de aprendizado, a morte a finalização da tarefa cumprida, ou total o parcial, mas que se parte para novas premissas de aprendizado. Total as religiões, algumas de forma clara ou tras velada falam que a realidade não é deste mundo, pois vivemos na ilusão, pois não somos isso que você vê, mas aquilo que nos é etereo.
Você demonstra, no texto, inteligencia, mas pouca informação sobre o assunto.
Comentário de: Lucia Grinberg [Visitante]
06.07.09 @ 10:26
Brilhante sua crônica! Perfeita para o momento de crise pelo qual passa a economia global. As vezes faço uma reflexão sobre o assunto e percebo como é difícil para os seres mortais, nós no caso, falarmos sobre morte com a mesma naturalidade que falamos da vida. Desperdiçamos tempo falando bobagens, ofendendo, criticando, cobrando,gritando... Compramos zilhões de coisas que nem precisamos, e jamais temos o bom senso de avaliar que metade dessas coisas não usamos. E
derrepente estou eu aqui pensando na morte e como deve ser bom ir em paz para o outro lado. Seria positivo se a humanidade pensasse que não poderá levar consigo tantas coisas inúteis que adquirem ao longo da vida. Obrigada. Um superabraço.
Comentário de: paulo [Visitante]
06.07.09 @ 10:47
putz,

vamos morrer um dia??

caramba!!!!

nenhum jornalista jamais teve a coragem de me dizer isso!!

cara, vc mudou minha vida....


grato.
Comentário de: Ocimar Bernardi [Visitante]
06.07.09 @ 10:51
Essa foi muio boa KKKKK Não se desculpe por tocar no assunto, alias é sempre bastante oportuno, serve para dar-nos uma chaqualhada e vivier mais abundantemente....Parabens a você e aos ornitorrincos
Comentário de: Rogerio [Visitante]
06.07.09 @ 10:53
Antonio Prata,

Será que todos nós vamos morrer mesmo? ou será que nunca vivemos?

Pois quando nos desligarmos daqui desse lugar, que imaginamos que existe, (até estarmos vivos) não iremos lembrar que vivemos ou que morremos.

Um Abraço,


Comentário de: RN [Visitante]
06.07.09 @ 10:55
Quem sabe os ornitorrincos herdem a Terra... Ué, besteira, eles também morrem.

Você tem razão em lembrar esse assunto tabu, pois hoje em dia as pessoas se pensam Deuses, imortais. "Os outros morrem, não eu". "Minha juventude é eterna". "Posso salvar a Natureza, o Panda, o Mico das caras douradas, verdes ou vermelhas, nenhum bicho mais vai morrer, ora então posso tudo", "a morte é só transitória, viverei eterno no céu ou entre as huris e walquírias...". A mídia e outros me dizem tudo isso, logo "sou jovem, bonito, só trouxa morra, e ainda sou ambientalista, crente e imortal"... Alias a mídia jamais se refere à morte, só quando algum otário morre, como o louco que dirigia rápido demais, o astro que tomou injeções proibidas, o avião que caiu por culpa deste ou aquele, etc... Sempre os outros, caras que mereciam a morte pela ótica dela, mídia. Sim, vamos morrer, mas o Homem do século XXI perdeu a dimensão disso.

Bem lembrada, a morte. Gostei que você tocou no assunto. Ela vem aí, mas ninguém gosta, e ainda fazem piadas quando lembramos esse cruel assunto.Só um pentelho lembraria da morte! Devíamos viver sempre tendo isso em mente, nossa mortalidade, funcionaria melhor que qualquer crença que prevê vida contínua sobre ou pós-morte. Pois daríamos um valor à vida maior do que a cotação do Euro atual.
Comentário de: Cláudio Ricardo [Visitante]
06.07.09 @ 10:56
Perdi minutos preciosos da minha vida lendo esse lixo, que parte do nada e leva pra lugar algum. Raso, com uma colherzinha de chá.

Tá com crise existencial, procura um terapeuta, meu irmão.

Saludos
Comentário de: Jose Elpidio Malfati [Visitante]
06.07.09 @ 11:04
Putz........bateu legal. Prata voce disse tudo e mais um pouco. Pena que tal sabedoria venha de um corintiano (brincadeira).
Comentário de: Jose Elpidio Malfati [Visitante] · http://www.fecomerciarios.org.br
06.07.09 @ 11:07
Putz.............bate legal. Prata voce disse tudo e um pouco mais. Melhor nao ficar pensando na morte porque a gente ficará uma eternidade fazendo parte dela. Pena que tal sabedoria venha de um corintiano..........(brincadeira) eis que os corintianos, como todos nós, tambem temam a maldita (morte).
Abraço.
Comentário de: Leonisio da Silva Barroso [Visitante]
06.07.09 @ 11:08
O Prata, você ajuda alguma Instituição de Caridade?
Comentário de: Hercules [Visitante]
06.07.09 @ 11:12
certamente esta crônica foi inspirada no Inter, que gloriosamente MORREU na praia corinthiana.
Mas, "todos" não estão mortos. Foram reciclados em nós. Não apenas nas idéias, mas também na matéria. Afinal, o cálcio de nossos ossos, já pertenceu a uma ostra siluriana,herdado por um peixe no carbonífero e mais recentemente por um capim comido por uma vaca, da qual incorporamos este cálcio, através do leite bebido na forma de danone.
Sem morte não há vida....Afinal, "na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"
Esta dicotomia morte-vida é apenas mera fantasia do antropocentrismo do Homo narcisico.
Abraços
(de um professor de biologia em final de semestre e também, corinthiano em final de campeonato.)
Comentário de: Maurício [Visitante]
06.07.09 @ 11:23
Me preocupa mais saber se a morte é o fim do que o fato em sí.

Se for o fim , pior para nós todos pois alêm da existência humana já ser trágica, ainda matamos e morremos por Deuses que não existem. Não haveria objetivo e a matéria orgânica seria apenas um acidente cósmico.

Do contrário, seria um alívio , saber que a alma ou a vida após a morte continua, porêm que Deus é tal que trucida ou deixa-nos como seus filhos impotentes numa existência cruel e massacrante?

Nunca descobriremos antes de morrer. Isto é fato.
E se o primeiro caso for a verdade, nunca descobriremos mesmo.

Agora nos dois casos independentes a vida deveria ser valorizada por nossa espécie. Fazemos o contrário. A vida não vale nada. Se for única, é valiozíssima. Se for uma passagem, estamos mau.


Comentário de: Gilson Leitner [Visitante]
06.07.09 @ 11:23
Brilhante!
(e continua a brilhar...)

Gilson
Comentário de: Wilson Ricardo [Visitante]
06.07.09 @ 11:28
O díficil não é lidar com a nossa morte, nós nem vamos precisar fazer isso.
O díficil é lidar com a morte de quem agente ama.
Comentário de: Celio [Visitante]
06.07.09 @ 11:29
Bom dia li e gostei, so falou a verdade, nos nunca pensamos na morte, ppois deviamnos, porque sabemos que ela vem cedo ou tarde e é melhor estramos preparados
Comentário de: eliana [Visitante]
06.07.09 @ 11:29
adorei o que voce escreveu, é isso mesmo, é bom
lembra da morte, éuma coisa de que ninguém duvi
da e tem alguns que até a antecedem..........se nos lembramos da morte automaticamente mudamos, é impressionante o que ele nos causa,o que estraga a morte são as malditas religiões, estas
sim alienam o ser humano, a morte faz parte da vida simplesmente, e pensar nela desanuvia nossa cabeça.
Comentário de: Carlos Rodolfo Silveria Stopa [Visitante] · http://recantodasletras.uol.com.br/autores/crstopa
06.07.09 @ 11:34
A vida é vertigem - todos sabemos - rodopio rápido do vento que sopra em nossos olhos partículas que já fizeram parte de algum corpo habitado por um ser vaidoso, possivelmente alguém que se julgava possuído de um ser "oceânico"... Quem já tomou anestesia geral teve uma amostra da morte - outra maneira de repetir o filósofo grego: a morte não nos concerne: quando somos, ela não é; e quando ela é, não somos[mais].
Um abraço de quem pensa na morte!
Comentário de: Rogério Barão [Visitante]
06.07.09 @ 11:49
Prata, sua sensibilidade beira a aflição! Mas ao tocar nesse assunto, você só me fez lembrar de que todos nós passamos o tempo acreditando na vida pós-morte muito mais por não querer largar o osso do que por qualquer outra coisa.
"Lembranças não comem picanha" foi ótimo.
Um forte abraço.
Comentário de: DANIEL MACIEL [Visitante]
06.07.09 @ 12:08
Parabéns pela reflexão! gostaria de adicionar um complemento: cultive bem suas relações pessoais, viva com pouco $$$$, trabalhe menos e se divirta mais. Cuide da saúde do corpo e da mente. Não é necessário ser estudioso, ser belo(a) ou ser rico para seguir essas dicas.
Comentário de: roberto [Visitante]
06.07.09 @ 12:10
A gente morre todo dia, entao sem problemas.
Comentário de: haroldo kennedy [Visitante]
06.07.09 @ 12:19
Aquela metáfora do filme “O estranho caso de Button”, inspirado no livro de F. Scott Fitzgerald, mas Chaplin também o fez, não sei que o fez primeiro dos dois, mas certamene primeiro, primeiro mesmo, foi um grego:



"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente. nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado para fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante para poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando...

E termina tudo com um ótimo orgasmo!!!" (Charles Chaplin).
Comentário de: Glúon [Visitante]
06.07.09 @ 12:41

Pô Prata, que assunto mais agradável. Alguma decepção?
Comentário de: Eduardo [Visitante]
06.07.09 @ 12:45
Caro Antonio,
Tão certo como a morte é a vida.
Serão então os prazeres uma fuga para a morte, ou uma fuga para a própria vida?
Comentário de: aguinaldo severino [Visitante] · http://guinamedici.blogpot.com
06.07.09 @ 12:45
olá
li teu texto e lembrei de uma pasagem do "tempo redescoberto" do proust.
em alguma hora o velho barão de charlus repete em voz alta algo como: "fulano, morto; sicrano, morto; beltrano, morto; romano, morto" e a cada palavra morto parecia mesmo uma pazada de terra sobre os caixões de todos nós, não apenas de seus amigos mortos.
bela crônica a tua.
aguinaldo severino
Comentário de: ANDRE [Visitante]
06.07.09 @ 12:46
Pois é...e nos importamos com cada besteira...
Comentário de: Rosângela Marin [Visitante] · http://romarin
06.07.09 @ 13:03
oi querido, sempre leio "voce", nunca comentei nada na internet, mas esse está impagável, tudo bem - "tragicômico" -(dependendo da própria visão do "além"). Continue inspirado, se voce for filho do Mario, está comprovada a transmissão genética da genialidade; senão, não deixe de ter filhos, porque será um desperdício. rô
Comentário de: Reinaldo [Visitante]
06.07.09 @ 13:16
Desculpe colega, mas se não escrevesse esta cronica com certeza daria no mesmo.........
Comentário de: marcio [Visitante]
06.07.09 @ 13:27
Lamento pela minha morte, não pela sua.
Comentário de: Bruno Delfini [Visitante]
06.07.09 @ 13:41
É verdade, concordo com o autor que não devemos pensar na morte o tempo todo. É muito semelhante a isso (viver dessa forma, sem rumo, como o Antonio Prada descreveu) o que o Apóstolo Paulo disse em 1 Co 15:19 "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens", ou seja, nossa vida não é só isso. Os Cristãos têm sua esperança baseada na vida eterna que Jesus nos proporciona, então têm outra perspectiva de vida. A propósito, Shakespeare, Einstein, Marylin Monroe...todos estão realmente mortos. Mas Jesus Cristo não. Ele está vivo, baseado no historiador e médico Lucas (um dos melhores e mais completos da antiguidade), tendo sido visto, ressurreto, por mais de 500 testemunhas ao mesmo tempo.

Comentário de: Marco A. Carneiro [Visitante]
06.07.09 @ 13:55
Put...merd... , é verdade mesmo !! Um dia temos de morrer !! Acredito que o mais dificil seja fingir não escutar quando ela chamar !! Enquanto isso vamos em frente achando que podemos desviar dela , afnal de contas, picanha, futebol e sexo é bom demais !! Abs.
Comentário de: Adriano Marson [Visitante] · http://adrianomarson.blogspot.com
06.07.09 @ 13:56
Genial!
Chega do tal "carpe diem".
Vamos focar mais em: "keep walkin" ou "Just do It" que é mais real.

Comentário de: Ricardo [Visitante]
06.07.09 @ 14:13
Texto fraco, cheio de obviedades e clichês de quinta categoria. Quer ser profundo mas é apenas pretensioso.

A qualidade do jornalismo brasileiro está mesmo em queda livre. Essa "crônica" ai não presta sequer para ser uma redação de vestibular.

Comentário de: Thereza Christina Jorge [Visitante] · http://aosnovosconvertidos.blogspot.com
06.07.09 @ 14:40
Olha, este texto é lindo e sensivel e muito delicado. Gosto muito do que você escreve. Um abraço. Thereza
Comentário de: Geraldo Leal de Moraes [Visitante] · http://www.geraldodialoga.blogspot.com
06.07.09 @ 14:58
Caro Prata a vida é cortar as unhas do pé no domingo,ler cronicas inteligentes e saber que Sarney logo passará e em pouco tempo lula a dorê voltará a ser um aperitivo gostoso para uma caipirinha.
Tudo passa e fica como dos gregos lições para sempre.
Comentário de: Anna H. [Visitante]
06.07.09 @ 15:05
Antonio, todo dia eu peço à ela para não se lembrar de mim tão cedo ! Mas ao mesmo tempo nem morro de medo desta senhora. De dor, sim, até fiz uma lista das 5 piores dores que já conheci, quer saber ?
1°) dor de dente
2°) dor de enxaqueca
3°) dor nos rins
4°) dor de garganta
5°) dor de cotovelo
Antes uma 'boa' morte do que sentir dores que não passam (imagino o que sente alguém no hospital, precisando de morfina, ou o Michael Jackson viciado em analgésicos fortes).
Viva la vida - mas sem sofrimento demais.
Comentário de: marguerita bornstein [Visitante] · http://www.thepoignantfrog.blogspot.com
06.07.09 @ 15:27
Ola,Prata
Gozado voce ter tocado no assunto tao frontalmente.Eu,por ser filha de dois sobreviventes do Holocausto vvo desde menina com este pensamento ,ao mesmo tempo com um joie de vivre incondicional que herde meus pais.Ambos,que enfrentaram a realidade nua e crua da bestialidade humana,sobreviveram com seus ideais e apesar de enfrentarem a Morte,e em seguida sofrermos o que o destino nos impos,sempre me diziam olhe no queijo e nao nos buracos.....entao eu,so neste mundo,vivo na casca,puxando os pauzinhos de um quebra cabecas sem fim.E,atualamente mais uma vprocurando como desvendar a minha sobrevivencia,um teto e comida na mesa,ha! e a raca por ai,chorando pitangas......
Comentário de: Nube [Visitante]
06.07.09 @ 15:48
Morte é pros fracos.
Comentário de: marcos [Visitante]
06.07.09 @ 16:02
A MORTE É RICA EM DETALHES. ELA DÁ MEDO POR SEUS MÉTODOS, E NÃO POR SUA CHEGADA. FICAR GRAVEMENTE DOENTE SEM PERSPECTIVAS DE MELHORA, FICAR ANTE UM ASSALTANTE COM UMA ARMA EM PUNHO, ETC. ISSO É QUE NOS APAVORA.
Comentário de: isaac grimberg [Visitante]
06.07.09 @ 16:32
nasccemos e morremos uma única vez. Depois vem o Juizo.É a verdade de Deus.
Comentário de: José Ildon [Visitante]
06.07.09 @ 16:41
Com a morte, as possibilidades se acabam. A vida possibilita qualquer coisa
Comentário de: Carlos Henrique do Carmo Santos [Visitante]
06.07.09 @ 17:15
Caro Antonio,
Depois que li fiquei feliz por saber que você já morreu e não sabe. Ridiculo você e essa sua crônica idiota.
Comentário de: Gustavo Olivi [Visitante]
06.07.09 @ 17:15
A morte como fim não existe, é como o nascimento, vamos simplesmente nascer em outro lugar.
Aonde vamos nascer depende de como estamos fazendo as coisas por aqui.
O Filho de Deus já ensinou isso, ressuscitou para provar à humanidade que a vida continua, por isso se justifica ninguém se preocupar com a morte. Assim fazemos na prática porque sabemos isso intuitivamente, como algo intrínseco à nossa natureza.
Comentário de: dudu antunes [Visitante] · http://www.duduantunes.com.br
06.07.09 @ 17:19
Aprendi depois dos trinta, sempre ao acordar e olhar no espelho, pensar por alguns instantes na morte, todos os dias sem excessão. Tornou habito.
A morte é a única certeza que temos na vida.
Comentário de: juliana machado [Visitante] · http://julianadetoledomachado.blogspot.com
06.07.09 @ 17:45
São Geraldo já dizia: viva cada hora como se fosse a última. Qualquer uma delas pode ser...
Comentário de: Edson [Visitante]
06.07.09 @ 17:46
Prata Jr;

Parece que o "auê" midiático com a morte do Michael Jackson também afetou você, né?
Mas coincidiu de eu ter assistido há poucos dias um filme que tem a morte como pano de fundo mas, na verdade, fala mesmo é da vida.
Chama-se "A Partida".
Como referência, é o filme japonês que levou o Oscar de filme estrangeiro em 2009.
Eu, particularmente, gostei muito. Pelo que você escreveu, parece-me que você também gostará.

Abçs!
Comentário de: Cristina Lasaitis [Visitante] · http://cristinalasaitis.wordpress.com
06.07.09 @ 17:59
Meu sonho é ser imortal...

Por enquanto estou conseguindo.
Comentário de: Ruy [Visitante]
06.07.09 @ 18:20
Não sei se você leu, mas essa crônica me lembrou os papos do almoço de sexta. E, dá licença que eu vou tomar meu Cynarzinho...
Comentário de: Fernando [Visitante] · http://vaiprochato.blogspot.com
06.07.09 @ 18:31
Alguém escreve: "Que assunto desagradável". Pois é, continuamos tentando fugir desse assunto, mas não adianta. Nunca conseguiremos tapear a morte. Acostumem-se.

(e, Prata, poderíamos ter ficado sem o "Desculpa tocar no assunto".

Abraço.
Comentário de: Fernanda [Visitante]
06.07.09 @ 18:49
Oi Antônio,

Sua crônica me lembrou de um poema chamado "A livella" do Totò (um ator italiano, lá de perto da cidade dos tomates...rs...) .

O poema trata de um outro aspecto da morte - sua capacidade de promover (a tão sonhada) igualdade entre os homens - quando ela chega, nos "nivela", no cemitério somos todos iguais.

Totò já não está mais entre nós, mas você pode conferir ele declamando o poema no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=W8zqyuhCvIc

Ou ter acesso ao texto pelo link (é em napolitano, boa sorte!):
http://books.google.com/books?id=7pyhAexIzw4C&pg=PA3&lpg=PA3&dq=toto+a+livella&source=bl&ots=mtPbgccpvJ&sig=zwrV3Fm31snmOu3ZxW_gc15NSck&hl=en&ei=MmxSSrOnH432sQOP9MWqDQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=8

Gostei do blog e da crônica, parabéns!
Fernanda
SF
Comentário de: Tonho [Visitante]
07.07.09 @ 00:45
Faz bem pra saúde que não pensemos na morte,mas no mais das vezes exageramos,e a ignoramos.Não a usamos em doses homeopáticas na nossa consciênica, no dia a dia,como seria mais
salutar pra nós e pra todo mundo.
Fico pensando o que faz um homem, em tese, muito perto da morte como oSarney fazer o que faz e ser o que é.E fico em dúvida de qual a morte seria mais salutar pra ele pensar.Sa
be-se que exigiu que o povo lhe fizesse um big mausoléu,luxuosa extensão para o seu apodrecimento em vida.Será que os ver
mes que comem um imortal também são imortalizados?
Mas voltando ao brilhante texto de onde não deveria ter saído:o ornitorrinco é uma excelente imagem pra morte,que será sempre uma estrangeira extremamente dessemelhante.

Comentário de: ACOL [Visitante]
07.07.09 @ 11:37
Antonio,

Excelente este texto, até relembrei um filme que vi no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=3Wn_j-dwqYE
Vale a pena ver.

Um abraço !!!
Comentário de: Anna H. [Visitante]
07.07.09 @ 12:28
Interessante notar que aproveitam qualquer assunto nos blogs para falar mal de quem está 'muito vivo', 'vivinho da silva' e passando melhor que qualquer um de nós, lá em Brasília e fora (ele já gosta de viajar) : Luiz Inácio Lula da Silva. De que serve ter inveja ? Dá dor de barriga.
Comentário de: Danyllo Carvalho [Visitante]
07.07.09 @ 13:41
Pouco apareço nos comentários, há milhões de anos te acompanho, mas, continuo ainda admitindo... não sei onde vais parar, estas cada vez melhor.
Que jorrem livros da tua cuca e paciência frenética dos pulsos, estamos no aguardo.
Comentário de: marcos [Visitante]
09.07.09 @ 15:09
vc é ateu?
Comentário de: bruna [Visitante]
10.07.09 @ 18:15
é verdade: vc está cada vez melhor. parabéns.
Comentário de: Carlos Trannin [Visitante]
12.07.09 @ 00:57
Parabéns, mas um tanto quanto nihilista, só um pouquinho. O Prata poderia dar a mão com o autor de Eclesiastes e sair pela vida (ou melhor, pela morte). Eu vou morrer, você vai morrer, a mulher da voz do telefone vai morrer...rs rs. E os comentários também, com poucas exceções, são todos ótimos. Gente, eu não queria ser estraga prazeres e muito menos estragar o raciocínio de uma bela crônica como essa, mas um dia houve alguma coisa de nova debaixo do sol: alguém ressucitou!

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Antonio Prata nasceu em São Paulo, em 1977. É escritor, agnóstico, corintiano, míope, meio intelectual, meio de esquerda e publica uma segunda sim uma segunda não na última página do caderno Metrópole





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